Trump eleva tarifas para 80 mil toneladas de carne argentina em quatro vezes

Trump eleva tarifas para 80 mil toneladas de carne argentina em quatro vezes

by Fernanda Lima
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Aumento da Cota Tarifária para Carne Bovina Argentina nos EUA

Medidas do Governo dos EUA

WASHINGTON (Reuters) – O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu quadruplicar a cota tarifária para a carne bovina argentina, elevando-a para 80 mil toneladas. O objetivo dessa ação é reduzir os preços no mercado interno americano, conforme declarado por uma autoridade da Casa Branca nesta quinta-feira (23). Essa decisão gerou descontentamento entre os pecuaristas argentinos.

A elevação da cota tarifária permitirá que a Argentina exporte uma quantidade maior de carne bovina para os EUA com uma taxa de imposto mais baixa. Atualmente, os preços da carne bovina nos EUA alcançaram patamares recordes, resultado de uma oferta limitada de gado e de uma demanda alta por parte dos consumidores.

Ações do Departamento de Agricultura dos EUA

Na quarta-feira (22), o Departamento de Agricultura dos EUA anunciou um plano destinado a ampliar o rebanho bovino nacional e apoiar os pecuaristas americanos.

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, comentou no programa "Mornings with Maria" da Fox Business Network, que o governo está se esforçando para apoiar tanto os consumidores de carne bovina quanto os pecuaristas.

Reações dos Pecuaristas dos EUA

Entretanto, o aumento das importações de carne bovina argentinos gerou descontentamento entre os pecuaristas dos EUA, muitos dos quais apoiaram Trump em diversas campanhas eleitorais. Os produtores locais alegam que a política do governo deve priorizar o suporte aos agricultores norte-americanos, afirmando que o crescimento das importações representa uma ameaça a seus meios de subsistência.

Os fazendeiros também expressaram decepção em relação a um acordo cambial de 20 bilhões de dólares realizado por Trump com a Argentina, especialmente enquanto enfrentam dificuldades nas vendas de soja para a China.

Justin Tupper, um produtor de gado de Dakota do Sul e presidente da associação dos pecuaristas dos EUA, alertou que "um acordo dessa magnitude com a Argentina prejudicaria a própria base de nosso setor pecuário".

Rollins, em resposta, destacou à Fox Business que há frustrações de ambos os lados e que o presidente está muito aborrecido em razão de seus esforços para reduzir impostos e custos.

Desafios na Indústria Pecuária

Economistas apontaram que a estratégia do governo provavelmente não resultaria em uma queda significativa nos preços rapidamente. Os suprimentos de gado nos EUA caíram para níveis mais baixos nos últimos anos, devido a condições climáticas adversas que afetaram as pastagens e aumentaram os custos de alimentação, levando os agricultores a reduzir seus rebanhos.

Importações de Carne Bovina para o Setor de Alimentos

Composição das Importações

Os Estados Unidos importaram aproximadamente 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina em 2024, volume que representa apenas 2% do total das importações, conforme dados do governo.

Essas importações são predominantemente de carne magra, utilizada em combinação com suprimentos domésticos para a produção de carne de hambúrguer. Analistas afirmam que o aumento da cota não deve provocar uma diminuição significativa nos preços ao consumidor.

Parte da carne bovina argentina poderá ser oferecida em restaurantes e utilizada em produtos alimentícios diversificados, o que poderá contribuir para a melhora das margens e rentabilidades dos operadores de restaurantes e empresas do setor alimentício.

Miguel Schiariti, presidente da CICCRA (Câmara da Indústria de Carnes da Argentina), afirmou à Reuters que as exportações de carne para os EUA consistem tanto nos cortes tradicionais da carne bovina argentina quanto na carne destinada à indústria de hambúrgueres, visando a redução dos níveis de gordura.

"É uma boa notícia para o setor", acrescentou Schiariti, ressaltando que a carne bovina argentina é altamente valorizada nos Estados Unidos e que a Argentina está trabalhando na reconstrução de sua cadeia de distribuição no país norte-americano.

Preocupações de Legisladores Americanos

Reações no Senado e na Câmara

O líder da maioria no Senado, o republicano John Thune, de Dakota do Sul, expressou preocupação em relação à nova política da Casa Branca para a carne bovina argentina, manifestando seu desejo de influenciar a implementação dessa medida.

"Estamos atentos a isso e temos entrado em contato com a Casa Branca, o Departamento de Agricultura e o representante comercial dos EUA sobre todas essas questões, tentando entender a direção para onde elas estão indo", relatou Thune.

Da mesma forma, o deputado republicano Adrian Smith, de Nebraska, um estado com significativa produção de gado, também manifestou sua apreensão em relação às novas importações.

"Políticas e declarações que influenciam de maneira inadequada e prejudicam o mercado doméstico de gado colocam em risco nossa segurança alimentar e não são benéficas", comentou Smith.

Declarações da Casa Branca

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou que Trump está comprometido em proteger os pecuaristas e criar condições para aliviar as dificuldades econômicas enfrentadas pelos americanos comuns.

(Com reportagem adicional de Maximilian Heath em Buenos Aires)

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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