Nesta semana, o Banco Central anunciou a liquidação de mais uma instituição financeira: o Banco Pleno, que anteriormente era conhecido como Banco Voiter. A responsabilidade pela cobertura da dívida, que totaliza R$ 4,9 bilhões em relação aos credores, recai agora sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Além disso, o FGC já enfrenta uma pressão significativa devido aos quase R$ 50 bilhões que são necessários para ressarcir os clientes do Banco Master, que também foi liquidado. Desses R$ 50 bilhões, R$ 40,6 bilhões referem-se especificamente ao Banco Master. Ademais, a liquidação do Will Bank, uma subsidiária do banco liderado por Daniel Vorcaro, acrescentou mais R$ 6,3 bilhões à conta.
Com a inclusão do Banco Pleno, o total a ser desembolsado chega a R$ 51,8 bilhões. Esse valor representa 43% do montante disponível para pagamentos garantidos pelo FGC.
Isso levanta a questão: em caso de novas liquidações, até quando o FGC conseguirá suportar os prejuízos?
Leia também: Quem paga a conta? FGC avalia solicitar reforço de R$ 30 bilhões após as dificuldades relacionadas ao Master e Will Bank.
As contas do FGC
O FGC oferece uma proteção padrão de até R$ 250 mil por ano, por CPF ou CNPJ. Entretanto, o fundo só atua em situações onde instituições financeiras que são cobertas pelo FGC enfrentam falências. Em tese, os investidores poderiam receber até R$ 1 milhão em ressarcimentos, repartidos em parcelas iguais ao longo de um período de quatro anos.
No entanto, o FGC não previa que instituições como o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno emitiriam Certificados de Depósito Bancário (CDBs) extraordinários com taxas de 140% e 150% do CDI, sem ter a capacidade financeira para tal. De acordo com declarações feitas por Daniel Vorcaro, a proteção oferecida pelo FGC acabou se tornando parte da estratégia comercial dessas instituições.
Para arcar com essas obrigações financeiras, o FGC depende das contribuições de diversos bancos, com destaque para os maiores do Brasil: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Com essa situação financeira, é provável que os grandes bancos repassem os custos adicionais aos usuários, o que poderá resultar em um aumento operacional dos empréstimos. Além disso, é viável que tanto o Banco Central quanto o FGC adotem uma postura mais rigorosa, visando a segurança a longo prazo. Em outras palavras, a possibilidade de mais liquidações ocorrerem em um futuro próximo é alta.
Por outro lado, a hipótese de um colapso do FGC é considerada improvável. Tal situação só se concretizaria caso um grande banco fosse liquidado, algo que, até o momento, não está previsto no horizonte. Ademais, instituições como o Banco do Brasil e o Itaú já se prepararam para restabelecer a liquidez do Fundo Garantidor de Crédito.
FGC avalia pedir reforço de R$ 30 bilhões
As liquidações extrajudiciais recentes geraram uma pressão significativa sobre o caixa do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma vez que os pagamentos aos credores devem consumir mais de um terço da liquidez disponível da entidade. Em virtude deste cenário, o fundo, em parceria com cerca de 250 bancos associados, está em negociações para recompor os recursos financeiros necessários.
Conforme informado anteriormente, a proposta principal consiste na antecipação de cinco anos das contribuições, o que poderá aportar aproximadamente R$ 30 bilhões de imediato, visto que atualmente os bancos contribuem com cerca de R$ 6 bilhões por ano. A repartição desses valores será proporcional ao volume de depósitos de cada instituição, concentrando a maior parte do montante nos grandes bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil, que devem arcar com cerca de 70% do total.
Além da antecipação, o FGC também está considerando a implementação de cobranças adicionais, incluindo uma taxa extra que tem potencial para arrecadar cerca de R$ 3 bilhões e uma contribuição extraordinária anual equivalente à metade da alíquota padrão (0,01% sobre depósitos elegíveis). Essa última medida poderia gerar até R$ 15 bilhões ao longo de cinco anos. O prazo para a implementação dessas cobranças ainda está sendo avaliado.
Fonte: timesbrasil.com.br