Bemobi (BMOB3) busca manter payout de 100% e acredita ter potencial para dobrar seu tamanho.

Bemobi (BMOB3) busca manter payout de 100% e acredita ter potencial para dobrar seu tamanho.

by Ricardo Almeida
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CEO da Bemobi Destaca Política de Dividendos

O cofundador e CEO da Bemobi (BMOB3), Pedro Ripper, afirmou em entrevista ao Money Times que a empresa se encontra em uma posição favorável para manter uma política de distribuição de dividendos equivalente a 100% do lucro nos próximos 12 meses. Essa estratégia será mantida mesmo com a preservação de um crescimento acelerado e com espaço para futuras aquisições.

Ripper ressaltou que o modelo “asset light” adotado pela empresa, que envolve baixa necessidade de investimentos pesados, permite um equilíbrio entre a expansão dos negócios, a manutenção das margens e a forte geração de caixa. No último ano, a companhia já realizou um payout de 100% e a expectativa é repetir essa estratégia neste período.

“O que eu não vou prometer é fazer mais de 100% do lucro, porque eu quero ter latitude se aparecer um bom negócio de M&A”, afirmou Ripper.

Transformação do Modelo de Negócio

A Bemobi é reconhecida como uma empresa de tecnologia, focada no desenvolvimento de soluções em pagamentos digitais, serviços financeiros e software, atendendo a setores como telecomunicações, energia, educação e saúde. A companhia tem como objetivo ajudar empresas a digitalizar seus processos de cobrança. Entre seus clientes, destacam-se empresas como Hapvida e Yduqs.

É importante observar que essa nova abordagem do negócio da Bemobi é resultado de uma transformação que começou pouco antes do IPO da empresa, em 2021. Até então, a Bemobi estava concentrada em pagamentos alternativos para aplicativos móveis, utilizando saldo pré-pago de operadoras como mecanismo de pagamento para aplicativos e jogos em países com baixa penetração de cartão de crédito.

No entanto, a companhia percebeu que o mercado estava mudando rapidamente, especialmente com a digitalização acelerada do Brasil, impulsionada pela pandemia de 2020, pelo lançamento do Pix e pela expansão das fintechs. Esse cenário fez com que mais pessoas se tornassem bancarizadas e utilizassem cartões e meios digitais, tornando o modelo anterior menos relevante.

Ainda assim, a empresa encontrou uma nova oportunidade em setores da economia real que ainda operavam com sistemas pouco digitalizados, predominantemente baseados em boletos. Assim, a Bemobi começou a investir em uma nova frente dedicada a “pagamentos verticais”, que visa modernizar toda a jornada de cobrança para empresas de serviços recorrentes, como contas de luz, água, telefonia, educação e saúde.

Desde o IPO, a companhia já realizou aquisições e expandiu essa nova operação, que atualmente representa cerca de 70% de seu faturamento.

“Acreditamos que a empresa, da mesma maneira que dobrou nos últimos quatro anos, é viável dobrar novamente em três ou quatro anos”, comentou Pedro Ripper, acrescentando que essa afirmação não constitui um guidance, mas sim uma expectativa discutida em reuniões com investidores, caracterizando-se como “altamente factível”.

Dependência de Boletos nas Empresas

O CEO enfatizou que diversos serviços essenciais ainda dependem de boletos e de processos considerados ultrapassados. Para ele, há um espaço significativo para a modernização em toda a jornada de pagamentos, começando da apresentação da cobrança até a liquidação financeira.

Entre os novos mercados em análise pela Bemobi estão condomínios, seguros de vida e previdência privada.

Outro vetor de crescimento identificado pela empresa é o mercado de ecossistemas empresariais, impulsionado pela aquisição da Paytime, realizada no fim de 2025. Ripper destacou que a estratégia visa desenvolver soluções integradas voltadas para franquias, distribuidores e grandes redes empresariais.

