Desempenho da B3 em 2023
O ano de 2023 começou de forma promissora para a B3 (B3SA3), que apresentou um crescimento de 30%. Este avanço supera de maneira significativa as ações de empresas como XP (XPBR31) e BTG (BPAC11), bem como outros papéis do setor financeiro, incluindo Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).
A valorização expressiva das ações da B3 levou a duas casas de análise a emitirem relatórios com recomendações divergentes. O BTG rebaixou sua recomendação de compra para neutra, enquanto o UBS BB aumentou sua indicação de neutra para compra.
Perspectivas de Valorização Limitada
De acordo com o BTG, apesar da valorização, a ação da B3 passou a ser negociada a 16 vezes o preço sobre o lucro (P/L), um índice considerado elevado e que limita o potencial de crescimento futuro.
Entretanto, os analistas do banco observam que a alta das ações é compreensível, dado que a B3 é um ativo altamente líquido e exerce uma influência considerável no índice de mercado.
Menos Dependência da Negociação de Ações
Outro fator relevante é que a B3 atualmente possui uma dependência reduzida de operações de ações. Além disso, um desdobramento favorável sobre a amortização do imposto sobre o ágio contribuiu para a diminuição dos riscos associados à empresa.
O BTG ainda ressalta que existem ações com maior potencial de valorização, como as da XP. Os analistas afirmam: “Neste momento, vemos um potencial de valorização superior (e maior geração de alfa) em bancos digitais como NU e Inter. Além disso, para opções focadas unicamente em taxas de juros, a empresa de pagamentos Stone é a preferida”.
Avaliação Otimista do UBS
Em contraste com a análise do BTG, o UBS apresenta uma avaliação mais otimista em relação ao futuro da B3. A firmamento da análise se baseia na expectativa de que o lucro da companhia deverá estar cerca de 10% acima do consenso estabelecido para os anos de 2026 e 2027.
Cenários Favoráveis para a B3
Os analistas do UBS identificam que o principal motor desse cenário otimista é o aumento do volume de negociações, que deverá ser impulsionado por uma flexibilização monetária, aumento da volatilidade em virtude do calendário eleitoral, e pela possibilidade de realocação de fluxos financeiros para mercados emergentes.
Além da sua atividade principal de negociação, a B3 tem a chance de se beneficiar de tendências positivas em outras áreas de seu negócio, o que pode resultar em revisões benéficas de lucro e em uma reprecificação do múltiplo ao longo do tempo.
No aspecto tributário, destaca-se o IoC adicional previsto para os próximos três anos, cujos benefícios fiscais são vistos como um fator que mais do que compensa a repercussão negativa do aumento da CSLL no curto prazo.
Concorrência e Valuation
Em relação à concorrência, o UBS sugere que os impactos da entrada de novos jogadores no mercado devem ser limitados no curto prazo, uma vez que muitos concorrentes ainda buscam ganhar escala ou dependem de aprovações regulatórias para avançar em seus planos.
Quanto à avaliação de mercado, a B3 atualmente negocia a 13 vezes o lucro estimado para o ano de 2026 e a 15 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Esses números indicam um desconto de 35% quando comparado às bolsas de mercados emergentes e de 31% em relação às bolsas globais, apresentando níveis próximos aos históricos, o que reforça a percepção de assimetria positiva para o papel.
Fonte: www.moneytimes.com.br