Resultados Financeiros da Ambev
A Ambev S.A. (BOV:ABEV3) divulgou seu lucro líquido referente ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 4,5 bilhões. Este resultado representa uma queda de 9,9% se comparado ao mesmo período do ano anterior, impactado pela retração de volumes e pela pressão sobre as margens. A receita líquida da companhia alcançou R$ 24,8 bilhões entre outubro e dezembro, apresentando um recuo de 8,2% em relação ao ano anterior. Apesar da performance mais fraca no quarto trimestre, a empresa encerrou 2025 com um lucro acumulado de R$ 15,9 bilhões, um aumento de 7,7% em comparação a 2024, o que demonstra a resiliência operacional da Ambev em um ambiente desafiador.
Desempenho de Vendas e Margens
O resultado trimestral da Ambev reflete um cenário de consumo afetado, principalmente em regiões fundamentais como Brasil e América Latina. Fatores cíclicos geraram uma redução nas ocasiões de consumo, evidenciada por uma queda de 3,8% nos volumes totais, com destaque para o Brasil (-3,7%) e a América Latina Sul (-4,9%). Entretanto, a estratégia de premiumização e a gestão de receita efetivas contribuíram para o crescimento orgânico da receita por hectolitro, que subiu 8,7%, resultando em um aumento de 4,8% na receita líquida orgânica.
O EBITDA ajustado do quarto trimestre foi de R$ 8,8 bilhões, o que representa uma redução de 8% em relação ao ano anterior. Por outro lado, o EBITDA ajustado orgânico cresceu 1,3%, demonstrando que, ao excluir efeitos pontuais como o “timing” das operações de hedge cambial, a performance operacional ainda mantinha uma trajetória positiva. Em 2025, o EBITDA ajustado atingiu R$ 29,5 bilhões, alta de 1,6%, com uma expansão de 50 pontos-base na margem EBITDA ajustada, que atingiu 33,4%, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento.
Visão do Presidente e Estrutura de Capital
Carlos Lisboa, presidente da Ambev, afirmou que “a força das nossas marcas e a execução consistente da nossa estratégia impulsionaram o crescimento de um dígito médio do EBITDA ajustado, mesmo com a expansão da margem em um ambiente dinâmico.” Essa declaração reforça o entendimento de que o foco em produtos premium, eficiência operacional e disciplina financeira continua sendo um pilar importante para a companhia.
Em termos de estrutura de capital, a Ambev encerrou o mês de dezembro de 2025 com uma posição de caixa líquido de R$ 16,9 bilhões, um valor inferior aos R$ 26,3 bilhões registrados ao final de 2024. Apesar dessa diminuição, a sólida geração de caixa proporciona à empresa uma posição confortável para a distribuição de dividendos, realização de investimentos e eventuais aquisições, elementos frequentemente monitorados por investidores que buscam renda recorrente no mercado de ações.
Cotação das Ações e Reação do Mercado
Na quarta-feira, dia 11 de fevereiro, as ações da Ambev (BOV:ABEV3) fecharam cotadas a R$ 15,77, mantendo-se estáveis em relação ao pregão anterior, conforme dados do mercado. Com o fechamento do mercado próximo ao momento da divulgação dos resultados trimestrais, os investidores começarão a avaliar o impacto da queda no lucro e na receita, considerando o crescimento anual das margens e a saúde financeira da empresa. O desempenho das ações poderá refletir a balança entre a pressão de curto prazo e os fundamentos estruturais.
Repercussão de Mercado
As ações da Ambev (ABEV3) mostraram uma forte alta nesta quinta-feira (12), logo após a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2025. Por volta das 10h24, os papéis apresentavam uma alta de 4,06%, sendo negociados a R$ 16,41, refletindo a interpretação do mercado em relação aos números apresentados pela maior cervejaria da América Latina.
O JPMorgan avaliou que o balanço da empresa ficou amplamente em linha com as expectativas, apresentando um leve viés positivo em comparação às próprias estimativas do banco. A divisão de Cerveja Brasil apresentou um desempenho superior ao esperado, enquanto a operação de LAS (América do Sul, excluindo o Brasil) não atendeu às expectativas.
Desempenho por Região e Expectativas Futuras
No acumulado, a receita líquida ficou em R$ 24,8 bilhões, refletindo uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior, mas um crescimento orgânico de 4,8%. Esse valor superou em 0,6% as expectativas de mercado, embora tenha ficado 5,2% abaixo da projeção do JPMorgan. O EBITDA normalizado foi de R$ 8,85 bilhões, com queda de 8% se comparado ao ano anterior, mas com crescimento orgânico de 1,3%, em consonância com o banco e 3,7% acima do consensus de mercado. O lucro líquido totalizou R$ 4,62 bilhões, com uma retração de 8%, levemente acima das estimativas — 0,2% superior ao JPMorgan e 2,8% acima da média do mercado.
No Brasil, a divisão de cervejas apresentou uma queda de 2,6% nos volumes de forma orgânica, embora tenha superado em 0,8 ponto percentual as projeções do JPMorgan. O EBITDA da divisão também foi superior às expectativas, apoiado por volumes mais resilientes e despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) abaixo do esperado, em 8,8% inferiores à previsão do banco, com leve alta orgânica de 0,1%.
Para 2026, a companhia anunciou uma previsão de custos para a divisão Cerveja Brasil, projetando um aumento no COGS por hectolitro entre 4,5% e 7,5%. Esse intervalo é superior à estimativa de 3,6% do JPMorgan, frustrando a expectativa inicial do banco de custos abaixo da inflação.
