Ações, FIIs ou renda fixa: qual a melhor opção para sua aposentadoria iniciando aos 35, 40 e 50 anos?

Ações, FIIs ou renda fixa: qual a melhor opção para sua aposentadoria iniciando aos 35, 40 e 50 anos?

by Editoria Bolsa e Mercado
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Aposentadoria e a Dependência do INSS

É fundamental considerar que depender unicamente da previdência pública para a aposentadoria não deve ser a única alternativa para garantir sustento na velhice. De acordo com a pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro”, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), aproximadamente 60% dos brasileiros têm a expectativa de viver unicamente da renda do INSS quando se aposentarem.

No entanto, especialistas alertam que o sistema não será suficiente para sustentar toda a população no futuro. Vários fatores, como o envelhecimento da população, a diminuição da natalidade e o aumento da expectativa de vida, podem trazer novos desafios para a Previdência Social.

Considerando estas preocupações, os brasileiros são encorajados a buscar alternativas para assegurar seu bem-estar financeiro no futuro. Nesse contexto, os investimentos podem trazer boas opções. O Bora Investir consultou especialistas sobre as melhores estratégias para investir em renda fixa e renda variável com foco na aposentadoria e detalha essas orientações a seguir.

O Tempo como Aliado

A famosa frase “quanto mais cedo você começa, melhor” tem uma justificativa sólida: os juros compostos podem potencializar os ganhos futuros, funcionando como uma bola de neve. Segundo Egbert Chaves, analista de fundos imobiliários da Dica de Hoje Research, esse efeito pode levar tempo para se materializar. “O efeito exponencial é assim. Ele avança lentamente e, após alguns anos, cresce de forma significativa”, explica.

Fábio Sobreira, sócio e analista da Rocha Opções de Investimentos, afirma que o tempo atua como um exponente, não apenas como um multiplicador. Ou seja, enquanto o tempo não muda a taxa anual que um investimento oferece, ele altera a magnitude do impacto dessa taxa sobre o patrimônio acumulado.

Conforme os especialistas, o principal benefício de começar a investir cedo é a possibilidade de realizar mais aportes, reinvestir e atravessar diferentes ciclos de mercado. Segundo Leonardo Barbosa Frisoni, CEO da Convexa Investimentos, “quem reinveste os rendimentos começa a ganhar juros também sobre os juros já acumulados e esse efeito se intensifica com o passar dos anos”.

A pedido do Bora Investir, os especialistas criaram simulações com carteiras hipotéticas para quem inicia os investimentos aos 35, 40 e 50 anos e deseja se aposentar aos 70. Cada simulação é baseada em premissas e metas específicas, portanto, os aportes não devem ser comparados entre as classes de ativos.

É importante ressaltar que as simulações possuem caráter educacional e não devem ser vistas como recomendações de investimento.

Leonardo Frisoni, da Convexa, apresenta o impacto dos juros compostos para quem deseja se aposentar aos 70 anos com um montante de R$ 1 milhão acumulado, considerando um juro real de 4,5%. Apesar da taxa ser a mesma em todos os cenários, o tempo desempenha um papel crucial. Aqueles que começam aos 35 anos permitiriam que os juros trabalhassem em sua favor por mais tempo. “Já quem inicia aos 50 anos precisa aportar mais que o dobro mensalmente e depende muito mais da própria renda”, complementa Frisoni.

Quanto Investir para Alcançar R$ 1 Milhão aos 70 Anos

Começa aosAporte mensalTotal aportadoParcela vinda dos juros% dos juros
35 anosR$ 1.000R$ 420.000R$ 580.00058%
40 anosR$ 1.340R$ 480.000R$ 520.00052%
50 anosR$ 2.600R$ 625.000R$ 375.00038%

Os tipos de títulos escolhidos na renda fixa também variam conforme o prazo de investimento. Para períodos de 20, 30 ou 35 anos, Frisoni recomenda priorizar títulos atrelados ao IPCA. Ele justifica essa escolha separando o valor do juro nominal do real.

Segundo Frisoni, a taxa nominal apresentada no extrato não reflete o ganho real, que mostra quanto o dinheiro cresceu efetivamente acima da inflação. “Um título prefixado com taxa de 12% ao ano parece excelente quando a inflação está em 5%, resultando em um ganho real próximo a 6,7%. No entanto, se a inflação aumentar para 9%, a mesma taxa de 12% resulta em um ganho real de menos de 3%”, exemplifica.

