Bolsa pode valorizar com ajuste fiscal em 2027, mas eleição deve trazer volatilidade, diz Ágora
Contexto
Com a aproximação do primeiro turno das eleições de 2026, diversas instituições do mercado financeiro têm divulgado suas carteiras de ações para o período. Esse movimento inclui tanto casas de análise que buscam identificar empresas que podem se beneficiar em diferentes cenários políticos, quanto aquelas que estabelecem posições específicas em função de possíveis resultados eleitorais.
Análise da Kinea Investimentos
A Kinea Investimentos, por exemplo, adotou uma abordagem que considera empresas que possam se beneficiar tanto em um cenário de melhora fiscal quanto em um contexto de manutenção da pressão sobre as contas públicas. A seguir, detalhamos as recomendações de cada uma das instituições analisadas.
Carteiras de ações
Ágora e Bradesco BBI
A primeira carteira, denominada Incumbente, consiste em ações que, historicamente, se destacaram quando aumentou a expectativa de continuidade do governo estabelecido. Essa carteira é composta principalmente por seguradoras, empresas de serviços públicos, shoppings e companhias que estão listadas em mercados internacionais.
Em contrapartida, a segunda carteira, conhecida como Desafiante, inclui ações que passaram a se valorizar quando a expectativa de mudança de governo cresceu. Esta seleção apresenta ativos que estão mais ligados ao mercado de capitais, além de ações de empresas estatais e papéis que são sensíveis às taxas de juros, com as chamadas small caps tendo um potencial mais elevado.
A terceira carteira, chamada Resiliente, é formada por empresas sólidas que tendem a se adaptar bem no longo prazo, independentemente do cenário macroeconômico do país. Esta combinação inclui ações de companhias dos setores de telefonia, energia, saneamento, tecnologia bancária e varejo farmacêutico.
Citi
Em um cenário onde Lula venha a ser reeleito, a análise realizada pelo Citi indica uma preferência por ações com características all-weather. Essas empresas apresentam capacidade de manter um bom desempenho em diferentes condições de mercado. Além disso, há uma inclinação para selecionar empresas que estejam vinculadas a programas públicos, como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Caso a vitória ocorra nas mãos de Flávio Bolsonaro, a preferência mudaria para ações cíclicas, que são mais reativas aos ciclos da economia. De forma seletiva, o Citi também indicaria ações de empresas alavancadas, já que estas se beneficiariam de taxas de juros mais baixas e por períodos mais longos.
Nomos
A assessora de investimentos Nomos apresenta uma perspectiva de que, caso Lula avance para um possível quarto mandato, o impacto imediato seria uma valorização do dólar em relação ao real. Além disso, as taxas de juros futuras poderiam aumentar com a expectativa de gastos maiores e possíveis desequilíbrios nas contas públicas.
Dessa forma, para sua carteira Lula, a Nomos selecionou empresas que atuam na exportação e que se beneficiariam de um dólar mais forte, além de incluir empresas mais defensivas, cuja operação não é tão dependente do crescimento econômico. Para a carteira Flávio, a estratégia é agrupar estatais que estão sujeitas a mudanças de gestão, empresas que têm potencial para melhorar sua governança e companhias cíclicas que poderiam ser favorecidas por uma queda nas taxas de juros.
Kinea
A Kinea Investimentos, por sua vez, delineou uma carteira que faz sentido em ambos os cenários eleitorais. Dentro da categoria de papéis mais “seguros”, a gestora destacou movimentações em empresas que possuem um crescimento de lucros previsível, como aquelas associadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. Também foram mencionados papéis do setor de utilities (serviços básicos como energia e saneamento), com destaque para as companhias Sabesp (SBSP3) e Eneva (ENEV3). Isso se deve ao fato de seus negócios serem defensivos, sustentados por concessões duradouras, monopólios naturais e receitas que são indexadas.
Por outro lado, o setor bancário aparece entre os segmentos que apresentam oportunidades comprimidas, que poderiam se beneficiar de uma eventual redução nas taxas de juros decorrente de um ajuste fiscal. A gestora também inclui nesse grupo os setores industrial e de varejo.
Recomendações gerais
O panorama das carteiras de ações é diversificado e reflete a necessidade de estratégias específicas para possíveis resultados eleitorais. As instituições financeiras estão atentas às variáveis econômicas e políticas que podem influenciar o desempenho do mercado e, assim, buscam elaborar recomendações que levem em consideração esses fatores.
Considerações finais
As análises realizadas pelas casas de investimento reforçam a ideia de que as movimentações no mercado podem sofrer significativas oscilações devido às incertezas políticas presentes no horizonte. Com isso, a seleção criteriosa das ações que compõem as carteiras de investimento se torna essencial para navegarem em tempos de volatilidade, à medida que o primeiro turno das eleições se aproxima.
Fonte: www.estadao.com.br
