Retorno dos Investimentos Estrangeiros
Após uma significativa retirada de recursos nas primeiras semanas de agosto, os investidores estrangeiros começaram a reinvestir na bolsa brasileira. De acordo com informações do Bank of America (BofA), os investidores internacionais injetaram a quantia de R$ 3,2 bilhões na última semana.
Essa retomada do fluxo financeiro ajudou a recuperar parte dos quase R$ 22 bilhões que haviam sido retirados do mercado à vista durante o mês de agosto. No total acumulado do ano, o saldo de capital estrangeiro se mantém positivo, totalizando R$ 16 bilhões.
Com o alívio recente nas tensões, o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa de valores brasileira, apresentou um avanço de 1,9% em termos de dólares. Em números nominais, o índice registrou uma alta de 2,71%.
Destaque Mundial para o Ibovespa
Esses resultados colocaram a B3 em posição de destaque entre as principais bolsas do mundo e dos mercados emergentes. A seguir, um breve comparativo de performances:
- Ibovespa (Brasil): +1,9% em dólares (+2,0% em reais)
- S&P 500 (EUA): +0,7%
- MSCI Emerging Markets (emergentes): +0,1%
- Mexbol (México): -0,2%
- Colcap (Colômbia): -0,9%
Segundo os analistas do BofA, o Brasil está se fortalecendo devido a uma nova rotação geográfica dentro dos mercados emergentes. Os fundos voltados para esses mercados, excluindo a China, registraram uma captação de US$ 700 milhões na última semana.
Movimentações de Capital na Coreia do Sul
Em um contexto mais amplo, a Coreia do Sul, que havia experimentado um aumento considerável de aportes de capital estrangeiro nos meses anteriores, começou a registrar saídas expressivas de capital. Parte dessa liquidez foi direcionada principalmente para a América Latina, com um aporte de +US$ 200 milhões, além de +US$ 100 milhões garantindo investimentos exclusivamente no Brasil.
Outro fator digno de nota é o desconto que a bolsa brasileira apresenta atualmente, o maior entre as bolsas da América Latina. Considerando o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado para os próximos 12 meses, a bolsa brasileira se negocia com um desconto de 23% em relação à média histórica e 17% a menos do que seus pares latino-americanos.
Eleições em Foco
O Bank of America também aponta que os investidores estão em um intricado compasso de espera em relação ao desenrolar das eleições. O banco ressalta que as mais recentes pesquisas de intenção de voto indicam uma maior convergência entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que almeja a reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL).
No que diz respeito à corrida eleitoral, os analistas complementam que a evolução das investigações relativas ao Banco Master e as apurações sobre o filho de Lula (Lulinha) são pontos cruciais que podem impactar o cenário eleitoral.
Além disso, o risco fiscal é um elemento a ser considerado. De acordo com o banco, “independentemente de quem triunfe nas eleições, todos os candidatos reconhecem a necessidade de implementar reformas fiscais que restabeleçam a credibilidade das políticas públicas e garantam a sustentabilidade da dívida no futuro.” Entretanto, as medidas propostas pelos candidatos sobre este tema ainda permanecem indefinidas, sendo que as definições mais claras devem emergir somente após o resultado das eleições.
Fonte: www.moneytimes.com.br