Para o especialista da Convexa, o que deve ser considerado na aposentadoria é o que o dinheiro irá adquirir no futuro. “O título IPCA+ aborda essa questão, pois paga a inflação do período mais uma taxa fixa estabelecida na compra. Aqueles que mantêm o título até o vencimento conhecem a taxa real acordada desde a aquisição, independentemente da inflação que ocorrer ao longo do tempo”, destaca Frisoni.

Carteira Hipotética na Renda Fixa para Aposentadoria

35 anos40 anos50 anos
Aporte mensal estimadoR$ 1.000R$ 1.340R$ 2.600
Tesouro IPCA+ / RendA+70%65%50%
Crédito privado IPCA+ (opcional)10%10%10%
Prefixado10%10%10%
Pós-fixado (Tesouro Selic, CDB, LCI/LCA)10%15%30%

Na simulação, Frisoni prioriza ativos como o Tesouro IPCA+ ou o Tesouro RendA+, que proporcionam os benefícios dos juros reais com um baixo risco de crédito, pois se tratam de títulos públicos. O especialista explica que o Tesouro RendA+ foi desenvolvido especificamente para investidores que almejam aposentadoria, pois o investidor acumula recursos durante o período de aportes e, a partir da conversão, passa a receber 240 parcelas mensais corrigidas pela inflação, correspondendo a 20 anos de renda.

Frisoni aconselha a escolher um vencimento que se aproxime dos 70 anos. Para isso, sugere os seguintes títulos: RendA+ 2060 para quem possui 35 anos, 2055 para quem tem 40 anos e 2045 para quem tem 50 anos.

No que se refere ao Tesouro IPCA+, a recomendação é optar por ativos que não pagam juros semestrais, para complementar a renda na data de vencimento. “Para aqueles que iniciam aos 50 anos, é preferível optar por títulos com vencimentos mais curtos, pois tendem a apresentar menor oscilação de preço”, aconselha.

Para diversificar a carteira de renda fixa, o especialista também recomenda a inclusão de outras classes de ativos, como crédito privado, especialmente debêntures incentivadas, que financiam projetos de infraestrutura e são isentas de imposto de renda. “Esses ativos têm o potencial de aumentar o retorno líquido da carteira, mas também envolvem riscos que os títulos públicos não apresentam, como o risco de crédito da empresa que emite o título e menor liquidez no mercado secundário”, alerta Frisoni.

Com relação aos ativos prefixados, o CEO da Convexa sugere manter uma parcela de 10% da carteira, pois, no longo prazo, o risco da inflação surpreender pode afetar esses títulos. Já os investimentos pós-fixados, que seguem o desempenho da Selic ou CDI, têm a função de proporcionar liquidez e estabilidade à carteira. “É o único tipo de ativo que aumenta sua participação na carteira ao longo dos anos, possuindo pouco peso aos 35 anos, mas crescendo consideravelmente aos 50, quando a aposentadoria se aproxima”, afirma.

Frisoni enfatiza que uma carteira de renda fixa voltada para a aposentadoria não deve permanecer com os mesmos ativos ao longo do tempo. Seria ideal que, conforme a data de aposentadoria se aproxima, o investidor reduza os títulos com vencimentos mais longos e aumente a proporção de títulos com maior liquidez. Se a aposentadoria ainda estiver distante, o especialista sugere assegurar bons juros reais.

Investimentos em Ações

Fábio Sobreira, da Rocha Opções de Investimentos, destaca que as ações que pagam dividendos são uma excelente alternativa para aqueles que buscam se aposentar. Ele recomenda que os investidores escolham ações de empresas consolidadas e maduras presentes em setores essenciais da economia, como energia elétrica, transmissão de energia, saneamento, seguros, bancos e telecomunicações. Segundo ele, essas empresas tendem a gerar lucros estáveis e distribuir dividendos recorrentes que superam a inflação.

Baseado nessas premissas, Sobreira organizou uma carteira hipotética com o objetivo de garantir que o investidor receba R$ 5 mil em dividendos por mês aos 70 anos. Para isso, o patrimônio acumulado precisaria ser de R$ 513.589, considerando a composição de uma carteira com 8 empresas consolidadas, de baixa alavancagem e forte geração de caixa livre, priorizando setores essenciais da economia e com presença em exportação ou em dólar.

A alocação da carteira foi feita de forma igual para as ações, com 12,5% do total destinado a cada ação. Nos últimos cinco anos, a média do dividend yield (retorno em dividendos) dessas ações foi de 11,68%.

