Insatisfação com a Economia Americana
O principal fator que tem gerado insatisfação entre os cidadãos dos Estados Unidos em relação à economia é a adaptação aos altos preços que aumentaram durante os anos de inflação descontrolada, especialmente no período em que o ex-presidente Joe Biden esteve no poder.
Políticas para o Crescimento Econômico
Atualmente, a inflação não é mais considerada uma crise. Portanto, uma das principais estratégias para ajudar a economia tem sido a redução das taxas de juros, com o objetivo de estimular o crescimento do emprego e o aumento dos salários.
Visões de Trump e Powell
Um debate interessante surge entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ambos se dirigindo aos americanos para abordar questões econômicas cruciais. Entre essas questões, destaca-se a preocupação com o custo de vida. Ambos apresentaram políticas distintas para melhorar as condições financeiras da população.
Diferenças e Semelhanças
Apesar das frequentes ofensas pessoais que Trump direcionou a Powell e das diferenças na comunicação pública, ambos têm articulado, em geral, os mesmos problemas e soluções. Notavelmente, Powell tem apresentado seus argumentos de forma mais clara.
Acordo sobre Princípios Econômicos
O fato de Trump e Powell concordarem em alguns princípios e políticas econômicas fundamentais é um desenvolvimento marcante. Isso é especialmente significativo, considerando que Trump frequentemente critica Powell e planeja substituí-lo no próximo ano. Ademais, Trump tem enfrentado dificuldades em conquistar a confiança dos americanos, que estão céticos quanto à economia. Ele pode ter encontrado um porta-voz com quem, embora inusitadamente, compartilha algumas opiniões.
Desafios em Tempo de Crise
Trump enfrenta uma perda de legitimidade como "Sr. Economia", uma vez que venceu a eleição prometendo uma agenda de custos de vida acessíveis. Pesquisas mostram que os americanos estão insatisfeitos com a gestão econômica de Trump, dada a alta no custo de vida atualmente.
Essa situação se transformou em uma crise política crescente para Trump e os republicanos. Na última terça-feira, ele admitiu que seus assessores o convenceram a viajar pelo país para comunicar os benefícios de sua agenda econômica, tendo em vista as eleições de meio de mandato no próximo ano.
A Retórica de Trump
Em seus discursos, Trump frequentemente mina a eficácia de suas mensagens ao incluir exageros e afirmações questionáveis. Seu argumento central nas suas declarações pode ser resumido em quatro pontos principais:
- A inflação está sob controle.
- Suas taxas históricas não serão inflacionárias a longo prazo.
- Se os americanos estão enfrentando dificuldades, isso é resultado da inflação alta que atingiu o governo Biden, e não por causa de suas políticas.
- A solução para esses problemas é a redução das taxas de juros.
Abordagem da Política Econômica
Trump apresenta uma abordagem inusitada e, muitas vezes, prejudicial em relação à política econômica, o que acaba confundindo seus argumentos. Por exemplo, alegou repetidamente de forma incorreta que não existe inflação e que a acessibilidade financeira é uma "farsa". Ele também sobreavaliou a receita gerada por tarifas de importação e argumentou erroneamente que elas não causaram aumentos de preços.
Além disso, Trump caracterizou a inflação de 2022 como a pior da história dos Estados Unidos e sua pressão sobre Powell para reduzir as taxas de juros comprometeu a necessária independência do Federal Reserve.
Concordância com Powell
Surpreendentemente, Jerome Powell, por sua vez, concorda em grande parte com o argumento central de Trump. Na última quarta-feira, ele abordou a situação econômica dos EUA, identificando dois problemas simultâneos que representam um desafio para o Fed: a deterioração do mercado de trabalho e o aumento da inflação. Essa é uma preocupação, pois o Fed normalmente pode usar a definição de taxas de juros para estimular o mercado de trabalho ou controlar os preços, mas não ambos ao mesmo tempo.
Decisão do Federal Reserve
Diante dessa realidade, o Federal Reserve teve que tomar uma decisão em sua reunião de política monetária na quarta-feira, optando por tentar impulsionar a criação de empregos, reduzindo as taxas de juros, mesmo correndo o risco de piorar a inflação.
Os motivos que Powell expôs em sua coletiva de imprensa foram muito semelhantes aos argumentos de Trump. Os pontos principais foram:
- A inflação anual está se recuperando e superando a meta de longo prazo do Fed, atualmente em 2,8%. O motivo disso são as tarifas históricas de Trump, embora a inflação não esteja em um nível alarmante.
- Apesar disso, as tarifas não são inflacionárias a longo prazo; elas podem estabelecer novos preços mais altos, mas não aumentarão continuamente esses preços.
- A recente inflação não é a principal razão pela qual os americanos enfrentam dificuldades financeiras. A causa principal são os preços drasticamente mais altos resultantes da crise inflacionária que ocorreu em 2022 e 2023, com os consumidores ainda se adaptando a essa realidade.
- A solução adotada foi a redução das taxas de juros três vezes nos últimos quatro meses, visando estimular o mercado de trabalho em desaceleração e ajudar no aumento dos salários, promovendo assim uma melhor condição financeira para as pessoas.
Perspectivas no Longo Prazo
Powell destacou que será necessário investir tempo para que a remuneração real cresça e, dessa forma, as pessoas se sintam novamente confortáveis em relação à acessibilidade financeira. A sua estratégia está voltada para manter a inflação sob controle, mas também para apoiar o mercado de trabalho e salários mais altos.
Finalmente, é importante notar que essa é a argumentação básica de Trump, apresentada sob uma ótica mais clara e coesa, isenta de exageros. Para Trump, se a intenção é buscar um porta-voz para defender seus argumentos econômicos, Powell pode ser uma escolha viável, considerando que permanece no comando do Federal Reserve e poderá também em breve estar disponível para novos desafios profissionais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br