Perspectivas de Mudança de Regime na Venezuela
A mudança de regime na Venezuela poderia criar oportunidades para o retorno das grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos ao país sul-americano, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
O presidente Donald Trump solicitou que as companhias petrolíferas dos EUA investissem bilhões de dólares no setor de energia da Venezuela, horas após as forças dos EUA terem capturado o presidente Nicolas Maduro e sua esposa.
“Vamos ter nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo — entrando, gastando bilhões de dólares, e consertando a infraestrutura de petróleo que está seriamente danificada,” declarou Trump em uma coletiva de imprensa realizada no sábado em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
Reação das Empresas Petrolíferas
As grandes empresas de petróleo têm se mantido em silêncio desde a queda de Maduro, já que a situação na Venezuela continua incerta. Contudo, as ações da Chevron, da Exxon Mobil e da ConocoPhillips estão em alta, à medida que investidores acreditam que as três maiores companhias petrolíferas dos EUA se beneficiarão após a ação militar americana.
As reservas de petróleo da Venezuela são estimadas em 303 bilhões de barris, representando cerca de 17% do total global, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA. A produção do país atingiu seu pico de 3,5 milhões de barris por dia no final da década de 1990, mas caiu significativamente desde então, de acordo com a consultoria de energia Kpler. Atualmente, a produção da Venezuela é de cerca de 800 mil barris por dia, conforme dados da Kpler.
As reservas, localizadas principalmente na Faixa de Orinoco, na parte oriental do país, consistem em petróleo extra-pesado que exige um nível elevado de expertise técnica para ser extraído, conforme indicado pela EIA.
Impactos da Nacionalização de Hugo Chavez
O ex-presidente Hugo Chavez confiscou ativos de grandes empresas petrolíferas dos EUA em 2007. Atualmente, a Chevron é a única grande empresa petrolífera americana ainda operando na Venezuela. Exxon e Conoco possuem bilhões de dólares em reivindicações pendentes contra Caracas resultantes da nacionalização promovida por Chavez.
Só a eliminação das sanções americanas contra a Venezuela não será suficiente para incentivar novos investimentos no país, conforme explicou o analista da Morgan Stanley, Devin McDermott, em nota enviada aos clientes na segunda-feira. Trump afirmou durante o fim de semana que o embargo dos EUA ao petróleo venezuelano continua em pleno vigor.
Produtores norte-americanos precisariam ver uma forma de recuperar suas reivindicações contra Caracas e ter confiança na estabilidade do governo da Venezuela, destacou McDermott.
Trump criticou a nacionalização do petróleo na Venezuela, descrevendo-a como “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país.”
“As companhias petrolíferas irão entrar, gastar dinheiro, e vamos retomar o petróleo que, sinceramente, deveríamos ter recuperado há muito tempo,” afirmou o presidente.
A administração discutirá planos com executivos do setor petrolífero para expandir suas operações no país, informou um oficial dos EUA à CNBC.
Posição da Chevron
A Chevron está na melhor posição para aumentar rapidamente a produção, caso as condições permitam, segundo McDermott. No quarto trimestre de 2025, a empresa exportou cerca de 140 mil barris por dia, conforme dados da Kpler.
A Chevron possui uma base de recursos significativa na Venezuela. O analista do JPMorgan, Arun Jayaram, informou que a empresa tem joint ventures com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), que é responsável por 23% da produção do país.
Reivindicações da Conoco e Exxon
A Conoco e a Exxon participaram da política de “abertura do petróleo” da Venezuela nos anos 1990, que convidou investimentos estrangeiros para desenvolver recursos na Faixa de Orinoco. Elas se retiraram do país após a nacionalização promovida por Chavez e apresentaram reivindicações de arbitragem contra Caracas.
A Conoco possui reivindicações pendentes de casos de arbitragem contra a Venezuela totalizando cerca de 10 bilhões de dólares, de acordo com Jayaram. Já as reivindicações da Exxon somam cerca de 2 bilhões de dólares.
A Conoco está “monitorando os desdobramentos na Venezuela e suas potenciais implicações para a oferta e estabilidade do mercado energético global,” disse o porta-voz Dennis Nuss em um comunicado no fim de semana. “Seria prematuro especular sobre quaisquer futuras atividades empresariais ou investimentos.”
A Exxon não respondeu aos pedidos de comentário.
Implicações para Infraestrutura e Produção
A reconstrução da infraestrutura petrolífera da Venezuela provavelmente custará bilhões. Investidores estão especulando que esse trabalho poderá impulsionar negócios para empresas de serviços de petróleo. As ações da Slb subiram mais de 10%, enquanto a Halliburton ganhou 9% e a Baker Hughes aumentou 4% nas negociações de segunda-feira.
O futuro da produção venezuelana dependerá de como a situação de segurança no terreno evolui, segundo Helima Croft, chefe de estratégia de commodities globais da RBC Capital Markets, em uma nota enviada aos clientes no sábado.
Executivos do setor de petróleo que atuam na Venezuela afirmam que seriam necessários 10 bilhões de dólares anualmente para reverter a produção, e um ambiente de segurança estável é essencial para aumentar a produção de volta aos níveis históricos, conforme Croft.
A produção da Venezuela poderia crescer em várias centenas de milhares de barris por dia nos próximos 12 meses, se a administração Trump oferecer a total liberação das sanções e houver uma transição ordenada de poder, afirmou ela.
“No entanto, todas as apostas estão revertidas em um cenário de mudança de poder caótica, como ocorreu na Líbia ou no Iraque,” alertou Croft em sua mensagem aos clientes.
Fonte: www.cnbc.com