Ações desvalorizam após venda da Votorantim; descubra a estratégia das empresas e as opiniões dos analistas.

Desempenho das ações da Companhia Brasileira de Alumínio

As ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3), referida apenas como CBA, iniciaram o pregão desta sexta-feira, 30 de junho, apresentando uma tendência de queda. Essa movimentação ocorre após a comunicação de um acordo entre a empresa chinesa de alumínio Chinalco e a mineradora australiana Rio Tinto, para a aquisição da participação da Votorantim na CBA, cujo valor totaliza R$ 4,7 bilhões.

Acordo de aquisição

O acordo contempla a compra de 68,6% das ações da CBA que estão sob a posse da Votorantim e estabelece a formação de uma joint-venture no Brasil, que assumirá as ações. Essa joint-venture será majoritariamente controlada por uma subsidiária da Chinalco, que detém uma participação de 67%, enquanto a Rio Tinto detém o restante.

A transação inclui a previsão de uma oferta pública de aquisição (OPA) para as demais ações da CBA que se encontram no mercado, a ser organizada pela joint-venture. O valor de referência para a operação foi estipulado em R$ 10,50 por ação da CBA. No fechamento do pregão anterior, as ações estavam cotadas a R$ 10,35.

Por volta das 11h50 (horário de Brasília), as ações chegaram a registrar uma queda de 2%, mas apresentavam uma desvalorização de 0,97%, cotadas a R$ 10,25.

Desempenho acumulado e percepção do mercado

Até o fechamento do dia 29 de janeiro, as ações da CBA vinham demonstrando um desempenho positivo na Bolsa, com uma valorização acumulada de 47%. No entanto, o banco UBS BB ressalta que o preço de R$ 10,50 por ação implica um prêmio de apenas 1,5% em comparação com o fechamento anterior ao anúncio da operação. O banco observa que as ações têm se comportado com um prêmio atribuído a fusões e aquisições, especialmente após uma valorização de 100% ao longo do último ano.

Conforme estimativas do UBS BB, a avaliação total da empresa (EV) gira em torno de R$ 10 bilhões (equivalente a aproximadamente US$ 1,95 bilhão), levando em consideração uma dívida líquida de R$ 3,3 bilhões reportada no terceiro trimestre de 2025.

O banco projeta que, com o preço spot do alumínio estipulado em US$ 3.200 por tonelada, a CBA poderia gerar em torno de R$ 2 bilhões em Ebitda no ano de 2026. Essa avaliação da transação está em torno de cinco vezes o valor total da empresa em relação ao Ebitda, um parâmetro que o UBS BB considera justo.

A governança corporativa da CBA assegura direitos de acompanhamento aos acionistas minoritários. Dessa forma, espera-se que as ações da empresa sejam retiradas da bolsa brasileira em um intervalo breve, inferior a cinco anos após a sua oferta pública inicial (IPO). A recomendação do UBS BB em relação à CBA é classificada como neutra.

Histórico da Companhia Brasileira de Alumínio

A CBA foi fundada em 1941 e opera atualmente três minas de bauxita, que é a matéria-prima utilizada na produção do alumínio, com uma capacidade de produção anual aproximada de 2 milhões de toneladas. Além disso, a empresa possui a capacidade de produção de alumina de cerca de 800 mil toneladas por ano e tem controle ou participação em 21 hidrelétricas e quatro usinas eólicas, totalizando uma capacidade instalada de 1,6 gigawatts.

Aspectos financeiros da aquisição

Aos compradores, será concedida cerca de 447 milhões de ações a um preço-base de R$ 10,50 por ação, o que representa uma receita total aproximada de R$ 4,69 bilhões. Essa quantia está sujeita a ajustes conforme os seguintes critérios:

  • Correção do preço-base pelo CDI, considerando o período entre a data da assinatura e o fechamento do negócio;
  • Redução do preço-base em decorrência de quaisquer declarações ou pagamentos de dividendos, juros sobre o patrimônio líquido, outras distribuições de lucros ou ativos, ou recompras e resgates de ações realizados entre 30 de junho de 2025 e o dia imediatamente anterior ao fechamento da transação.

Conforme as companhias mencionadas, a expectativa é de que a joint-venture realize uma oferta pública de aquisição para a retirada do registro da CBA na bolsa de valores, porém esta estratégia poderá passar por revisão após a finalização da aquisição das participações majoritárias.

A transação está condicionada às aprovações necessárias do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da Agência Nacional de Energia Elétrica e da Câmara Brasileira de Comercialização de Energia Elétrica.

De acordo com os analistas do Santander, a notícia é vista como neutra em relação ao preço das ações, mas destaca-se o potencial de investimento no projeto de bauxita denominado Rondon.

Projeto de bauxita Rondon

Conforme documentações referentes ao IPO da CBA, realizado em 2021, o projeto Rondon deve ter uma capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas por ano, com exigência de um investimento total de US$ 2 bilhões, além de potencial para expansão. Este projeto greenfield está situado no estado do Pará e sua localização estratégica aumenta seu atrativo, devido à proximidade com a ferrovia Carajás, que se encontra a 130 km da Estrada de Ferro Carajás.

A classificação do Santander para a CBA é de outperform, equivalente à recomendação de compra.

Avaliação estratégica da transação

Na perspectiva da XP Investimentos, em termos estratégicos, a transação se alinha ao objetivo abrangente da China de assegurar acesso de longo prazo à bauxita.

Dado que a Austrália e a Guiné continuam sendo os principais centros globais de fornecimento de bauxita, essa aquisição propicia à China a diversificação das fontes de suprimento e o fortalecimento do controle no segmento upstream dentro do ecossistema global do produto.

Os analistas também ressaltam a diminuição gradual da exposição do grupo a commodities cíclicas, enquanto o capital é realocado para setores de infraestrutura e utilidades, especialmente por meio das empresas Motiva e Auren.

Portanto, a venda da participação majoritária na CBA se insere em uma mudança estratégica mais ampla, visando negócios que apresentem maior estabilidade e retorno regulado.

*Com informações da Reuters

Fonte: www.moneytimes.com.br

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