Disruptão do fornecimento de petróleo nos EUA
O conflito dos Estados Unidos contra o Irã provocou a maior interrupção do fornecimento de petróleo da história, superando em mais de duas vezes o recorde anterior estabelecido durante a crise do Oriente Médio na década de 1950, conforme análise realizada pela consultoria Rapidan Energy.
Situação atual
Atualmente, cerca de 20% da oferta global de petróleo está interrompida há nove dias, uma vez que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz permanece estagnado. Como consequência, os preços do petróleo bruto dispararam, ultrapassando a marca de 100 dólares por barril.
Comparativo histórico
A maior interrupção anterior à atual guerra ocorreu durante a Crise de Suez, em 1956, quando Grã-Bretanha, França e Israel invadiram a Península do Sinai, no Egito. Segundo a empresa de consultoria energética, nessa crise, aproximadamente 10% da oferta global de petróleo na época foi afetada.
Comparação de interrupções de fornecimento de petróleo
Tabela de crises de fornecimento
| Crise | Fornecimento interrompido | Capacidade ociosa disponível (%) | Localização da capacidade |
|---|---|---|---|
| Crise de Suez (1956-57) | 10% | 35% | EUA, alguns no Golfo |
| Embargo Árabe ao Petróleo (1973) | 7% | 8% | Arábia Saudita/Golfo |
| Revolução Iraniana (1978-79) | 5% | 5% | Arábia Saudita |
| Guerra do Golfo (1990-91) | 9% | 4% | Arábia Saudita |
| Guerra do Irã (2026) | 20% | 0% | N/A – Interrompido |
Fonte: Rapidan Energy
Impactos da interrupção atual
Os analistas da Rapidan informaram que a interrupção causada pelo fechamento do Estreito é quase três vezes maior do que o choque provocado pelo embargo árabe de petróleo de 1973, que afetou cerca de 7% das reservas globais. A grande diferença entre o choque de oferta da guerra do Irã e as crises passadas é que o mundo não tem capacidade ociosa disponível para lidar com o problema.
Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos detêm a maior parte da capacidade de ajuste, mas estão atualmente isolados do mercado global de petróleo devido ao fechamento do estreito, conforme mencionado pelos analistas.
"O conflito não apenas afastou uma parte historicamente alta do suprimento global, como também interrompeu os principais detentores da capacidade ociosa," afirmaram os analistas da Rapidan. "O resultado é um mercado sem um colchão significativo. Não há um produtor de ajuste posicionado para intervir."
Demandas e reservas
Isso significa que o mercado global de petróleo precisará se equilibrar destruindo a demanda, através do aumento acentuado dos preços do petróleo, segundo os analistas. O estoque estratégico de petróleo dos Estados Unidos é “finito e insuficiente para compensar completamente” o fornecimento bloqueado no Golfo Pérsico, que se deve ao fechamento do Estreito de Ormuz, afirmaram.
Atualmente, a Reserva Estratégica de Petróleo possui 415 milhões de barris, representando cerca de 58% da sua capacidade autorizada total de 714 milhões de barris, conforme dados do Departamento de Energia.
Um funcionário da Casa Branca informou à CNBC na última sexta-feira que a administração Trump acredita que "os mercados de petróleo permanecem bem abastecidos e, caso precisemos tomar medidas adicionais, o faremos."
Os estados-membros da Agência Internacional de Energia enfrentarão pressão para liberar seus estoques estratégicos, uma vez que essa é “a única opção restante de resposta de fornecimento,” conforme afirmaram os analistas da Rapidan.
Os ministros de finanças do Grupo dos Sete estavam previstos para se reunir às 8h30, horário do Leste dos EUA, para discutir a possível liberação conjunta de reservas de petróleo coordenada pela IEA, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, conforme noticiado pelo Financial Times.
Fonte: www.cnbc.com