Incertezas Operacionais da Oncoclínicas
A auditoria do balanço da Oncoclínicas, divulgada ao final da noite da última quinta-feira, 9, revela uma incerteza significativa em relação à continuidade operacional da empresa. Em 2025, a Oncoclínicas registrou um prejuízo líquido de 3,6 bilhões de reais, o que representa um aumento de 411% em comparação com o prejuízo acumulado em 2024.
Situação Financeira e Endividamento
De acordo com a auditoria, a Oncoclínicas apresenta um capital circulante líquido negativo de 2,3 bilhões de reais. Essa situação é atribuída, principalmente, ao não cumprimento de determinados índices financeiros estabelecidos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures.
Os critérios estabelecidos para o endividamento eram de que a dívida líquida não deveria ultrapassar 3,5 vezes o potencial de geração de caixa (Ebitda, na sigla em inglês). Entretanto, ao final de 2025, a empresa alcançou um indicador de 4,27 vezes, o que resultou na reclassificação de uma parcela significativa da dívida para o passivo circulante. Isso pode acarretar vencimento antecipado e exigibilidade dessas obrigações pelos credores, além de gerar uma significativa pressão sobre a liquidez da companhia, conforme apontado pela Deloitte, empresa responsável pela auditoria.
Dependência de Ações da Diretoria
Os auditores destacam que a continuidade operacional da Oncoclínicas depende substancialmente da implementação bem-sucedida de planos delineados pela Diretoria. Esses planos incluem, entre outros, negociações com credores para obtenção de dispensas contratuais, acordos de adiamento de cobrança de dívidas e a captação de novos recursos ou reestruturação das obrigações financeiras. Contudo, a conclusão desses processos não está totalmente sob controle da companhia.
Indícios de Incerteza Relevante
A auditoria conclui que esses eventos ou condições indicam a existência de incerteza relevante que pode suscitar dúvidas significativas quanto à capacidade de continuidade operacional da Oncoclínicas.
Avaliação de Proteção Judicial
Em um comunicado ao mercado datado de 8 de abril, a empresa confirmou que está avaliando a possibilidade de solicitar proteção contra os credores na Justiça, caso venha a descumprir o índice financeiro de alavancagem estabelecido.
Na mesma noite, a Oncoclínicas divulgou uma série de documentos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que revelam a convocação de uma assembleia com seus debenturistas. A proposição da empresa era para aprovar uma trégua com os credores, de forma a evitar problemas relacionados às dívidas. Contudo, a reunião não se concretizou devido à ausência de investidores presentes, fazendo com que a única opção restante para a empresa seja buscar proteção judicial contra seus credores.
Fonte: veja.abril.com.br