Análise de Desempenho e Expectativas do Mercado
O Bradesco BBI destacou que a Ambev continua a executar estrategicamente suas operações, especialmente no que diz respeito à eficiência operacional. Em 2025, a redução de despesas gerais e administrativas, com foco em ganhos logísticos, foi um dos principais destaques. Contudo, o banco expressa dúvida sobre o espaço para novos avanços, visto que o SG&A em caixa como percentual da receita atingiu seu menor nível em pelo menos 15 anos.
No aspecto comercial, a dinâmica dos preços foi considerada mista. A elasticidade dos volumes de cerveja no Brasil, após os reajustes no início de 2025, acendeu um alerta sobre a necessidade de preços mais competitivos. Sem essa competitividade, a possibilidade de expansão adicional das margens parece limitada, mesmo em um ambiente de custos mais favorável. O Goldman Sachs sugere que a combinação de queda nos volumes, moderados reajustes de preços — ainda que com um mix mais premium — e desempenho insatisfatório no segmento principal reforçariam a impressão de que a fraqueza da demanda é de caráter estrutural e não meramente sazonal.
Reações de Outras Instituições Financeiras
O Morgan Stanley ressaltou que, embora a dinâmica de receita no núcleo da operação tenha sido fraca no quarto trimestre de 2025, o desempenho do SG&A superou as expectativas, e o EBITDA da principal divisão ficou cerca de 6% acima do consenso do mercado. Para a XP Investimentos, o resultado foi considerado morno, refletindo uma perspectiva negativa gerada ao longo do ano, diante de desafios climáticos e inflação elevada. No entanto, a XP vê de forma positiva o foco da empresa em produtividade e controle de custos, com boas surpresas nos índices de Cash COGS/hl e cash SG&A/hl, impulsionados pelas novas gestões.
Pontos Positivos e de Atenção
Segundo o JPMorgan, os volumes de cerveja no Brasil superaram as projeções, impulsionados por uma demanda mais forte em dezembro, especialmente durante o período festivo. O EBITDA da divisão também excedeu as expectativas, devido ao controle disciplinado das despesas gerais e administrativas, com a margem reduzida em apenas 60 pontos-base, de forma orgânica.
Por outro lado, as regiões LAS e Canadá continuam a apresentar um desempenho estruturalmente mais fraco. No segmento LAS, a margem EBITDA recuou 360 pontos-base em termos orgânicos, enquanto no Canadá, os volumes caíram 0,7% em comparação anual. No Brasil, a divisão de bebidas não alcoólicas (NAB) permanece abaixo do setor, apresentando uma queda orgânica de 6,6% nos volumes, sem que a expansão de margem seja suficiente para compensar a fraqueza da receita.
Embora o lucro bruto tenha permanecido praticamente estável, com uma alta orgânica de 0,3%, ele ficou 3,3% abaixo das expectativas do JPMorgan. A margem bruta diminuiu 230 pontos-base, principalmente afetada pelo efeito de timing do hedge cambial.
O Itaú BBA também observou que os resultados do quarto trimestre de 2025 superaram levemente suas estimativas. A atuação da divisão LAS compensou os números mais fracos na região CAC e a pressão financeira que impactou despesas adicionais. A divisão de Cerveja Brasil teve uma contribuição positiva, com um resultado surpreendente de R$ 140 milhões, especialmente na linha de SG&A.
Quanto às perspectivas, o guidance de custos de caixa (COGS) para a divisão de Cerveja Brasil em 2026 está alinhado com as projeções do Itaú BBA, sem que se tenham registrado alterações significativas nas estimativas até o presente momento.
Valuation e Recomendação de Ações
Segundo o Itaú BBA, investidores locais estão focando em discussões sobre o valuation da Ambev, que atualmente é negociada a cerca de 16 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L 2026). Este múltiplo não é considerado particularmente atrativo quando analisadas as projeções atuais de crescimento do lucro por ação (EPS).
Ainda assim, a surpresa positiva do quarto trimestre de 2025 pode dar suporte ao desempenho das ações no curto prazo, mantendo o impulso do capital estrangeiro e deslocando temporariamente as discussões sobre valuation. O BBA manteve a recomendação de market perform (equivalente a neutro) e estabeleceu um preço-alvo de R$ 14.
O Bradesco BBI reiterou sua avaliação neutra, com um preço-alvo de R$ 13, observando que, após a reprecificação para um P/L de 16,8 vezes referente a 2026 — um prêmio de 15% em relação às cervejarias globais —, o mercado questiona quais seriam os próximos vetores para surpresas positivas.
O JPMorgan manteve sua recomendação neutra, definindo o preço-alvo em R$ 15. O Goldman Sachs reafirmou sua recomendação de venda, estabelecendo um preço-alvo de R$ 11,30. Já o Morgan Stanley sugere que o lucro por ação está projetado para ficar mais de 10% abaixo do consenso em 2027, considerando a ação bastante cara: atualmente em cerca de R$ 16, a ABEV3 está sendo negociada a 16,2 vezes o lucro projetado pelo consenso e a 16,7 vezes pelas estimativas da casa, representando um prêmio de quase 40% em relação a ações de consumo locais, que historicamente negociavam com um desconto de 6%.
Comparando com as cervejarias globais, a expectativa de menor crescimento sugere um índice PEG aproximado de 8, em comparação à média de 2 entre os pares internacionais. O Morgan Stanley mantém uma recomendação underweight (equivalente a venda) e um preço-alvo de R$ 10,50, sustentando a visão de que o mercado brasileiro de cerveja enfrenta desafios de natureza estrutural.
Fonte: br.-.com