Antes considerado um bad boy, o fundador da Oracle alcança o sucesso após 25 anos; descubra quem é Larry Ellison.

Ascensão de Larry Ellison

A revista Fortune questionava em sua capa se Larry Ellison, cofundador da Oracle, teria a possibilidade de se tornar a pessoa mais rica do mundo, enquanto a BusinessWeek proclamava que Ellison estava “na moda de novo”, destacando que “o bad boy do Vale do Silício está se vingando”. Essas declarações foram publicadas há 25 anos, mas poderiam muito bem ser repetidas na atualidade.

Recentemente, o octogenário Ellison retornou aos destaques da mídia após a Oracle anunciar diversos acordos significativos no setor de computação em nuvem. Esse movimento teve um impacto direto nas ações da empresa, que valorizaram 35,9%, elevando a fortuna de Ellison para próximo de US$ 400 bilhões, superando ligeiramente a de Elon Musk.

Novos esforços em Hollywood

Nesta quinta-feira, dia 11, surgiu a informação de que a Paramount, conglomerado de mídia agora sob o controle da família Ellison, está elaborando uma proposta para adquirir a Warner Bros Discovery, o que poderia resultar em uma significativa dominância na indústria de entretenimento.

Ellison é um bilionário cuja imagem é frequentemente associada a uma coleção diversificada de iates, à posse de uma ilha no Havaí e ao seu apoio público a Donald Trump.

Poder e influência em ascensão

Nos últimos tempos, Ellison parece ter traçado um caminho discreto, porém firme, de volta ao centro do poder. Na Paramount, seu filho, David, aparenta estar alinhando a CBS News a uma perspectiva mais conservadora, ao designar Kenneth Weinstein — conhecido apoiador de Trump e ex-CEO do think tank conservador Hudson Institute — como ombudsman da CBS News. Além disso, há considerações sobre a jornalista Bari Weiss, que faz parte do The Free Press, para assumir um cargo relevante na organização.

Ellison também estabeleceu uma relação com o TikTok. Em 2022, a Oracle passou a fornecer infraestrutura tecnológica para a plataforma de vídeos curtos nos Estados Unidos, diante de preocupações relacionadas à segurança nacional quanto ao serviço, que é de propriedade chinesa e utilizado por mais de 170 milhões de americanos.

Táticas e imagem de “bad boy”

Muitos podem ter esquecido que Ellison adquiriu a reputação de “bad boy” do Vale do Silício, uma marca registrada desde a cofundação da Oracle em 1977. Em 2010, ele chegou a fazer uma participação especial como ele mesmo no filme Homem de Ferro 2. Ellison se destacou como uma figura proeminente no setor tecnológico, vivendo um estilo de vida extravagante e, ao mesmo tempo, enfrentando desafios complexos no campo da computação. Recentemente, ele participou da criação de sistemas que interligam milhares de computadores, dedicados à execução de inteligência artificial.

A menção de investimentos em tecnologia de ponta, como a Inteligência Artificial (IA), estava mais distante até o último trimestre, quando contratos significativos celebrados na nuvem impulsionaram substancialmente o preço das ações da Oracle.

A Oracle, embora tenha superado competidores no setor de bancos de dados nos anos 1990, enfrentou quase uma década de estagnação em vendas e desvalorização de mercado em função da migração de aplicações corporativas para a nuvem. A promessa da inteligência artificial traz um novo horizonte para a empresa, mas o sucesso não é garantido, uma vez que todo o setor ainda busca um modelo de negócios que seja lucrativo. A Oracle estabeleceu uma parceria significante com a OpenAI, que, conforme informações de fonte interna, comprometeu-se a desembolsar US$ 300 bilhões à Oracle por serviços computacionais ao longo de cinco anos.

Estratégias para a competitividade

A Oracle se posicionou como um “senhorio da IA”, atraindo grandes clientes, como Meta, xAI, de Elon Musk, e sua nova maior conta, a OpenAI. Essa mudança resultou em um crescimento da receita contratada, que disparou para US$ 455 bilhões.

Matthew Durot, editor-adjunto de riqueza da Forbes, mencionou que “durante anos, muitos duvidaram dele”. Com o foco da Oracle em IA, Ellison parece ter conseguido mostrar que suas estratégias estão dando resultados, ao menos por enquanto.

Uma decisão crucial foi a opção da Oracle de não se aventurar na fabricação de chips de IA personalizados, ao contrário de gigantes como Microsoft, Amazon e Google. Em vez disso, a Oracle optou por contar com a Nvidia, o que, segundo analistas, a permitiu garantir acesso a mais chips da líder global em processadores de IA. A liderança nesse processo foi atribuída diretamente a Ellison.

Em um jantar em 2024, Ellison convidou Elon Musk e Jensen Huang, CEO da Nvidia, para discutir negócios no Nobu, seu restaurante de sushi localizado em Palo Alto. Ellison relatou ter solicitado a Huang que aceitasse seus investimentos, afirmando que isso foi um fator decisivo.

Meses depois desse encontro, a Oracle firmou um contrato importante de computação com a OpenAI e anunciou um ambicioso projeto de US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA, intitulado Stargate.

Aprendizados e desafios

A Oracle enfrentou reveses em sua primeira tentativa de entrar no mercado de nuvem em 2016, mas sua segunda tentativa, iniciada em 2018, resultou em um serviço que se mostrou mais econômico e flexível em comparação com a concorrência. Em 2020, durante a sobrecarga de tráfego no Zoom Technologies em virtude da pandemia, a migração para a nuvem da Oracle resultou na resolução rápida dos problemas. Em 2022, quando o TikTok transferiu dados de mais de 100 milhões de usuários americanos para a nuvem da Oracle, o processo foi quase imperceptível para os usuários, sendo reconhecido por analistas como um feito técnico notável.

Riscos significativos

Ellison é notoriamente conhecido por se envolver em esportes radicais, e a trajetória da Oracle na IA revela seu apetite por riscos. A empresa não se compromet consegue a comprar terrenos, construir centros de dados ou usinas de energia; ao invés disso, terceiriza todas essas operações para parceiros, que podem, ou não, cumprir suas obrigações.

Além disso, a viabilidade financeira de parceiros como a OpenAI ainda é incerta, já que a empresa está em processo de desenvolvimento de um modelo de negócios sustentável e lucrativo. A situação é delicada, uma vez que, como destacou Chirag Dekate, vice-presidente e analista da empresa de pesquisa Gartner, “quando você tem apenas um punhado de clientes, e um deles desaparece, sobra um buraco enorme que você precisa descobrir como preencher”.

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