Desempenho da Casas Bahia na B3
A Casas Bahia apresentou um desempenho ligeiramente negativo na B3 após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre de 2025. Esse resultado está principalmente atrelado a uma provisão de Imposto de Renda diferido, que totalizou R$ 1,45 bilhão. Por volta das 13h25 (horário de Brasília), as ações BHIA3 registravam uma retração de 0,33%, cotadas a R$ 3,05.
Resultados Operacionais e Análise de Especialistas
O resultado financeiro foi publicado em um período caracterizado por uma significativa redução no endividamento, bem como uma expansão nas receitas e margens. Os especialistas enxergam melhorias no balanço patrimonial da varejista, embora a contínua queima de caixa continue a gerar preocupações no mercado. As recomendações para as ações da companhia permanecem entre neutras e em venda.
O resultado operacional, que foi medido pelo Ebitda ajustado, totalizou R$ 826 milhões, representando um crescimento de 29,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem do Ebitda ajustado ficou em 9,8%, em comparação aos 8% registrados em 2024. A margem bruta da empresa também avançou 0,7 ponto percentual, alcançando 31,5%.
O desempenho do Ebitda ajustado superou as previsões do banco Safra, sendo impulsionado pela redução de custos com processos judiciais e por um efeito positivo derivado do ressarcimento do DIFAL, que soma R$ 176 milhões. Sem esse ressarcimento, o resultado do Ebitda ajustado teria ficado cerca de 10% abaixo das estimativas elaboradas pela instituição financeira.
A equipe do Safra observa que, embora os esforços de turnaround (reorganização) estejam gerando números operacionais mais positivos, o consumo de caixa de R$ 2,9 bilhões nos últimos 12 meses levanta preocupações nos resultados financeiros. O banco acredita que essa situação representa um desafio significativo para que a companhia consiga reverter o prejuízo líquido acumulado nos últimos trimestres.
“Apesar da conversão de dívida em capital, que tende a apoiar a geração de caixa no curto prazo, gostaríamos de observar resultados mais concretos no fluxo de caixa para mudar nossa perspectiva sobre a empresa. Diante disso, reiteramos nossa recomendação de Underperform (desempenho abaixo do mercado, equivalente a venda)”, afirmam os analistas do Safra.
Resultados Misto Segundo XP Investimentos
De acordo com a análise da XP Investimentos, a Casas Bahia apresentou um quarto trimestre misto, superando as expectativas da instituição em relação ao crescimento das receitas, mas com margens menos robustas e um impairment de créditos tributários que contrabalançou os resultados positivos.
A equipe de analistas chefiada por Danniela Eiger aponta que a parceria com o Mercado Livre se destacou como um importante motor de crescimento, no qual tanto as operações do modelo 1P quanto do modelo 3P mostraram um acelerado desenvolvimento. No entanto, a margem bruta enfrentou forte pressão devido ao mix de canais, e essa pressão não foi completamente compensada pelo controle das despesas de SG&A.
Embora a trajetória operacional da empresa demonstre uma melhora constante, a XP considera que o cenário macroeconômico apresenta desafios para as lojas físicas, além de ser necessário um aprofundamento na compreensão da dinâmica econômica da parceria com o Mercado Livre.
“Mantemos nossa recomendação neutra, preferindo aguardar os resultados da nova estrutura de capital para que possamos observar o lucro líquido se estabilizar em um campo positivo”, indicam os analistas da XP.
O Santander também classifica o balanço da Casas Bahia como misto, observando um crescimento robusto do volume bruto de mercadorias (GMV) no primeiro trimestre, que foi aproximadamente 26% maior na comparação anual. Os analistas acreditam que esse crescimento é impulsionado pela colaboração com o Mercado Livre.
Entretanto, o desempenho da empresa foi ofuscado por um Ebitda inferior às expectativas, mesmo após o ajuste referente ao efeito pontual de R$ 176 milhões ligados ao DIFAL. De acordo com as informações, o Ebitda ficou em cerca de 10% abaixo das previsões do banco e do consenso do mercado.
O resultado do prejuízo líquido ajustado apresentou uma performance melhor do que a esperada, especialmente devido a despesas financeiras que ficaram abaixo do previsto, resultado de modificações na dívida e outros efeitos relacionados à conversão de dívida em capital. Com isso, o Santander mantém uma recomendação neutra para as ações da Casas Bahia.
Fonte: www.moneytimes.com.br