Ações do gigante de gases industriais despencam após a previsão — por que mantemos a classificação 1.

Resultados do Quarto Trimestre da Linde

A gigante do setor de gases industriais, Linde, apresentou resultados do quarto trimestre que superaram as expectativas do mercado na última quinta-feira. No entanto, a orientação mais conservadora para o ano está impactando negativamente suas ações. Acreditamos que essa perspectiva é cautelosa, com potencial para ser superada e revista.

Desempenho Financeiro

As receitas do quarto trimestre, que encerrou em 31 de dezembro, aumentaram aproximadamente 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 8,76 bilhões. Este valor superou a estimativa de consenso, que era de US$ 8,64 bilhões, conforme compilado pela LSEG. Os lucros ajustados por ação aumentaram quase 5% ano a ano, atingindo US$ 4,20, superando a estimativa de consenso em dois centavos, segundo dados da LSEG.

O resultado financeiro deste trimestre foi característico da Linde: as vendas cresceram ligeiramente, sem um aumento notável na atividade de volume base, principalmente devido ao aumento de preços. A ênfase do gerenciamento em produtividade e ações de redução de custos ajudou a manter uma forte rentabilidade. Um aumento na taxa de crescimento do volume representaria um significativo potencial de crescimento nos lucros, uma vez que uma leve alta no volume poderia resultar em alavancagem de vendas e um impacto maior nos lucros. Contudo, mesmo que o volume permaneça estagnado por mais um ano, a Linde ainda poderá alcançar suas previsões.

Backlog Recorde

Um fator que suporta seu crescimento é o backlog, que terminou o ano em um recorde de US$ 10 bilhões. Esse número não inclui os mais de US$ 500 milhões em investimentos em propulsores para foguetes destinados a clientes do setor espacial. A Linde é conhecida como a Exxon Mobil da indústria espacial, sendo o principal fornecedor de oxigênio líquido e nitrogênio utilizados em lançamentos de foguetes.

Com a expectativa de que a SpaceX se torne pública ainda este ano, com uma valorização que pode ultrapassar US$ 1 trilhão, a indústria espacial pode atrair consideravelmente mais atenção.

Projetos em Andamento

Outro ponto a ser destacado é que a Linde está atualmente participando de uma licitação para um novo projeto de fabricação de semicondutores, que acreditamos ser com a Taiwan Semi. Esperamos ouvir novidades positivas a esse respeito nos próximos meses.

Movimento das Ações

As ações da Linde apresentaram um movimento inusitado de outubro até o início de dezembro, caindo mais de 15% à medida que investidores vendiam ações que não estavam inseridas no tema da inteligência artificial. Também houve preocupação quanto à capacidade da Linde de manter seu crescimento anual de 10% nos lucros por ação. Durante esse período de queda, a Linde intensificou suas recompra de ações, gastando US$ 1,4 bilhão em recompra líquida no trimestre, totalizando US$ 4,6 bilhões no ano.

Além de gerenciar a situação do mercado, a empresa também tomou medidas para tranquilizar os investidores sobre sua narrativa de crescimento sustentável a longo prazo. Em um sinal de que a venda de ações havia se tornado exagerada, o CEO Sanjiv Lamba adquiriu US$ 1 milhão em ações em 8 de dezembro, a um preço de US$ 396. Essa aquisição, juntamente com sua aparição no programa "Mad Money", deu confiança para que reatualizássemos nossa classificação para 1 poucos dias depois, a cerca de US$ 423. Desde esse chamado, as ações da Linde subiram 10%.

Expectativas para o Futuro

Estamos apenas no início do novo ano, mas observamos que as ações da Linde estão se beneficiando à medida que investidores retornam a setores industriais que não estão diretamente relacionados à inteligência artificial, bem como a empresas que apresentam modelos de negócios confiáveis. Não sabemos por quanto tempo essa mudança de mercado irá persistir, mas nosso investimento na Linde é baseado em fundamentos sólidos, e não apenas em modismos de mercado. Reiteramos nossa avaliação de 1 e estamos aumentando nossa projeção de preço de US$ 500 para US$ 510.

Crescimento em Diversos Mercados

Todas as principais áreas de mercado da Linde apresentaram crescimento nas vendas ano a ano. O segmento mais forte foi o de eletrônicos, com um aumento de 7% em relação ao ano anterior e 5% em comparação ao trimestre anterior. O setor de alimentos e bebidas teve um crescimento de vendas de 5% ano a ano, embora tenha registrado uma queda de 3% em relação ao trimestre anterior.

O setor de produtos químicos e energia viu um aumento de 2% tanto em relação ao ano quanto ao trimestre. As vendas de fabricação cresceram 2% ano a ano, mantendo-se estáveis em relação ao trimestre anterior. Por fim, a receita do setor de saúde aumentou 1% em relação ao ano anterior, enquanto a receita de metais e mineração também aumentou 1% ano a ano, mas caiu 2% em relação ao trimestre.

As vendas do segmento das Américas cresceram 8% ano a ano, impulsionadas por um benefício de 1% devido ao aumento de volumes, 3% associados a mudanças de preços, 2% em decorrência de repasses de custos e pequenos benefícios provenientes de variações cambiais e aquisições. Os mercados finais com crescimento de volume foram eletrônicos e metais e mineração.

As vendas na região da Ásia-Pacífico (APAC) aumentaram 3% ano a ano, impulsionadas por um aumento de 2% em volumes nos setores de eletrônicos e produtos químicos e energia. Na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), as vendas cresceram 6%, mas isso foi em grande parte devido a um impacto cambial positivo de 8% e um benefício de 1% relacionado a preços e misturas. Os volumes caíram 3%, principalmente devido à fraqueza nos setores de fabricação e produtos químicos e energia.

As vendas do segmento de engenharia, que a Linde reporta como um segmento operacional ao lado dos resultados regionais, caíram 2% ano a ano. Margens estáveis em relação ao ano anterior resultaram em uma pequena queda no lucro operacional.

Orientações Futuras

Para 2026, a Linde projeta que os lucros ajustados por ação cresçam de 6% a 9% ano a ano, alcançando uma faixa entre US$ 17,40 e US$ 17,90. O ponto médio de US$ 17,65 está ligeiramente abaixo da estimativa de consenso de US$ 17,86. No entanto, consideramos essa estimativa conservadora, uma vez que o ponto médio assume a ausência de melhorias econômicas e nenhum crescimento de volume base. A empresa também tem um forte histórico de superação dessas expectativas.

Para o primeiro trimestre, a Linde prevê que os lucros ajustados por ação fiquem entre US$ 4,20 e US$ 4,30, alinhando-se com a estimativa de consenso de US$ 4,26.

Fonte: www.cnbc.com

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