Cenário Atual do Comércio Eletrônico
Recentemente, o discurso que promovia um crescimento acelerado no comércio eletrônico tem se transformado em uma abordagem mais realista e pragmática. De acordo com Roberto Ave Faria, vice-presidente comercial da Quality Digital, o setor passou por anos priorizando uma expansão em escala, mas sem a devida organização, o que resultou em perdas bilionárias nas operações. No atual contexto, a palavra-chave que se destaca é eficiência. Faria resume a situação ao afirmar que “não adianta crescer por crescer”, enfatizando que a margem operacional agora se tornou o foco central da estratégia. Em outras palavras, simplesmente vender muito já não é suficiente; é fundamental vender de forma rentável.
Desafios das Devoluções no E-commerce
Um dos principais vilões que contribuem para esse desequilíbrio no setor é a alta taxa de devoluções. Faria aponta que essa taxa pode chegar a impressionantes 25% no comércio eletrônico, um número que impacta diretamente a saúde financeira das empresas. Muitas vezes, o problema se inicia na própria vitrine digital, onde descrições inadequadas, fotos que não representam com precisão o produto ou expectativas mal alinhadas em relação ao consumidor geram frustração. O desfecho comum é a devolução do produto, que acarreta um alto custo de logística reversa. Faria destaca: “cada devolução corrói a margem”, uma afirmação que revela a gravidade do problema. Nesse contexto, o investimento em uma experiência mais qualificada para o consumidor — através de dados estruturados, recomendações personalizadas e até provadores virtuais — torna-se uma estratégia efetiva para minimizar fricções e reduzir abandonos de carrinho.
A Importância da Eficiência Logística
Outro ponto enfatizado pelo executivo é que a eficiência logística se transformou em um diferencial competitivo crucial. Adoção de estratégias que utilizam lojas físicas como centros de distribuição são uma forma de reduzir os prazos de entrega e aprimorar o que é conhecido como “delivery promise”, um fator que se mostra decisivo para a construção da confiança do consumidor. Contudo, há um desafio que permeia o cenário: os altos juros que afetam o custo do capital de giro e dificultam a reposição de estoques. Faria alerta: “com dinheiro caro, muitos varejistas seguram investimentos em tecnologia”. Essa situação, segundo ele, pode travar a evolução do comércio eletrônico em um momento em que o consumidor demanda cada vez mais conveniência e precisão nas suas compras.
Fonte: veja.abril.com.br