SetorAçãoDY 12 mesesDY médio 5 anos
PetróleoPetrobras (PETR4)7,43%28,02%
Energia elétricaCemig (CMIG4)12,46%12,31%
MineraçãoVale (VALE3)8,06%11,12%
Transmissão de energiaTaesa (TAEE11)7,48%10,48%
Energia elétricaCPFL (CPFE3)8,50%9,00%
Bancos / holdingItaúsa (ITSA4)8,08%8,04%
SegurosBB Seguridade (BBSE3)11,81%7,95%
TelecomunicaçõesTIM (TIMS3)7,97%6,54%
Média8,97%11,68%
Média 5 anos sem Petrobras9,35%

Sobreira também enfatiza a importância do fator tempo nas contribuições. Para um investidor que começou aos 35 anos, a necessidade de aporte mensal foi de apenas R$ 101,50. Ao longo de 35 anos, esse investidor despendia do próprio bolso um total de R$ 42.629, o que representa 8,3% do patrimônio final. Os 91,7% restantes foram gerados unicamente pelo reinvestimento dos dividendos.

Por outro lado, um investidor que começou aos 50 anos precisou aumentar seu aporte mensal para R$ 585,50 (quase seis vezes mais do que quem começou aos 35), totalizando R$ 140.520 do próprio bolso, o que implica 27,4% do patrimônio.

Começa aosAporte mensalTotal aportado% aportadoParcela vinda dos dividendos% dividendos
35 anosR$ 101,50R$ 42.6298,3%R$ 470.95991,7%
40 anosR$ 179,18R$ 64.50512,6%R$ 449.08487,4%
50 anosR$ 585,50R$ 140.52027,4%R$ 373.06972,6%

Para Sobreira, a mensagem é clara: “Começar cedo é muito mais barato do que tentar recuperar o tempo perdido mais tarde”.

Fundos Imobiliários como Alternativa

Jonata Tribioli, especialista em operações imobiliárias e diretor da IBR Capital, enfatiza que, dentro dos fundos imobiliários, existem segmentos resilientes para aqueles que buscam uma aposentadoria tranquila. Ele ressalta que o investidor deve ir além da análise dos fundos que apresentam um alto dividend yield atualmente e focar na diversificação das fontes de renda, ativos e dos riscos envolvidos.

Para isso, ele recomenda uma preferência por fundos imobiliários (FIIs) do setor logístico, que oferecem exposição a galpões e centros de distribuição. Além disso, sugere FIIs de renda urbana, que diversificam a origem dos aluguéis através de imóveis voltados para o varejo, educação e serviços.

Adicionalmente, Tribioli indica a inclusão de fundos de papel, tais como recebíveis atrelados ao CDI, para aumentar a exposição ao crédito imobiliário pós-fixado. Ele também recomenda consideráveis investimentos em recebíveis indexados ao IPCA, que garantem proteção contra a inflação e oferecem diversificação aos indexadores da carteira.

Carteira Hipotética do Especialista

SegmentoPesoDY 12 mesesO que observar
Logística30%9,16%Localização, ocupação, locatários e contratos
Renda urbana25%11,36%Qualidade e concentração dos locatários
Shopping centers15%10,67%Vendas dos lojistas e inadimplência
Escritórios10%10,54%Vacância e carências concedidas
Recebíveis CDI10%12,79%Devedor, garantias e concentração
Recebíveis IPCA10%12,79%Devedor, garantias e prazos
DY ponderado100%10,80%

Tribioli estabelece uma meta ilustrativa para o investidor acumular R$ 1,2 milhão até os 70 anos. Para isso, considerando um patrimônio inicial de zero e aportes mensais ao final de cada mês, com reinvestimento integral dos dividendos recebidos, ele apresenta os seguintes resultados:

Começa aosAporte mensal (meta de R$ 1,2 milhão)
35 anosR$ 292
40 anosR$ 498
50 anosR$ 1.520

O investidor que começa aos 35 anos precisaria aportar mensalmente R$ 292 ao longo de 35 anos para alcançar a meta. Para quem começa aos 40 anos, o valor do aporte sobe para R$ 498, e para aqueles que começam aos 50 anos, o aporte é significativamente maior, atingindo R$ 1.520. “É nesse ponto que o impacto do tempo e do reinvestimento se torna claro no processo de acumulação”, ressalta Tribioli.

Egbert Chaves, da Dica de Hoje Research, acredita que a estabilidade nos dividendos dos FIIs é crucial para garantir a aposentadoria dos investidores nos segmentos de shoppings, logística, renda urbana e recebíveis, embora os últimos apresentem maior volatilidade. Ele alerta que muitos investidores cometem o erro de selecionar fundos imobiliários com base nas listas dos que mais pagam proventos. “Frequentemente, a cota cai antes que os rendimentos sejam pagos, resultando em um dividend yield maior, o que é apenas uma ilusão”, conclui Chaves.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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