Ação se destaca no Ibovespa (IBOV) após ajuste de valores para leilão; é o momento de investir?

Eneva se destaca no Ibovespa

A Eneva (código de negociação ENEV3) é um dos destaques positivos do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira, 13 de outubro. Após uma queda expressiva no início da semana, onde as ações perderam muito valor devido ao sentimento negativo em relação ao setor elétrico, a empresa apresentou uma recuperação significativa.

As ações da companhia registraram a maior queda desde a pandemia na terça-feira, 10 de outubro, com uma desvalorização de 9,66%. Contudo, nesta sexta-feira, os papéis chegaram a subir mais de 8%, impulsionados pela decisão governamental de modificar os preços-teto anteriores e anunciar uma revisão para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) previsto para março do próximo ano.

Esses novos ajustes foram vistos pelos analistas como uma forma de retirar a empresa de um ambiente de incertezas e potencialmente abrir caminho para uma geração de valor bilionária. Por volta das 16h10 (horário de Brasília), as ações da Eneva estavam cotadas a R$ 21,40, marcando uma alta de 7,85% naquele momento. Até o momento, os papéis acumulam uma valorização superior a 6% no ano. Em contraste, o Ibovespa apresentava uma queda de 0,89%, situando-se em 186.102,31 pontos.

Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, destaca que a alta observada nesta data não reflete apenas a melhoria nas condições do leilão, mas também a possibilidade de lances que possam garantir retornos atraentes em diversos projetos que a empresa pretende inserir na competição.

Perspectivas de Valorização

O analista acrescenta que existe potencial para uma valorização adicional de pelo menos 15%, além de outros projetos relevantes que devem entrar em operação no próximo ano, como o projeto Azulão, que tem a capacidade de contribuir significativamente para o fluxo de caixa da companhia.

Alterações nos Preços-teto

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualizou os preços-teto do leilão de reserva, aumentando o valor para usinas termoelétricas novas de R$ 1,6 milhões por megawatt (MW) ao ano para R$ 2,9 milhões por MW ao ano. As térmicas já existentes passaram de R$ 1,12 milhões por MW ao ano para R$ 2,25 milhões por MW ao ano. O preço máximo para hidrelétricas foi mantido em R$ 1,4 milhão por megawatt-ano.

Segue abaixo a tabela com os novos preços-teto do leilão de reserva de capacidade:

Primeiro edital de 2026 Valor novo (R$) Valor antigo (R$)
Produto Potência Termelétrica 2026 2.250.000 1.120.000
Produto Potência Termelétrica 2027 2.250.000 1.120.000
Produto Potência Termelétrica 2028 – novos 2.900.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2028 – existentes 2.250.000 1.120.000
Produto Potência Termelétrica 2029 – novos 2.900.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2029 – existentes 2.250.000 1.120.000
Produto Potência Hidrelétrica 2030 1.400.000 1.400.000
Produto Potência Termelétrica 2030 – novos 2.900.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2030 – existentes 2.250.000 1.120.000
Produto Potência Hidrelétrica 2031 1.400.000 1.400.000
Produto Potência Termelétrica 2031 – novos 2.900.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2031 – existentes 2.250.000 1.120.000
Fonte: MME e Aneel

O primeiro leilão está agendado para ocorrer em 18 de março de 2024, onde serão contratadas usinas termelétricas a gás natural, além de termelétricas a carvão mineral e empreendimentos hidrelétricos. Em 20 de março, haverá outra sessão, voltada à contratação de termelétricas existentes, que utilizam óleo combustível, óleo diesel e biodiesel. Os preços-teto variam conforme o tipo de contratação.

Segundo edital de 2026 Valor novo Valor antigo
Produto Potência Termelétrica 2026 920.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2027 920.000 1.600.000
Produto Potência Termelétrica 2030 990.000 1.750.000
Fonte: MME e Aneel

Recentemente, o Ministério de Minas e Energia (MME) explicou que as atualizações nos valores consideram de maneira mais precisa os investimentos necessários para que as usinas possam operar dentro dos prazos contratuais, evitando, assim, riscos operacionais e jurídicos que poderiam resultar em custos adicionais futuros ao sistema.

Oposição aos Novos Parâmetros

A Eneva avaliou a revisão como positiva, afirmando que os novos parâmetros agora se encontram “alinhados aos indicadores econômicos do setor de energia”. Segundo a empresa, essa atualização possibilitará que o leilão cumpra efetivamente seu papel de garantir a segurança no suprimento elétrico em todo o país, além de aumentar a competitividade, o que deve beneficiar a sociedade e o sistema de forma ampla.

A companhia, que considera o leilão como sua principal estratégia de valorização para 2026, reiterou seu comprometimento com soluções que promovem eficiência e segurança.

Reação do Mercado

O mercado financeiro reagiu de forma positiva aos novos preços-teto do leilão, destacando que a intervenção do governo evitou a desvalorização do certame. O Citi classificou a amplitude do ajuste como uma “surpresa agradabilíssima”. De acordo com o analista João Pimentel, embora os investidores esperassem alguma melhora, poucos antecipavam um aumento de tal magnitude.

Os analistas afirmam que, com as novas disposições, a Eneva deve ser capaz de recontratar seus projetos existentes — incluindo Itaqui, Pecém II, P1 e P3 — além de contratar a Celse II a um preço uniforme de R$ 2,19 milhões por megawatt ao ano. O banco norte-americano mantém sua recomendação de compra para as ações da ENEV3, com o preço-alvo estabelecido em R$ 25,00.

O grupo de utilities do Itaú BBA também reconheceu que os novos tetos permitirão à Eneva não apenas renovar seus ativos atuais, mas também desenvolver uma pipeline de projetos novos (greenfield), com uma geração de valor presente líquido (NPV, em inglês) robusta. O Itaú BBA reforça a posição da Eneva como sua principal aposta para 2026 no setor, com preço-alvo de R$ 23,80.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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