Conferência de Segurança de Munique
Contexto e Reação
No dia 15 de fevereiro de 2026, em Munique, na Baviera, o logotipo da Conferência de Segurança de Munique estava presente nas cadeiras do hall principal. As palavras duras do vice-presidente dos EUA, JD Vance, sobre a Europa, proferidas no ano anterior, ainda parecem estar presentes na memória de muitos formuladores de políticas europeus.
As declarações do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, feitas no último sábado, enfatizando a herança, os objetivos e os desafios comuns entre os EUA e a Europa, foram bem recebidas nas capitais europeias. "Rubio fez um discurso que nos garantiu que permanecemos juntos nesta parceria entre a Europa e os Estados Unidos", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, em uma entrevista à CNBC durante a conferência. "É claro que há algumas questões que teremos que discutir, mas, no final das contas, sua mensagem foi clara: fomos muito bem-sucedidos no passado e devemos fazer isso novamente, enfrentando novas ameaças e desafios neste século XXI."
Palavras de Rubio
Durante sua fala, Rubio reafirmou que os EUA não têm intenção de abandonar sua profunda aliança com a Europa e expressou o desejo de que a região tenha êxito. "Queremos que a Europa seja forte", declarou ele ao público formado por autoridades de defesa e segurança na cidade alemã. "Acreditamos que a Europa deve prosperar, porque as duas grandes guerras do século passado servem como um grande lembrete da história de que, em última análise, nosso destino está e sempre estará entrelaçado com o seu."
Comparação com Vance
Essa posição de Rubio contrasta com a mensagem de Vance para a mesma plateia no ano anterior, quando ele criticou a "retirada da Europa de alguns de seus valores mais fundamentais que são compartilhados com os Estados Unidos". Vance abordou questões sobre a saúde das democracias, as políticas de migração e a liberdade de expressão, criticando seus ouvintes de forma contundente.
Embora o tom de Rubio tenha sido mais conciliador do que o de Vance, os problemas subjacentes permanecem comuns, como alguns participantes da conferência reconheceram.
Questões Aberta
"É claro que houveram algumas questões que ele levantou. Nós responderíamos de forma diferente quando se trata do problema da migração e da forma como organizamos nosso arcabouço legal na Europa em relação aos serviços digitais. E, é claro, também existem questões sobre a liberdade de expressão", comentou Wadephul.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, frequentemente criticou a Europa por suas políticas de migração consideradas excessivamente abertas, por ser muito dependente da segurança oferecida pelos EUA e pressionou aliados da OTAN a aumentar os gastos com defesa. Sua busca por aquisição da Groenlândia, um território dinamarquês, também gerou inquietação entre os líderes europeus nos últimos meses.
O principal diplomata da UE, Kaja Kallas, mencionou em um painel no domingo que "a mensagem que ouvimos de Rubio é de que a América e a Europa estão entrelaçadas, o que sempre foi verdade no passado e se manterá no futuro. Isso é importante. Também é claro que não concordamos em todas as questões e isso continuará a ser assim. Mas acredito que podemos trabalhar a partir daí."
Desafios e Autonomia da Europa
Investigação sobre a Autonomia Militar e Econômica
Um tema recorrente neste ano na Conferência de Segurança de Munique foi a investigação sincera sobre como a Europa pode se firmar em suas próprias bases, tanto militar quanto economicamente, diante dos desafios impostos por Rússia e China, enquanto os EUA buscam reconfigurar a ordem global pós-guerra que criaram.
Os líderes europeus reconhecem a necessidade de reduzir a dependência do "guarda-chuva" de segurança dos EUA e de seus mercados. No entanto, alguns se sentem incomodados com a abordagem mais confrontacional da administração Trump em comparação com seus antecessores.
Kaja Kallas fez uma observação sobre a comunicação dos líderes americanos: "Acho que houve mensagens para nós e mensagens para o público americano, especialmente seus eleitores. Sempre que ouço esse tipo de crítica à Europa, que está muito na moda atualmente, fico pensando sobre qual é a alternativa."
Críticas às Declarações de Rubio
Outros líderes se mostraram ainda mais críticos em relação aos comentários de Rubio. Benjamin Haddad, Ministro Delegado para a Europa da França, afirmou em um painel que "para ser franco, acredito que o fato de que pedimos aos europeus para comentarem sobre o discurso dos americanos já é parte do problema. Não devemos nos sentir aliviados ou chocados por este ou aquele discurso. A pior lição que podemos tirar deste fim de semana é pensar que podemos nos apegar a algumas palavras de afeto que ouvimos em parte de seu discurso e apertar o botão ‘soneca’".
Ele sugeriu que a Europa deveria "simplesmente focar em si mesma, concentrar-se no que podemos controlar. Precisamos nos concentrar em nossos rearmamentos, no apoio à Ucrânia e na ameaça que a Rússia representa para todas as nossas democracias. Devemos nos concentrar na competitividade".
Johann Wadephul afirmou à CNBC que os esforços para se tornar mais independentes estão em andamento: "Mas isso é algo que estamos fazendo por conta própria, e a Europa também aprendeu que, claro, se você pede mais soberania europeia, receberá isso."
Nova Ordem Global
"Ao mesmo tempo, buscamos novos parceiros globais dispostos a trabalhar em conjunto com a Europa, como Japão, Índia, Brasil, entre outros. Portanto, se você está pensando em uma nova ordem global, isso significa que manteremos nossas alianças, mas também teremos novos parceiros globais, e isso representa um bom futuro para a Europa", completou Wadephul.
Fonte: www.cnbc.com


