ANP Impõe Condições para Retomada da Perfuração na Bacia da Foz do Amazonas
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) condicionou a continuidade da perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, realizada pela Petrobras (PETR4), à apresentação de esclarecimentos sobre o vazamento de fluido sintético ocorrido nas águas da região. Este local é considerado ambientalmente sensível, segundo documentos acessados pela Reuters e informações de uma fonte com conhecimento sobre a situação.
Exigências da ANP
A decisão da ANP, emitida na quarta-feira, estabelece que a Petrobras deve fornecer uma avaliação inicial das causas do vazamento, além de seus possíveis impactos e as ações mitigadoras que serão adotadas, antes de retomar as operações em águas profundas do Amapá. De acordo com o documento, “a unidade (sonda de perfuração) ODN II (NS-42) somente poderá retomar a atividade de perfuração após autorização expressa da ANP”.
Situação da Campanha Exploratória da Petrobras
A empresa estava avaliando a possibilidade de reiniciar a campanha exploratória no campo Morpho em um prazo de até 20 dias, com base em informações de fontes próximas à companhia, antes da realização da reunião com a ANP. A ocorrência do vazamento foi identificada no último domingo e ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, que se localiza a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, levando à suspensão das atividades.
Posicionamento da Petrobras e da ANP
A Petrobras não forneceu imediatamente um retorno sobre um pedido de comentários, embora já tivesse indicado anteriormente que o vazamento havia sido contido e que o fluido é biodegradável, sem oferecer riscos ao meio ambiente ou à população, conforme informado pela própria empresa. A ANP também não se manifestou imediatamente em resposta a solicitações de comentários.
Tentativas de Licenciamento e Consequências Ambientais
A Petrobras passou vários anos buscando a licença para realizar a perfuração na região, a qual é considerada de alto potencial para descobrir novas reservas exploratórias, uma vez que compartilha a mesma geologia da vizinha Guiana, onde a ExxonMobil está desenvolvendo grandes campos de petróleo. O incidente provocou reações de ativistas e organizações indígenas locais, que têm alertado há anos sobre os impactos potenciais que a exploração de petróleo pode ter nos ecossistemas marinhos e costeiros.
Informações sobre o Vazamento
Em uma reunião com representantes da ANP na quarta-feira, a Petrobras admitiu que não possui informações claras sobre o que causou o incidente, conforme documento relatado. O mesmo documento revelou que o vazamento foi mais significativo do que o inicialmente informado, apresentando um volume de pouco mais de 18 metros cúbicos, em vez dos cerca de 15 metros cúbicos inicialmente mencionados.
Inspeção e Próximos Passos
O regulador prevê realizar uma inspeção na sonda de perfuração em fevereiro, de acordo com uma fonte próxima ao assunto, embora tenha sido acrescentado que a perfuração pode ser reiniciada antes dessa data. Ao dar início à perfuração em outubro, a Petrobras havia estimado que as operações se estenderiam por cerca de cinco meses.
Fonte: www.moneytimes.com.br