Alterações no Regime Cambial da Argentina
Anúncio do Banco Central
O Banco Central da República Argentina revelou, na última segunda-feira (15), que o país irá modificar seu regime cambial a partir do primeiro dia de janeiro de 2026. Entre as principais mudanças, destacam-se a ampliação da banda cambial para o peso argentino e a implementação de um novo programa de compra de reservas.
Banda Cambial
No que diz respeito à nova banda cambial, os limites superior e inferior passarão a acompanhar a inflação do mês anterior, abandonando a sistemática atual, que admite um aumento de apenas 1% ao mês. A inflação na Argentina foi registrada em 2,5% em novembro, evidenciando a necessidade de ajustes.
Essa nova medida permitirá uma apreciação real do peso, considerando que a inflação mensal tem superado a taxa de desvalorização previamente programada. Contudo, críticos apontam que o sistema anterior restringia a capacidade do Banco Central de acumular reservas, uma vez que o governo era forçado a defender a moeda de forma artificial dentro dos limites estabelecidos.
Programa de Compra de Reservas
Em relação ao programa de aquisição de reservas, a meta do Banco Central argentino é atingir a compra de US$ 10 bilhões até o final de 2026. Estas iniciativas configuram as mais significativas alterações no regime cambial desde sua introdução em abril, como parte de um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em 2025, o governo argentino se ficou aquém da meta de acumulação estabelecida pelo FMI em mais de US$ 10 bilhões, conforme apontam estimativas.
Impactos da Escassez
A escassez de dólares levou a uma corrida contra o peso em outubro, uma situação em que investidores temiam que a Argentina não teria dólares suficientes para sustentar as bandas cambiais estabelecidas.
Declarações do Presidente do Banco Central
Santiago Bausili, presidente do Banco Central da Argentina, afirmou que, com o intuito de consolidar a estabilidade de preços, o Banco Central inicia uma nova fase do programa monetário. Ele afirmou ainda que os esforços da autoridade monetária se concentrarão na meta de alcançar uma convergência da inflação interna em relação à inflação internacional.
Bausili também mencionou que o progresso na correção dos desequilíbrios macroeconômicos e a validação da robustez do programa econômico de Javier Milei, mesmo diante das incertezas geradas pelas eleições de meio termo, ampliaram consideravelmente as perspectivas de planejamento.
Além disso, ele destacou que a recente melhora no cenário institucional e político criou condições mais favoráveis para avançar para a próxima etapa do programa, propiciando um ambiente que favorece o crescimento econômico, a remonetização da economia e a acumulação de reservas internacionais. Esses elementos são considerados essenciais pelo Banco Central para sustentar o processo de estabilização e desinflação no futuro.
Fonte: www.moneytimes.com.br


