Avanços econômicos ainda não são adequados para a redução da Selic, afirma JP Morgan.

Perspectivas do Banco Central e do JP Morgan

O JP Morgan analisa que o Banco Central (BC) tem observado um progresso significativo em diversos indicadores em relação à meta estabelecida, no entanto, considera que esses avanços ainda não são suficientes para justificar uma alteração na postura em relação à política monetária vigente.

Desempenho Econômico e Inflação

Desde que a Selic foi mantida em 15%, a atividade econômica apresentou uma desaceleração. Nesse contexto, tanto a confiança empresarial quanto o crescimento do crédito têm mostrado um comportamento moderado. Além disso, a inflação registrou uma diminuição em relação ao pico sequencial observado no início deste ano, levando a uma diminuição nas expectativas inflacionárias e à valorização do câmbio.

Apesar das melhorias, os economistas Cassiana Fernandez, Mirella Sampaio e Vinicius Moreira enfatizam que esses avanços ainda não são suficientes para iniciar a flexibilização monetária. Embora o crescimento do emprego tenha diminuído, o mercado de trabalho continua aquecido e o hiato do produto permanece positivo. Simultaneamente, a inflação ao consumidor, a inflação subjacente, a inflação de serviços, assim como as expectativas e as projeções do BC, permanecem significativamente acima do centro da meta estabelecida.

O JP Morgan, assim como o consenso entre os analistas de mercado, prevê que a instituição mantenha a taxa básica de juros estável na próxima reunião.

Ajustes no Comunicado do Copom

Os economistas avaliam que, sob uma perspectiva qualitativa, a descrição do cenário apresentada na reunião do Copom em julho continua “notavelmente precisa”. O ambiente externo se mantém incerto, enquanto a economia interna passa por uma desaceleração desigual, com o mercado de trabalho demonstrando um dinamismo considerável. Tanto a inflação quanto as expectativas inflacionárias estão desalinhadas com a meta de 3%, e houve poucos avanços no balanço de riscos.

“Prevemos apenas ajustes marginais no comunicado da próxima semana”, afirmam Fernandez, Sampaio e Moreira em relatório. No que diz respeito ao aspecto quantitativo, mudanças podem ter um impacto maior. Embora o hiato do produto ainda pressione a inflação para cima, é provável que as projeções do BC considerem um real mais forte em relação ao dólar e expectativas de inflação diminuídas. Como resultado, as previsões de inflação devem registrar uma queda de aproximadamente um décimo.

“Isto reforçaria a ideia de que o aperto monetário implementado desde a segunda metade do ano passado está começando a produzir os resultados esperados”, acrescentam os economistas.

Expectativas para o Futuro

A instituição projeta que, enquanto o crescimento econômico permanecer contido por mais alguns trimestres, conforme antecipado, essa tendência deverá se solidificar no quarto trimestre deste ano. No cenário-base do JP Morgan, essa situação permitiria que o Banco Central iniciasse um ciclo de afrouxamento monetário já em dezembro, com um corte de 0,25 pontos percentuais, seguido por reduções consecutivas de 0,50 pontos percentuais. Isso resultaria em uma Selic de 10,75% até o fim do próximo ano.

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