Desempenho Financeiro da Auren no Terceiro Trimestre
Resultados Financeiros
A Auren (AURE3) apresentou mais um trimestre de prejuízos, conforme divulgado em seu balanço mais recente. A empresa, que é controlada pela Votorantim e pela CPP Investments, registrou um prejuízo líquido de R$ 403,7 milhões no terceiro trimestre. Esse resultado contrasta com o lucro de R$ 197,2 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia foi de R$ 664,3 milhões, refletindo uma queda de 34,2% em relação ao ano anterior. Quando ajustado, excluindo efeitos como a marcação a mercado de contratos de energia, o Ebitda ficou em R$ 772,7 milhões, registrando uma diminuição de 10,4%.
Fatores que Impactaram os Resultados
Os resultados desfavoráveis da Auren são atribuídos principalmente ao aumento nos cortes de geração de energia a partir de seus ativos eólicos e solares. Essa situação resultou em um impacto financeiro líquido de R$ 130 milhões no trimestre. Além disso, o risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) contribuiu para uma geração efetiva abaixo do que havia sido contratado pelas usinas hidrelétricas da empresa.
Em entrevista, o CEO da Auren, Fabio Zanfelice, comentou que a expectativa já era de uma piora nos cortes de geração por conta da sazonalidade da safra de ventos. No entanto, ele mencionou que outros fatores também influenciaram a situação. “Esse trimestre teve dois eventos que foram bastante importantes também para agravar a situação, que foi a geração distribuída crescendo mais do que esperado, e o consumo de energia que foi muito abaixo de 2024 devido às temperaturas”, destacou.
Expectativas e Medidas Futuras
Zanfelice afirmou que a Auren, junto a outros geradores de energia, aguarda uma solução em relação ao denominado “curtailment”. Essa solução pode acontecer com a sanção presidencial da medida provisória (MP) 1.304, que foi aprovada pelo Congresso e que estabelece novas regras para o ressarcimento às empresas afetadas pelas limitações de geração de suas usinas.
O executivo expressou apoio aos dispositivos contidos na MP, mas ressaltou a necessidade de compartilhar os custos do problema com o setor de geração distribuída. Segundo ele, esse segmento atualmente conta com benefícios tarifários e está crescendo de forma descontrolada no Brasil, o que estaria “roubando” o consumo das grandes usinas centralizadas. Zanfelice afirmou que “é um tema de extrema importância para o setor e isso precisa ser endereçado”. Ele observou que, na medida em que os investimentos em expansão do sistema no Brasil estão paralisados, a oferta de energia tende a diminuir, o que pode levar a problemas futuros no mercado, como um choque entre oferta e demanda.
Situação do Próximo Período H úmido
Referente ao próximo período úmido, que é crucial para a geração hidrelétrica no Brasil, o executivo manifestou a expectativa de “certa normalidade”. No entanto, ele não identificou, no momento, eventos extremos que possam trazer preocupações significativas acerca do suprimento de energia.
Integração e Reorganização Societária
Em relação às operações financeiras, a Auren completou a integração com a AES, capturando um total de R$ 212 milhões em sinergias resultantes desse processo. Neste momento, a empresa está avaliando uma possível reorganização societária, que poderá resultar em ganhos adicionais.
Essa reorganização deverá envolver a incorporação de dois braços da Auren pela Cesp, resultando na concentração dos ativos hidrelétricos do grupo em um único veículo. Essa mudança visa reduzir o número de companhias de capital aberto controladas e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência na gestão de caixa. Mateus Ferreira, vice-presidente de finanças da companhia, destacou a relevância desses movimentos para a estratégia da Auren.
Desalavancagem e Projetos Futuros
Ferreira também mencionou que a Auren permanece concentrada no processo de desalavancagem, que apresentou um índice de 4,9 vezes de dívida líquida sobre o Ebitda no trimestre, mantendo-se estável em comparação ao período anterior. Ele comentou que a única possibilidade de alteração nesse ritmo atual de desalavancagem seria a identificação de projetos com retornos suficientemente atrativos, que justificassem um pequeno atraso no processo com a finalidade de criar valor.
A empresa expressou o interesse em participar do leilão de reserva de capacidade, especialmente com sua hidrelétrica de Porto Primavera. Além disso, a Auren também está interessada no certame relacionado a baterias, buscando diversificar suas oportunidades de investimentos futuros.
Fonte: www.moneytimes.com.br