Nas últimas semanas, tem se consolidado como majoritária a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) irá iniciar seu processo de redução de juros na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de setembro. Nesta segunda-feira (1º), o mercado estima quase 90% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 4,00% e 4,25%.
A redução pode parecer pequena, mas qualquer alteração na política monetária dos Estados Unidos tende a provocar efeitos que vão além das fronteiras americanas e pode impactar diretamente os investimentos no Brasil.
Brasil
Segundo Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno Research, um corte de juros pelo Fed reduz a atratividade dos títulos do Tesouro norte-americano, que são considerados os ativos mais seguros do mundo. “Isso abre espaço para um maior fluxo de capital em direção a economias emergentes, como o Brasil”, explica Almeida.
Harrison Gonçalves, CFA Charterholder e membro do CFA Society Brazil, acrescenta que o efeito é global: “Com a queda do diferencial de juros nos EUA, investidores buscam oportunidades em outros mercados. Isso valoriza ativos de risco, especialmente em países emergentes com boas perspectivas de crescimento e ativos ainda descontados.”
Renda Fixa no Brasil
O impacto também pode ser observado nos ativos de renda fixa. “Um corte de juros nos EUA amplia a margem de manobra do Banco Central brasileiro para reduzir a Selic. Isso pressiona a curva futura de juros para baixo, valorizando títulos prefixados e indexados à inflação já disponíveis no mercado”, afirma Almeida.
Nesse cenário, investidores que possuem papéis com prazos mais longos podem observar ganhos adicionais. Por outro lado, aplicações pós-fixadas, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, tendem a perder atratividade com a queda dos rendimentos.
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