A ‘dependência estrangeira’ da bolsa brasileira

Queda do Ibovespa

A redução de 2,1% do Ibovespa na sessão de ontem, que terminou em 181.708 pontos, tem uma explicação evidente: a diminuição do fluxo de capital estrangeiro. Investidores internacionais começaram a retirar seus recursos da bolsa, em um movimento clásico de realização de lucros que, como era amplamente esperado, ocorreria em algum momento.

Situação em Outros Mercados

Não se trata de um fenômeno isolado ao Brasil. Essa situação expôs uma responsabilidade que costumava ser subestimada nos períodos mais favoráveis: as bolsas emergentes continuam altamente dependentes do capital externo. O principal índice da bolsa mexicana registrou uma perda de 1,47%, a Colômbia apresentou uma queda de 2,29% e o Chile enfrentou uma desvalorização de 1,48%. Todos esses mercados, assim como o Ibovespa, haviam mostrado desempenhos superiores a 8% em janeiro, com o Ibovespa apresentando um crescimento de 12,26%.

Ruído Doméstico

Quando os investidores globais decidem restringir seus investimentos, as correções tendem a ocorrer de forma conjunta. No cenário interno, a correção foi mais intensa, especialmente devido a significativas perdas no setor financeiro, atribuídas, em parte, ao resultado do balanço do Santander. Ademais, surgiram novas preocupações quanto à qualidade dos ativos disponíveis e a desconfiança em relação a decisões políticas recentes. A nomeação do secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, para um cargo na diretoria do Banco Central, gerou desconforto no mercado.

Humor do Mercado

No exterior, além das quedas nas grandes empresas tecnológicas, o aumento da desconfiança sobre uma possível bolha relacionada à inteligência artificial também pesou sobre as decisões dos investidores. O relatório da ADP, que analisa o emprego no setor privado dos Estados Unidos, revelou a criação de apenas 22 mil novas vagas em janeiro, um número consideravelmente abaixo da expectativa, que era de 48 mil. Para intensificar a cautela entre os investidores, a tensão entre Irã e Estados Unidos voltou a ser foco das atenções, gerando incertezas sobre a possibilidade de um encontro entre representantes dos dois países—um cenário que acabou por reforçar a cautela e diminuiu a confiança na bolsa.

Fonte: veja.abril.com.br

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