Resultados do Quarto Trimestre de 2025 da Amazon
A Amazon (NASDAQ:AMZN) finalizou o quarto trimestre de 2025 com uma mensagem clara ao mercado: o ciclo de investimento em infraestrutura de inteligência artificial irá se intensificar. A renomada empresa de varejo anunciou a intenção de investir aproximadamente US$ 200 bilhões em 2026 em data centers, chips e equipamentos, uma cifra que eleva as preocupações sobre a rapidez do retorno sobre esses investimentos.
Desempenho Anual
O desempenho da companhia no quarto trimestre de 2025 se apresentou robusto em termos de vendas e resultados operacionais, embora tenha enfrentado um aumento nos custos. As vendas líquidas alcançaram US$ 213,4 bilhões, refletindo um crescimento anual de 14% em comparação com os US$ 187,8 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, no quarto trimestre de 2024. Caso não se considerasse o impacto cambial favorável de US$ 2,8 bilhões, o incremento teria sido de 12%.
Do ponto de vista do lucro operacional, a empresa reportou US$ 25,0 bilhões no quarto trimestre de 2025, acima dos US$ 21,2 bilhões do quarto trimestre de 2024. No entanto, esse número foi influenciado por três itens extraordinários: US$ 1,1 bilhão referente a disputas tributárias na Itália e um acordo judicial, US$ 730 milhões em indenizações por rescisões e US$ 610 milhões em desvalorizações de ativos, principalmente de lojas físicas.
Ao fazer os ajustes para esses encargos, o lucro operacional da Amazon poderia ter alcançado US$ 27,4 bilhões, indicando que a eficiência operacional continuou a se aprimorar mesmo em um período de rápida expansão em infraestrutura. Essa aprimoração é significativa, especialmente considerando que ocorreu em meio ao aumento das despesas relacionadas a tecnologia, data centers, processos de entrega e expansão internacional, os quais costumam impactar negativamente as margens de lucro.
Resultados por Segmento
Por segmentos, a melhoria do desempenho foi impulsionada pelo mercado doméstico e pela Amazon Web Services (AWS). O lucro operacional na América do Norte cresceu para US$ 11,5 bilhões, comparado a US$ 9,3 bilhões no ano anterior, beneficiado pela escala logística e maior participação de serviços. Contudo, o segmento internacional registrou uma queda, com lucro operacional de US$ 1,0 bilhão, abaixo dos US$ 1,3 bilhões obtidos anteriormente.
A nuvem continua a ser o principal motor de rentabilidade, financiando investimentos mais amanhecidos em inteligência artificial, logística e novas áreas de negócio. A AWS entregou US$ 12,5 bilhões em lucro operacional durante o trimestre, superando os US$ 10,6 bilhões do quarto trimestre de 2024, com margem operacional de 35,0% sobre vendas de US$ 35,6 bilhões.
Lucro Líquido e Despesas
No resultado final, o lucro líquido foi de US$ 21,2 bilhões no quarto trimestre de 2025, equivalente a um valor de US$ 1,95 por ação diluída, em comparação com US$ 20,0 bilhões e US$ 1,86 por ação no quarto trimestre de 2024. É importante observar que, nesse trimestre, o lucro básico por ação alcançou US$ 1,98. Embora tenha havido uma melhora no que diz respeito à qualidade, essa não se traduziu em um crescimento proporcional ao ritmo de investimentos realizados.
No quarto trimestre de 2025, as pressões se concentraram nos custos das vendas, que totalizaram US$ 110,0 bilhões, enquanto as despesas de cumprimento atingiram US$ 30,8 bilhões. As despesas ligadas a tecnologia e infraestrutura aumentaram para US$ 29,4 bilhões, com vendas e marketing totalizando US$ 14,3 bilhões. Globalmente, as despesas operacionais totais sobem para US$ 188,4 bilhões.
Apesar desses números, a margem operacional do período alcançou 11,7%, superior a 11,3% do quarto trimestre de 2024, um reflexo de um mix de produtos mais favorável e aumento na produtividade. A receita não operacional totalizou US$ 1,6 bilhão, enquanto a renda antes do imposto alcançou US$ 26,6 bilhões. A provisão de imposto de renda aumentou para US$ 4,9 bilhões, representando um ponto de atenção para o ano de 2026.
Resultados Acumulados de 2025
No acumulado do ano de 2025, as vendas líquidas da Amazon somaram US$ 716,9 bilhões, representando um crescimento anual de 12% em relação aos US$ 638,0 bilhões de 2024. O lucro operacional aumentou para US$ 80,0 bilhões, em comparação com US$ 68,6 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou para US$ 77,7 bilhões, equivalente a US$ 7,17 por ação diluída, diante dos US$ 59,2 bilhões e US$ 5,53 do ano anterior.
