Ações da Dasa e Mercado Financeiro
As ações da Dasa (DASA3) apresentaram volatilidade nesta sexta-feira, 2 de janeiro, durante o primeiro pregão do ano. Essa instabilidade está relacionada à venda de ativos da empresa.
Por volta das 13h, no horário de Brasília, as ações DASA3 marcavam uma queda de 1,32%, cotadas a R$ 4,53. Na primeira hora de negociação, os papéis chegaram a registrar uma alta de 5,07%, atingindo R$ 4,77, fora do Ibovespa (IBOV).
No último dia 31 de dezembro, a rede de diagnósticos anunciou a venda do Hospital São Domingos (HSD) localizado no Maranhão e da Neuro Imagens para a Mederi Participações. Além disso, o São Domingos Real Estate foi vendido para a Venire Participações, resultando em uma operação total estimada em R$ 1,2 bilhão.
Dessa quantia, R$ 1,1 bilhão foram pagos à vista, enquanto o valor restante será dividido em três parcelas até 2031, com a devida correção pelo CDI.
Avaliação da Transação pela Dasa
Os analistas Maria Resende, Samuel Alves e Marcel Zambello, da BTG Pactual, analisaram a transação e consideraram que a venda se alinha à estratégia da companhia, focada na redução dos riscos associados à reestruturação em curso. No entanto, destacam que o hospital foi vendido por um valor próximo à metade do que foi pago cinco anos atrás.
A equipe do banco salientou que a aquisição do HSD em 2021, por aproximadamente R$ 2,5 milhões, tinha como propósito fortalecer a presença da empresa no segmento hospitalar do Nordeste. Contudo, a joint venture com a Amil fez com que esse ativo deixasse de se alinhar à nova estratégia da Dasa.
“Recentemente, a Dasa estruturou uma joint venture hospitalar com a Amil, denominada Rede Américas, que explicitamente excluiu ativos localizados no Nordeste, indicando a intenção de desinvestir o Hospital São Domingos”, afirmaram os analistas.
Opiniões do Banco Safra
O banco Safra também comentou que a venda dos ativos está em consonância com o planejamento da Dasa, voltado à monetização contínua de ativos a fim de financiar a desalavancagem. Essa estratégia visa reduzir a complexidade operacional da empresa, permitindo que esta reoriente seu foco para a plataforma de diagnósticos.
Os analistas do Safra mencionaram que o valuation da transação “parece ter sido acretivo”. Em suas estimativas, a dívida líquida da Dasa deve reduzir em 29%, passando de R$ 6,657 bilhões para R$ 4,747 bilhões, apesar de ressaltarem que o impacto na alavancagem é incerto devido à falta de divulgação do Ebitda do HSD.
“Considerando os 380 leitos do HSD e utilizando a métrica de Ebitda por leito da Mater Dei como referência para estimar o Ebitda do hospital, a relação entre dívida líquida e Ebitda pós-transação deverá ser de 1,64x, em comparação com 2,38x atualmente”, relatam os analistas Ricardo Boiati, Thiago Marmo e Rafael Une, em um relatório divulgado recentemente.
Perspectivas para DASA3
A equipe do BTG Pactual mantém uma visão neutra em relação às ações DASA3, enfatizando que ainda existem riscos significativos relacionados ao processo de reestruturação em andamento.
Embora reconheçam avanços recentes, como o desinvestimento de ativos e a redução da alavancagem, os analistas afirmaram que os resultados mais recentes já demonstram uma melhora nas margens da empresa.
“A recuperação da companhia deverá depender cada vez mais da execução operacional orgânica. Nesse contexto, avaliamos positivamente os movimentos recentes, que reforçam o redirecionamento estratégico voltado para o negócio de diagnósticos e para a plataforma hospitalar, através da joint venture com a Amil”, acrescentaram.
O BTG Pactual definiu um preço-alvo de R$ 2,50 para DASA3 nos próximos 12 meses, o que implica uma potencial desvalorização de 44,93% em relação ao último fechamento (30 de dezembro).
O Safra também adota uma recomendação neutra, prevendo uma desvalorização de 65% das ações até dezembro, com um preço-alvo de R$ 1,60.
Fonte: www.moneytimes.com.br