A Rússia reage ao incipiente plano de paz da Ucrânia.

No cenário atual, a atenção está voltada para a resposta da Rússia a um plano de paz incipiente que visa encerrar a guerra na Ucrânia, após a cidade de Kyiv ter demonstrado disposição em avançar com um quadro apoiado pelos Estados Unidos.

O enviado especial norte-americano Steve Witkoff deverá viajar a Moscou na próxima semana para se reunir com o presidente russo Vladimir Putin.

O assessor de Putin, Yuri Ushakov, informou aos jornalistas, na quarta-feira, que “o conteúdo [do plano dos EUA] será discutido” na reunião e declarou que os oficiais russos não tinham discutido o plano apoiado pelos EUA durante os diálogos realizados com os representantes norte-americanos em Abu Dhabi na terça-feira.

Ushakov afirmou: “Nós, do lado russo, ainda não discutimos nenhum documento específico com ninguém. Concordamos com uma reunião com o Sr. Witkoff. Espero que ele não venha sozinho. Outros representantes da equipe dos EUA que trabalha no dossiê ucraniano estarão presentes”, disse, segundo tradução da NBC News e reportado pela agência de notícias estatal TASS.

O assessor anunciou que a Rússia ainda não recebeu oficialmente o rascunho do acordo apoiado pelos EUA, mas teve acesso a uma versão não oficial.

Referindo-se ao plano que examinaram, Ushakov indicou que o Kremlin via alguns aspectos do mesmo de forma positiva, enquanto “vários de seus pontos exigem análise séria”.

Adicionalmente, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, alertou na quarta-feira contra a precipitação em tirar conclusões sobre o término da guerra, a qual teve início com a invasão da Ucrânia por parte da Rússia em fevereiro de 2022.

Peskov disse aos repórteres: “Aguarde. É cedo demais para afirmar isso”, conforme reportado pela TASS, ao ser questioned sobre se este seria o maior avanço entre Rússia e Ucrânia rumo à conclusão de um acordo de paz.

A CNBC contatou o Kremlin em busca de mais comentários e aguarda uma resposta.

Ucrânia aceita, de forma cautelosa

Diversos veículos de comunicação relataram na terça-feira que uma delegação ucraniana que havia se encontrado com representantes dos EUA em Abu Dhabi parecia, de forma cuidadosa, apoiar a base de um plano de paz apoiado pelos EUA — embora os detalhes cruciais permanecessem sem resolução.

Reportagens da ABC News e da CBS News citaram um oficial norte-americano não identificado que afirmou que os ucranianos “concordaram” com o acordo, observando, porém, que alguns pontos ainda precisam ser esclarecidos. Não estava claro se o mesmo oficial dos EUA foi citado em ambas as notícias.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, declarou na terça-feira que Kyiv estava pronta para avançar com o quadro de paz, conforme reportado pela Reuters, que citou um trecho de um discurso proferido pelo presidente a uma coalizão de países aliados.

O ex-presidente Donald Trump mencionou na terça-feira, durante uma declaração na Casa Branca, que “acho que estamos muito próximos de um acordo. Acreditamos que estamos fazendo progresso”.

Em um post no Truth Social na tarde de terça-feira, Trump afirmou que “há apenas alguns pontos restantes de desacordo”.

Intensa troca de diálogos

O post de Trump ocorreu alguns dias após funcioná-rios dos EUA terem se reunido com uma delegação ucraniana em Genebra no último fim de semana para conversas que resultaram em revisões significativas ao plano de paz de 28 pontos, inicialmente proposto por Washington.

Esse plano, amplamente considerado altamente favorável à Rússia, a força invasora, “foi ajustado, com contribuições adicionais de ambos os lados”, reconheceu Trump em seu post na terça-feira.

Rustem Umerov, secretário de Segurança Nacional da Ucrânia, disse em um post no X que “nossas delegações alcançaram um entendimento comum sobre os termos principais do acordo discutido em Genebra”.

É incerto se a Rússia irá concordar com o novo plano de paz, que segundo informações foi reduzido para 19 pontos.

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que qualquer acordo deve refletir as compreensões alcançadas por Trump e Putin durante sua cúpula em agosto, realizada no Alasca.

Na terça-feira, representantes de Kyiv e Moscou se reuniram com Driscoll em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

O Kremlin manteve silêncio sobre as discussões que estavam ocorrendo ali, com Dmitry Peskov afirmando aos repórteres na terça-feira que “ainda não temos nada a declarar” e que o Kremlin estava “monitorando os relatos da mídia”.

Peskov acrescentou: “Entendemos que as negociações entre os americanos e os ucranianos estão em andamento. Sabemos que algumas adaptações estão sendo feitas ao texto que foi publicado; compreendemos que o texto que recebemos não oficialmente anteriormente já passou por mudanças, mas em algum momento, provavelmente, chegará o momento em que também iremos estabelecer contatos com os americanos e receberemos oficialmente algumas informações”, disse Peskov. “Por enquanto, não temos novas informações.”

O plano inicial de 28 pontos, do qual a Ucrânia não participou, incluía termos controversos, como a concessão de territórios pela Ucrânia, especificamente a entrega da região oriental de Donbas, que está parcialmente ocupada por forças russas.

O acordo original também exigia que a Ucrânia reduzisse sua força militar em 50%, além de outras propostas que infringiam as “linhas vermelhas” da Ucrânia.

Trump havia pressionado a Ucrânia para aceitar esse acordo até o feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA, em 27 de novembro, levando Zelenskyy a declarar na sexta-feira que a Ucrânia enfrentava a difícil escolha entre “perder sua dignidade ou perder um parceiro chave”, referindo-se aos EUA.

Esse prazo parece ter sido desconsiderado. Não estava claro quantos dos pontos do acordo original permaneceram na versão mais recente de um potencial acordo de paz.

Fonte: www.cnbc.com

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