Aumento do Petróleo Impacta IPCA e Especialistas Apontam Risco de Inflação Duradoura no Brasil

Projeções do Boletim Focus

O Boletim Focus, divulgado nessa segunda-feira (30) pelo Banco Central, elevou a previsão da inflação medida pelo IPCA para 4,31% em 2026. Este é o terceiro aumento consecutivo dessa projeção, enquanto a expectativa para a taxa Selic se manteve em 12,50%. A estimativa para o crescimento do PIB foi fixada em 1,85%. Economistas e analistas consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC identificam que o choque do petróleo, ocasionado pelos ataques dos EUA e Israel ao Irã, é um dos principais fatores que exercem pressão sobre a inflação e constitui um risco concreto ao crescimento econômico do Brasil.

Alta do Petróleo

Atualmente, o preço do Brent está acima de US$ 115 por barril, acumulando uma alta superior a 55% durante o mês de março. Há alertas de que uma escalada adicional nos preços pode fazer o barril atingir US$ 150 em abril.

Inflação (IPCA) importada via combustíveis e frete

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, observa que o Brasil observa um impacto rápido da inflação global, especialmente quando os preços do petróleo sobem. Segundo ele, “com a pressão sobre o petróleo devido à guerra no Oriente Médio, o Brasil rapidamente importa inflação, especialmente através dos combustíveis, transporte e custos operacionais. Essa situação tende a afetar os preços ao produtor e a margem das empresas”, afirmou.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, considera que esse choque atua como um imposto externo sobre a economia. Ele menciona que o ambiente atual combina um leve desancoramento das expectativas de inflação com um ajuste para cima na trajetória dos juros, o que reduz o espaço para flexibilização monetária e mantém a atividade econômica em um ritmo fraco. Lima emite um alerta sobre o risco de que esse choque se espalhe para os núcleos da inflação, o que reforçaria a necessidade do Banco Central assumir uma postura mais restritiva.

PIB em risco

João Kepler, CEO da Equity Group, resume o efeito do aumento do petróleo na economia brasileira. Ele afirma que o primeiro impacto no Brasil ocorre através dos preços de combustíveis, frete e energia. Contudo, o efeito mais significativo é a disseminação dessa pressão em toda a cadeia produtiva. “Se a tensão continuar, os setores mais afetados serão transporte, logística, aviação, indústrias que consomem muita energia e o varejo dependente da renda disponível”, analisa. “O PIB pode ser prejudicado, especialmente quando a inflação importada dificulta uma redução mais rápida das taxas de juros, resultando em uma desaceleração da atividade econômica.”

André Matos, CEO da MA7 Negócios, compartilha dessa visão. Para ele, o choque de energia não derruba a economia por si só, mas aumenta a probabilidade de que 2026 seja um ano de crescimento mais lento e desigual entre os setores. Matos aponta o varejo, o transporte, a aviação, a indústria e a construção como os segmentos mais vulneráveis a essa combinação de energia cara, juros elevados e crédito acessível de maneira restrita.

Alta no IPCA gera pessimismo estrutural

O tom de preocupação entre os analistas é expresso de forma mais contundente por André Perfeito, economista da Garantia Capital. Em uma nota divulgada nesta segunda-feira (30), Perfeito declarou estar mais pessimista do que em qualquer outro momento recente em relação ao futuro da economia brasileira.

Para ele, a deterioração das projeções do IPCA para 2026, 2027 e 2028 no Boletim Focus inviabiliza cortes mais significativos nas taxas de juros pelo Copom no curto prazo. Ele observa que o estado financeiro de famílias e empresas está se deteriorando, especialmente com os juros no nível atual e a alta alavancagem existente. “Com o IPCA nesse nível, podemos assumir que a Selic não diminuirá e assim teremos um desastre em curso”, escreveu.

Crédito e seletividade em investimentos

Peterson Rizzo, gerente de relações com investidores da Multiplike, ressalta que o aumento nos preços da energia encarece os custos, reduz os lucros e inibe investimentos, impactando negativamente o crescimento do PIB, especialmente nos setores de indústria, logística e transporte.

Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, e Araújo, da Azumi, assinalam que as circunstâncias atuais exigem uma maior seletividade em relação ao crédito. Padula sugere que estruturas como FIDCs se tornem alternativas viáveis para empresas que precisam de capital em um cenário em que o acesso ao crédito tradicional está mais restrito. Araújo sugere uma análise mais cuidadosa de recebíveis, concentração setorial e qualidade das garantias.

Adaptação das empresas

Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, e Leticia Moschioni, sócia da Finscale, comentam que o atual cenário também serve como um filtro dentro do ecossistema empresarial. Patrus acredita que modelos que prezam pela geração de caixa, eficiência e capacidade de adaptação ganham destaque. Moschioni avalia que as empresas que conseguem integrar tecnologia, crédito e estratégia financeira têm maior potencial para superar este ciclo econômico desafiador.

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que a dificuldade em fixar expectativas fiscais mantém a curva de juros em patamares elevados, prolongando a política monetária restritiva. Com um mercado de trabalho ativo e um setor de serviços resiliente, ele conclui que a inflação tende a perder força de forma mais lenta, exigindo uma postura cautelosa por parte do Banco Central.

Fonte: timesbrasil.com.br

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