Atas do Fed: Outubro de 2025

Divergências no Federal Reserve

Os funcionários do Federal Reserve estavam em desacordo durante a reunião de outubro em relação ao corte das taxas de juros, divididos entre a preocupação com um mercado de trabalho estagnado e a inflação persistente, que foram consideradas como as principais ameaças econômicas. As atas da reunião, divulgadas na quarta-feira, mostraram essa divisão.

Decisão do Comitê e Perspectivas Futuras

Embora o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) tenha aprovado um corte na reunião, o caminho a seguir parece menos certo. As divergências se estenderam às perspectivas para dezembro, com os oficiais expressando ceticismo em relação à necessidade de um corte adicional que os mercados estavam amplamente antecipando. "Muitos" deles afirmaram que não seriam necessários mais cortes, pelo menos até 2025.

As atas indicam: "Vários participantes avaliaram que uma nova redução da faixa-alvo para a taxa dos fundos federais poderia ser apropriada em dezembro, caso a economia evoluísse conforme esperado no período entre as reuniões." Além disso, "muitos participantes sugeriram que, de acordo com suas previsões econômicas, poderia ser apropriado manter a faixa-alvo inalterada pelo resto do ano."

Interpretação das Participações

No jargão do Fed, "muitos" implica um número maior que "vários", o que sugere uma tendência contra um corte em dezembro. Entretanto, o termo "participantes" não se refere apenas aos votantes. Embora houvesse 19 participantes na reunião, apenas 12 têm direito a voto, tornando incerto o sentimento dos membros votantes em relação a um movimento em dezembro.

Essa observação alinha-se com uma declaração feita pelo presidente do Fed, Jerome Powell, na coletiva de imprensa após a reunião, onde afirmou que um corte em dezembro não era uma "conclusão pré-determinada".

Expectativas do Mercado

Antes da declaração de Powell, os traders estavam precificando quase com certeza um novo movimento na sessão de 9 e 10 de dezembro. No entanto, na quarta-feira à tarde, a probabilidade foi reduzida para menos de um em três.

As atas registraram que "a maioria dos participantes" vê cortes adicionais como prováveis no futuro, embora não necessariamente em dezembro. O FOMC aprovou uma redução de um quarto de ponto percentual na taxa de juros para uma faixa de 3,75%-4%. Porém, a votação de 10 a 2 não reflete a profundidade da divisão entre os oficiais em uma instituição que não é geralmente conhecida por dissentir.

Preocupações com o Mercado de Trabalho e a Inflação

Os oficiais expressaram preocupação com um mercado de trabalho lento e uma inflação que "não apresentou sinais suficientes de retorno sustentável" ao objetivo de 2% do Fed. As atas refletiram múltiplas correntes dentro do comitê.

"Contra esse pano de fundo, muitos participantes eram favoráveis a uma redução da faixa-alvo para a taxa dos fundos federais nesta reunião, alguns apoiaram essa decisão, mas poderiam também ter apoiado a manutenção do nível da faixa-alvo, e vários se opuseram à redução da faixa-alvo", afirmaram as atas.

Debate Sobre a Política

O cerne do debate residiu na discordância sobre quão "restritiva" a política atual é para a economia. Alguns participantes acreditavam que, mesmo com o corte de um quarto de ponto, a política ainda estava limitando o crescimento, enquanto outros consideravam que "a resiliência da atividade econômica" indicava que a política não era restritiva.

De acordo com declarações públicas, o painel está dividido entre os "pombos" da inflação, incluindo os governadores Stephen Miran, Christopher Waller e Michelle Bowman, que preferem cortes como forma de evitar a fraqueza no mercado de trabalho. Por outro lado, há membros mais "falcões", como os presidentes regionais Jeffrey Schmid, de Kansas City, Susan Collins, de Boston, e Alberto Musalem, de St. Louis, que temem que novos cortes possam impedir o Fed de atingir sua meta de inflação de 2%.

Moderados e Opiniões Divergentes

Entre esses dois grupos, existem moderados, como Powell, o vice-presidente Philip Jefferson e o presidente de Nova York, John Williams, que defendem uma abordagem mais paciente. As atas mencionaram que "um participante", referindo-se a Miran, preferia um corte mais agressivo de meio ponto. Schmid também votou contrário, dizendo que preferia não realizar cortes.

Impacto dos Dados Governamentais

As atas também destacaram que a tomada de decisões foi complicada pela falta de dados do governo durante a paralisação, que durou 44 dias. Relatórios sobre o mercado de trabalho, inflação e uma série de outros indicadores não foram compilados ou divulgados durante esse período. Agências governamentais como o Bureau of Labor Statistics e o Bureau of Economic Analysis publicaram cronogramas para algumas liberações de dados, mas não para todas.

Powell comparou a situação a "dirigir na neblina", embora Waller, na segunda-feira, tenha rejeitado essa analogia, afirmando que o Fed possui uma quantidade suficiente de dados para formular políticas.

Aspectos do Balanço Patrimonial

Além disso, as atas discutiram o aspecto do balanço patrimonial da política. O FOMC concordou em interromper a redução de títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas em dezembro, um processo que já reduziu mais de 2,5 trilhões de dólares do balanço patrimonial, que continua em torno de 6,6 trilhões de dólares. Pareceu haver uma ampla aprovação para a interrupção de um processo conhecido como aperto quantitativo.

Fonte: www.cnbc.com

Related posts

Rússia classifica ameaças de Trump de dominar a Groenlândia como ‘extraordinárias’

Deutsche Bank eleva a classificação do gigante varejista sul-coreano

Mercados financeiros inertes diante dos riscos do Irã, Groenlândia e Venezuela

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais