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5 passos para economizar para a aposentadoria

by Editoria Bolsa e Mercado
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A importância do planejamento para a aposentadoria

Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, o planejamento da aposentadoria se tornou uma necessidade essencial. A simples acumulação de um montante considerável já não é suficiente. O foco agora é transformar esse patrimônio acumulado em uma renda capaz de sustentar um padrão de vida por 25, 30 anos ou até mais após a saída do mercado de trabalho.

No entanto, dados recentes revelam que muitos brasileiros ainda não se sentem preparados para essa transição. Conforme a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, uma pesquisa realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha em 2025, 60% dos brasileiros que ainda não se aposentaram planejam viver de renda pública, sendo apenas 16% os que já estão economizando especificamente para a aposentadoria. Entre aqueles que já atingiram essa etapa, a dependência do financiamento providenciado pelo INSS é alarmante: 93% utilizam essa fonte como principal recurso. Isso indica que a maioria confia em uma única fonte de renda, que pode não ser suficiente para manter o mesmo padrão de vida vivido durante a fase ativa.

De acordo com Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico, a elaboração de um plano efetivo para a aposentadoria é menos complicado do que se pensa. Ela sugere que, em vez de tentar calcular imediatamente quanto dinheiro será necessário, é mais eficaz abordar a aposentadoria como uma questão de fluxo de caixa, guiada por três perguntas: quanto será necessário mensalmente para manter o padrão de vida desejado, quanto já está garantido por outras fontes de renda e por quanto tempo os investimentos precisarão sustentar a diferença.

Guia prático em cinco etapas para a aposentadoria

A especialista da Rico delineou um guia prático em cinco etapas para ajudar a transformar a meta de aposentadoria em números concretos e alcançáveis.

Passo 1: Descobrir quanto faltará por mês

O ponto inicial não deve ser o montante de patrimônio já acumulado, mas sim a renda mensal desejada. Para chegar a essa cifra, é necessário estimar o custo do padrão de vida durante a aposentadoria e subtrair as receitas já garantidas, como o benefício do INSS, aluguel de imóveis, pensões e outras fontes de renda passiva.

Por exemplo, se uma pessoa almeja ter R$ 5 mil por mês e estima receber R$ 2 mil do INSS, a diferença a ser complementada pelos investimentos é de R$ 3 mil mensais.

É fundamental considerar que essa análise não deve ser baseada apenas nas despesas atuais. Diversas despesas podem diminuir com o tempo (como o custo com transporte para o trabalho), mas outras podem aumentar, especialmente aquelas relacionadas à saúde, medicamentos, seguro e eventuais adaptações na moradia.

No atual cenário, com a taxa Selic a 13,75% ao ano, a ideia de viver apenas com os rendimentos pode parecer atraente. No entanto, um olhar mais atento revela que uma parte dessa rentabilidade serve apenas para compensar a inflação, que acumula 4,22% nos últimos 12 meses segundo o IPCA. Além disso, outra parte pode ser consumida por impostos, taxas e custos associados a produtos financeiros.

A projeção correta deverá considerar o retorno real líquido, ou seja, aquilo que efetivamente resta após descontar a inflação, os impostos e as taxas. O objetivo não é apenas acumular mais reais no futuro, mas sim preservar o poder de compra. Se o custo de vida aumenta, a renda da aposentadoria deve acompanhar esse crescimento.

“É essencial não planejar um período de três décadas baseado nas taxas de juros atuais, que, em muitas circunstâncias, tendem a variar significativamente ao longo do tempo. Um plano de 30 anos é mais seguro quando fundamentado em premissas conservadoras, em vez de nas taxas de retorno atuais. Projeções devem ser encaradas como estimativas, e quanto maior a rentabilidade esperada, maior será o risco associado a sua obtenção”, afirma Thaísa.

Passo 3: Decidir quanto do patrimônio poderá ser consumido

Existem duas abordagens principais para utilizar o capital acumulado durante a aposentadoria.

