Preço do arroz em baixo custo
Recentemente, o preço do arroz tem se mantido baixo, tanto para consumo das famílias quanto para as vendas de grandes empresas. Embora a redução do preço beneficie o consumidor, essa queda acentuada impacta negativamente os produtores, que estão lidando com margens de lucro até mesmo negativas.
Perspectivas para a safra
As previsões para este ano indicam que os agricultores deverão plantar uma quantidade menor de arroz, o que pode resultar em uma recuperação nos preços do produto. Nesse cenário, uma ação que pode se beneficiar é a da Camil (CAML3), de acordo com informações do BTG Pactual.
Com a eventual alta no preço do arroz, a Camil, uma processadora de alimentos, pode consolidar sua recuperação. O relatório do banco estima que as ações da empresa podem crescer até 80,83%.
Os papéis da Camil atingiram seu valor mais baixo em fevereiro do ano passado e, desde então, têm apresentado uma leve recuperação na bolsa. Atualmente, as ações estão em alta, demonstrando um aumento de 3,66% por volta das 14h18.
Setor de atuação da empresa
A Camil é uma companhia que atua principalmente no setor de processamento de alimentos, focando em produtos como arroz, biscoitos de arroz, feijão, ervilhas, grão-de-bico e lentilhas, além de pipoca, açúcar e frutos do mar, entre outros.
Além de operar no Brasil com diversas marcas, como Camil, Pescador, Coqueiro, União, Barra, Dolce, Namorado, Butuí, Bonzão, Neve e Ducula, a empresa também possui presença no Uruguai sob a marca Saman, no Chile com Tucapel, e no Peru com Costeño e Paisana.
Queda no preço do arroz
Os preços do arroz estão atualmente nos níveis mais baixos desde o início da pandemia, apresentando uma redução de 46% apenas em 2025. Embora seja desafiador prever se os preços já atingiram o piso, a tendência é que haja uma alta nos valores a partir deste ponto.
Segundo o BTG, “Identificar o fundo de qualquer ciclo de commodities é inherentemente difícil. No entanto, acreditamos que, mesmo que os preços não tenham definitivamente chegado ao fundo, a tendência futura deve ser de aumento”.
Para o agricultor, o preço atual é insustentável, com a saca sendo vendida a aproximadamente R$ 53, valor que está abaixo do custo estimado de produção de cerca de R$ 54 por saca no Rio Grande do Sul, estado que representa 70% da produção brasileira.
Em virtude disso, estima-se que os agricultores reduzirão em 5,6% a área plantada com arroz na próxima safra, prevendo uma queda de cerca de 10% na produção total.
Expectativas para os resultados da Camil
A Camil está programada para divulgar os resultados referentes ao terceiro trimestre do último ano no dia 14 de janeiro. O BTG Pactual acredita que haverá uma melhora em comparação com o que foi registrado no ano anterior, o que indicaria o segundo trimestre consecutivo de recuperação para a empresa.
No ano passado, a margem da companhia foi pressionada devido a uma significativa exportação de açúcar, que variou de 50 a 60 mil toneladas, algo que não deverá se repetir nesse período. Como resultado, espera-se que a empresa experimente um aumento nas margens, mesmo que as vendas sejam inferiores.
As receitas de operações no Brasil devem totalizar R$ 1,95 bilhão no trimestre, o que representa uma diminuição de 11% em relação ao ano anterior e uma queda de 5,5% quando comparado ao trimestre anterior. A expectativa é que as margens Ebitda cheguem a 8,4%, representando uma melhora de 4,3 pontos percentuais em comparação anual.
Projeções para as ações CAML3
Caso essa tendência de recuperação seja confirmada, as ações da Camil poderão se beneficiar. Para o BTG, a Camil apresenta um valuation atrativo, sendo negociada a 6 vezes o preço da ação em relação aos retornos.
A empresa também é caracterizada por sua alavancagem, possuindo uma relação de dívida para Ebitda de 3,1 vezes e pode aproveitar o início de um novo ciclo de cortes nas taxas de juros.
O banco recomenda a compra das ações e estabelece um preço-alvo de R$ 10, o que implicaria uma valorização de 80,83% em comparação ao valor atual de R$ 5,53.
Fonte: www.moneytimes.com.br