As ações da Bemobi refletem sua estratégia: a empresa é uma das poucas “techs” brasileiras que não sofreram desvalorização após o IPO, apresentando um crescimento discreto de 13% desde então.

O CEO mencionou que empresas de menor capitalização continuam a ser penalizadas pela baixa liquidez na bolsa brasileira, especialmente em um cenário de juros elevados. Entretanto, ele vê um potencial de valorização no caso de uma queda nas taxas de juros e um consequente retorno de fluxo para small caps.

Ripper também apontou que investidores estão especialmente atentos ao crescimento da divisão de pagamentos e software, seguindo métricas como TPV, take rate e margem operacional. Ele afirmou que a Bemobi é capaz de ampliar receitas sem aumentar os custos na mesma proporção, o que fortalece a alavancagem operacional.

Preparação do Mercado para Pagamentos Digitais

O CEO acredita que o consumidor brasileiro já está preparado para realizar pagamentos digitais de contas recorrentes. Agora, o desafio consiste em persuadir empresas tradicionais a modernizar seus sistemas de cobrança.

“A mesma pessoa que compra um pacote de pilhas no Mercado Livre e utiliza o cartão é também a que paga a conta de luz”, destacou Ripper.

De acordo com ele, consumidores preferem receber cobranças por meios digitais e realizar pagamentos com poucos cliques. No entanto, empresas de serviços públicos ainda enfrentam altos custos operacionais relacionados à inadimplência, cobrança e interrupções de serviços.

Ripper indicou que soluções como parcelamento, carteiras digitais e pagamentos automatizados podem ajudar a reduzir a inadimplência e aprimorar a experiência do cliente.

O executivo mencionou que cerca de 60% do crescimento esperado para 2026 deve ser originado da expansão dentro da própria base de clientes, enquanto entre 30% e 40% deverá ser proveniente de novos contratos.

Ele também afirmou que a estratégia de fusões e aquisições continuará a ser relevante, mas o crescimento deverá ocorrer, segundo ele, principalmente de forma orgânica. “A aquisição é menos um tema de agregar receitas e mais de acelerar a entrada em novos mercados”, declarou.

Ele revelou que a companhia já realizou sete aquisições e continuará a buscar oportunidades que apresentem sinergias claras. “Um mais um tem que dar materialmente mais que dois”, concluiu.

Avaliação pelos Analistas

Segundo o BTG Pactual, a Bemobi combina crescimento acelerado, rentabilidade e retorno ao acionista, características raras no setor de tecnologia brasileiro. O banco considera seu valuation atrativo, dado que a companhia está sendo negociada a cerca de 12 vezes o lucro estimado para 2026, um patamar considerado baixo em relação ao ritmo de crescimento e aos resultados históricos que superaram as expectativas.

Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, o BTG avaliou que os números devem gerar revisões positivas nas estimativas de consenso e, assim, continuar sustentando o desempenho das ações da empresa.

A Bemobi reportou um lucro líquido ajustado de R$ 37,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa um crescimento de 21% na comparação anual. A receita líquida, excluindo a Paytime, atingiu R$ 199,8 milhões, um aumento de 20% em um ano.

Na avaliação da instituição financeira, a companhia entregou mais um trimestre forte, destacando o crescimento orgânico acelerado, a expansão das margens e resultados que superaram as projeções do banco. As divisões de Pagamentos e SaaS se destacaram, crescendo 41% e 25%, respectivamente.

O BTG também salientou que este foi o oitavo trimestre consecutivo de crescimento anual acelerado da empresa. A margem Ebitda chegou a 35%, com uma expansão de 110 pontos-base em relação ao ano anterior. O Ebitda ajustado somou R$ 69,9 milhões, alta de 24%, acima das expectativas do banco.

O avanço operacional foi impulsionado pela expansão em setores como Telecom, Educação e Serviços Básicos, além da conquista de novos contratos, incluindo parcerias com empresas como Algar, Chilquinta, Grau Técnico e novas unidades da Unimed.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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