A expansão foi relativamente diversificada. A América do Norte registrou vendas de US$ 426,3 bilhões no ano, com crescimento de 10%, e lucro operacional de US$ 29,6 bilhões. O segmento internacional alcançou US$ 161,9 bilhões (+13%) com lucro operacional de US$ 4,7 bilhões. A AWS fechou 2025 com vendas de US$ 128,7 bilhões (+20%) e lucro operacional de US$ 45,6 bilhões.
Fluxo de Caixa e Investimentos
O aspecto mais delicado, no entanto, repousa sobre a situação do caixa. O fluxo de caixa operacional (TTM) subiu 20% para US$ 139,5 bilhões, um resultado positivo. Contudo, o fluxo de caixa livre caiu para US$ 11,2 bilhões, em contraste com os US$ 38,2 bilhões registrados anteriormente, pressionado por um aumento anual de US$ 50,7 bilhões nas aquisições de ativos imobilizados (líquidas de vendas e incentivos).
Durante 2025, a Amazon apresentou US$ 54,5 bilhões de fluxo de caixa operacional no quarto trimestre, e US$ 139,5 bilhões nos doze meses. As aquisições de bens e equipamentos totalizaram US$ 39,5 bilhões no quarto trimestre e US$ 131,8 bilhões no ano, enquanto o fluxo de caixa líquido de investimento ficou negativo em US$ 142,5 bilhões acumulados.
Esse padrão ajuda a explicar por que o anúncio de US$ 200 bilhões em investimentos de capital para 2026 gera preocupação, mesmo com lucros recordes obtidos. O mercado, em essência, solicita uma equação simples: crescimento tanto da receita quanto do lucro que se alinhe com a quantidade de capital empregado.
Expectativas para 2026
A própria Amazon admite que as limitações de capacidade no setor dificultam atender a toda a demanda, o que requer investimentos pesados para impulsionar o crescimento. A empresa está trabalhando para reforçar sua narrativa de retorno, apresentando evidências operacionais da AWS e dos chips. O Trainium e Graviton já apresentaram uma receita anual combinada superior a US$ 10 bilhões, com taxas de crescimento de três dígitos. O Trainium2 está totalmente utilizado, com 1,4 milhão de chips instalados, e o Project Rainier opera com mais de 500 mil chips, com a Anthropic utilizando o cluster para treinar seu modelo Claude.
No que diz respeito a produtos e serviços, o quarto trimestre de 2025 também evidenciou robustez em linhas de alta margem. A receita proveniente da publicidade chegou a US$ 21,3 bilhões, representando um crescimento anual de 23%, enquanto os serviços de assinatura somaram US$ 13,1 bilhões, um aumento de 14%. Os serviços prestados por vendedores terceiros alcançaram US$ 52,8 bilhões (+11%).
As projeções para o primeiro trimestre de 2026 também trouxeram certa tensão em relação ao crescimento e aos investimentos. A Amazon estima vendas entre US$ 173,5 bilhões e US$ 178,5 bilhões, refletindo um crescimento de 11% a 15% em relação ao ano anterior, com um impacto cambial positivo de aproximadamente 180 pontos-base. Para o lucro operacional, a faixa estimada varia entre US$ 16,5 bilhões e US$ 21,5 bilhões, um valor abaixo do consenso geralmente esperado pelo mercado.
Essa orientação inclui cerca de US$ 1 bilhão em custos adicionais associados ao Amazon Leo e investimentos em comércio rápido, além de preços mais competitivos em lojas internacionais. Em termos analíticos, a mensagem é clara: 2026 deve ser um ano voltado para a execução e a construção de capacidades, mesmo que isso resulte em volatilidade nas margens no curto prazo, em troca de potencial estiramento estrutural no médio prazo.
Balanço Patrimonial
No balanço patrimonial, a alavancagem continua sob controle, mas o tamanho da “máquina” da empresa cresceu rapidamente. Os ativos totais aumentaram de US$ 624,9 bilhões em 2024 para US$ 818,0 bilhões em 2025, com imóveis e equipamentos líquidos subindo para US$ 357,0 bilhões. A dívida de longo prazo cresceu para US$ 65,6 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes fecharam em US$ 86,8 bilhões, com títulos negociáveis num montante de US$ 36,2 bilhões.
A Amazon encerrou 2025 evidenciando um crescimento de dois dígitos, um avanço no lucro operacional e uma aceleração na AWS, mas optou por reinvestir de maneira agressiva o caixa em inteligência artificial e infraestrutura, o que acabou comprimindo o fluxo de caixa livre. Para os investidores, a discussão em 2026 deverá ser menos sobre “se existe demanda” e mais sobre “quão rápido o retorno será percebido” e em que nível de margem isso ocorrerá.
A Amazon também é comercializada na B3 sob a forma de BDR (BOV:AMZO34).
Fonte: br.-.com