A primeira estratégia é realizar retiradas apenas dos rendimentos, buscando preservar o capital acumulado. Essa alternativa é viável, especialmente para aqueles que aspiram deixar uma herança, manter uma reserva maior para emergências ou garantir uma renda superior caso vivam mais do que o esperado.

A segunda abordagem envolve a utilização não só dos rendimentos, mas também a retirada de uma parte do capital ao longo do tempo, sendo necessário planejar como esses recursos serão utilizados para garantir a renda durante um determinado período.

Embora os valores a serem retirados possam variar com base no padrão de vida desejado, na duração da aposentadoria e no retorno obtido dos investimentos, uma conclusão comum a diversos cenários é clara: preservar integralmente o patrimônio requer mais recursos do que planejar seu consumo gradual.

Passo 4: Planejar-se para uma vida mais longa

O aumento da longevidade é uma conquista que também deve ser considerada ao planejar a aposentadoria. Ou seja, é crucial preparar o patrimônio para sustentar uma vida mais longa.

O plano de aposentadoria precisa estar preparado para lidar com eventuais oscilações do mercado financeiro, especialmente no início da aposentadoria. Como os recursos começam a ser utilizados nessa fase, é vital adotar uma estratégia bem estruturada que evite a venda de ativos em momentos desfavoráveis, prolongando a preservação do patrimônio.

Para lidar com esses desafios, uma abordagem comum é a combinação de diversificação, manutenção de reservas de liquidez e a realização de revisões periódicas do plano financeiro. Nesse contexto, incluir uma margem de segurança pode desempenhar um papel decisivo. Um planejamento mais conservador tende a aumentar as chances de preservar o patrimônio e, crucialmente, manter a autonomia financeira durante toda a aposentadoria.

Passo 5: Dar uma função para cada parte do dinheiro

Com as metas de aposentadoria bem definidas, não é necessário centralizar toda a estratégia em um único produto financeiro. Mais do que escolher investimentos, o planejamento envolve a organização de aspectos como liquidez, proteção, crescimento, tributação e sucessão.

Uma abordagem prática para entender essa diversificação é visualizar o capital como separado em “gavetas”. Uma reserva de emergência serve para conter despesas inesperadas. Investimentos atrelados à inflação são ideais para garantir o poder de compra a longo prazo. Além disso, é importante incluir ativos que busquem crescimento e diversificação.

Como destaca Thaísa, há produtos que foram especificamente desenvolvidos para atender a essa fase da vida. O Tesouro RendA+, por exemplo, foi projetado para auxiliar na criação de uma renda mensal ajustada pela inflação durante um período de 20 anos, a partir da data de conversão escolhida. Da mesma forma, a previdência privada pode oferecer benefícios tributários e sucessórios, dependendo das características do plano, permitindo que os recursos sejam transferidos diretamente aos beneficiários de forma ágil e sem serem incluídos no inventário, embora seja necessário observar as regras específicas do plano e a legislação aplicável.

Longevidade financeira e impacto familiar

Para a especialista, o Dia Internacional da Pessoa Idosa serve como um momento adequado para relembrar que a longevidade financeira não é apenas uma questão a ser resolvida individualmente.

“Um planejamento de aposentadoria inadequado pode ter impactos significativos que se estendem a filhos, netos e a toda a organização financeira da família. Quando o planejamento é realizado corretamente, o efeito é o oposto: o idoso preserva sua autonomia, mantém a liberdade de escolha e tem a oportunidade de decidir como contribuir para o futuro das gerações seguintes”, enfatiza.

Isso pode acontecer por meio de auxílio financeiro, organização patrimonial, planejamento sucessório ou mesmo pela transmissão de hábitos financeiros saudáveis.

“No fundo, viver mais é um grande feito. O desafio está em garantir que as finanças acompanhem essa conquista ao longo de toda a jornada. Preparar-se para uma vida prolongada não se resume a cuidar da saúde, mas envolve a construção de uma estratégia que viabilize viver essa longevidade com autonomia, tranquilidade e liberdade de escolha,” conclui Thaísa.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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