Desempenho das Ações da Braskem
As ações da Braskem (BRKM5) apresentaram valorização no Ibovespa (IBOV) durante o pregão do dia 15 de outubro, após a IG4 firmar um acordo para assumir a participação da Novonor na empresa petroquímica.
Aguardando a Transação
O mercado esperava um desfecho para a fatia que era detida pela ex-Odebrecht há bastante tempo, e o nome da IG4 já estava sendo monitorado. De acordo com a análise da XP Investimentos, a transação é considerada favorável e, caso seja confirmada, resultará efetivamente em uma mudança de controle na Braskem.
A IG4 representa os bancos credores da companhia, que incluem Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil (BB) e BNDES, instituições que têm ações da Braskem como garantia de empréstimos concedidos à petroquímica.
Detalhes do Acordo
Conforme informações divulgadas nesta data, a Novonor se comprometeu a transferir sua participação na Braskem para um fundo gerido pela IG4. Com isso, a IG4 passará a controlar 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da companha petroquímica.
Atualmente, a Novonor detém 50,1% das ações com direito a voto e 38,3% do total de ações da Braskem, enquanto a Petrobras possui 47% das ações votantes e 36,1% dos papéis em circulação.
Movimentação das Ações
Às 11h05 (horário de Brasília), as ações da Braskem (BRKM5) apresentavam uma valorização de 4,53%, sendo cotadas a R$ 8,30. Anteriormente, os papéis chegaram a registrar um aumento de 6% durante o dia.
Próximos Passos
Após a conclusão da operação, a Novonor ficará com uma participação de 4% na Braskem. A IG4 também informou em comunicado que a operação envolve dívidas na ordem de R$ 20 bilhões e não resultará em mudanças operacionais imediatas na Braskem.
A Petrobras é parte de um acordo de acionistas com a Novonor, o qual lhe confere o direito de preferência, embora a XP não estime que a companhia venha a exercer esse direito.
Analistas da XP acreditam que a conclusão deste negócio possa desencadear uma série de ações subsequentes, incluindo uma possível conversão de ações preferenciais em ordinárias, além de uma eventual injeção de capital para amenizar preocupações em relação à liquidez da empresa.
Vale ressaltar que o acordo ainda está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Contexto da Crise da Braskem
A crise enfrentada pela Braskem é complexa, marcada por um elevado nível de endividamento, que se estima em aproximadamente US$ 8,5 bilhões até o ano de 2025. Entre os fatores contribuintes, destacam-se a tragédia ambiental ocorrida em Maceió, a baixa demanda no setor petroquímico e um cenário macroeconômico desafiador, caracterizado por altas taxas de juros e flutuações na cotação do dólar. Essa combinação resultou em uma queda significativa nos preços de suas ações e títulos, além de um aumento no risco de recuperação judicial, impactando negativamente o mercado de crédito corporativo.
A situação atual da petroquímica é o resultado de quase nove anos de problemas interligados, que incluem questões operacionais, financeiras e ambientais. O início dos problemas pode ser associado ao afundamento do solo em Maceió, que gerou um passivo ambiental de bilhões de reais e demandou um acordo complexo com as autoridades e a comunidade local.
Os títulos da empresa foram severamente afetados na bolsa de valores, diante de um crescente ceticismo por parte dos investidores, enquanto a possibilidade de recuperação judicial permanece no radar. Somente neste ano, as ações da Braskem acumulam uma desvalorização superior a 33%.
*Com informações da Reuters
Fonte: www.moneytimes.com.br