A queda acentuada das ações de software na semana passada não representa um aviso, mas sim uma oportunidade. Este é o recado do JPMorgan, que, em uma comunicação enviada aos seus clientes na terça-feira, ressalta que as ações do setor de software se mostraram atraentes após os investidores abandonarem esse segmento durante um período de três dias.
Os analistas do banco delinearam cinco razões pelas quais o recente colapso no mercado de software representa uma oportunidade para comprar na baixa. O setor de software registrou seu maior recuo em 12 meses nos últimos 30 anos, em um processo de desvalorização que teve início na terça-feira passada, após a apresentação das novas ferramentas de inteligência artificial pela Anthropic. Este episódio resultou na eliminação de cerca de US$ 2 trilhões em capitalização de mercado, reduzindo seu peso no índice S&P 500 de 12% para 8,4%.
A denominada “apocalipse do software” foi impulsionada pelo temor de desinterrupção provocada pela inteligência artificial, o que conduziu o sentimento dos investidores a níveis que os analistas do JPMorgan descreveram como “profundamente pessimistas”.
“Dentro do setor de tecnologia, esse risco percebido de desinterrupção provocou vendas indiscriminadas tanto de ações de qualidade quanto de crescimento especulativo de software”, observaram os analistas. No entanto, o banco acrescentou que vê várias razões pelas quais o evento da semana passada representa um ponto de entrada sólido para as ações afetadas.
1. Cenários extremos de desinterrupção parecem improváveis
O JPMorgan acredita que o software empresarial está “profundamente enraizado em toda a paisagem corporativa”, o que significa que alguns dos piores cenários do mercado são improváveis de se concretizar nos próximos três a seis meses. “É importante destacar que evidências emergentes sugerem que a inteligência artificial tende a ser um complemento aos fluxos de trabalho de software no curto prazo, em vez de um substituto”, afirmaram os analistas.
2. Perspectiva mais ampla para a tecnologia
O banco previu que haveria uma preferência entre os investidores por ações de hardware e semicondutores neste ano, mas a movimentação de preços da semana passada pode levar os investidores de volta ao setor de software. Os analistas indicaram que os compradores têm a oportunidade de se expor de forma seletiva a nomes mais resilientes.
3. Posicionamento do software está em mínimos extremos
Os investidores estão se voltando para ativos físicos, sinalizando uma mudança em relação aos ativos digitais. Esse fenômeno pode ser observado no desempenho recente do ouro e do bitcoin: enquanto o metal precioso se recuperou de suas mínimas, a criptomoeda continua enfrentando dificuldades. O JPMorgan informou que a exposição líquida ao software caiu para o percentil 1 desde 2018, enquanto o setor de semicondutores subiu para o percentil 100 no mesmo período.
Além disso, houve um aumento no interesse em posições vendidas (short interest) dentro do setor de software, à medida que traders de varejo demonstraram um desinteresse crescente por esse segmento. Tal posicionamento bearish pode ser um indicador contrário de ganhos futuros, uma vez que o sentimento dos investidores comece a se reverter.
4. Fundamentos sólidos e avaliações em mínimos históricos
As estimativas consensuais para o setor de software permanecem robustas, apesar da mudança negativa no sentimento dos investidores. Wall Street espera um crescimento superior a 16% tanto nas vendas quanto nos lucros, além da expansão das margens, colocando as projeções do setor entre as mais fortes do S&P 500. Os analistas do JPMorgan destacaram que o sell-off do setor fez os preços caírem para níveis semelhantes aos registrados imediatamente após o crash do “Dia da Libertação” do ano passado.
5. Os resultados permanecem favoráveis
Apesar dos temores relacionados à desinterrupção por parte da inteligência artificial, os últimos resultados trimestrais do setor de software têm sido bastante positivos. Todas as empresas de software do S&P 500 que divulgaram resultados na época do relatório do JPM superaram as expectativas de Wall Street. Os analistas enfatizam o desempenho da Microsoft e da ServiceNow, que apresentaram resultados acima das expectativas, mas suas ações sofreram desvalorização.
Fonte: www.businessinsider.com