Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta 2025 desafiador — mas pode se destacar em 2026

Desempenho do Banco do Brasil em 2025

Se questionássemos um investidor no início do ano sobre o desempenho do Banco do Brasil (BBAS3), muitos provavelmente previam mais um período repleto de lucros expressivos e dividendos que certamente satisfariam os acionistas.

A razão por trás dessa otimismo é clara. Durante um intervalo de quatro anos, entre 2021 e 2024, o Banco do Brasil se destacou na bolsa de valores, atraindo mais de 1 milhão de investidores, tornando-se uma das instituições com a maior base acionária no mercado.

O Impacto do Agronegócio

O banco se beneficiou de resultados robustos, impulsionados pela resiliência operacional e pelos altos proventos. A instituição aproveitou o momento favorável do agronegócio brasileiro, que teve um crescimento acentuado, especialmente com a valorização de grãos, como soja e milho. A invasão da Rússia à Ucrânia, um importante produtor agrícola, desestabilizou os preços globais e impulsionou a demanda pelo setor agrícola, favorecendo o principal financiador desse segmento: o Banco do Brasil.

Para ilustrar o crescimento, o lucro anual saltou de R$ 12,6 bilhões em 2020 para um recorde histórico de R$ 38 bilhões em 2024, representando uma alta de 200%, o que surpreendeu até mesmo os investidores mais habituais.

O Ano para Esquecer

Contudo, em contrapartida ao sucesso dos anos anteriores, 2025 foi um ano para ser esquecido — descrito como "desastroso" por um gestor entrevistado. O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) caiu de 20% para 8%, enquanto o lucro desabou 60%, reduzindo-se para R$ 3,8 bilhões. Valores que antes chegavam a quase R$ 10 bilhões em um único trimestre agora se tornaram um reflexo preocupante da nova realidade da instituição.

Na bolsa de valores, enquanto outros bancos, como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e BTG (BPAC11), apresentaram altas acima de 50%, o Banco do Brasil deve concluir o ano com uma queda de 10%. Em uma análise mais detalhada, a redução em relação ao ponto máximo de 2025 chega a 29%.

Tempestade Perfeita

Assim como em uma queda de avião, um desastre raramente é ocasionado por um único fator, e no caso do Banco do Brasil não é diferente. Uma das principais causas da crise foi a modificação nas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN). A resolução nº 4.966/21, que passou a valer no atual ano, alterou a metodologia de provisões das carteiras.

Anteriormente, os bancos reconheciam provisões apenas quando as perdas ocorriam; agora, tornaram-se obrigados a prever riscos. Essa mudança difícil foi implementada em um momento em que o agronegócio, que tradicionalmente era a âncora do banco, enfrentou um aumento alarmante na inadimplência. Em 2025, o índice alcançou 8%, um número recorde, conforme dados da Serasa, com o setor financeiro sendo o maior responsável pelos calotes.

O resultado desse cenário fez com que as provisões para inadimplência – conhecidas como PDD – aumentassem substancialmente. No terceiro trimestre, o Banco do Brasil precisou elevar a provisão em 52%, totalizando R$ 100 bilhões, o que impactou diretamente o lucro da instituição. Um gestor que também falou ao Money Times calculou que essa elevação correspondente à inflação resultou em uma perda real de 11% no desempenho das ações. Em comparação com a bolsa, que registrou novos recordes, o Banco do Brasil deixou quase 40% de rentabilidade para trás.

Além disso, sem os lucros robustos de anos anteriores, o banco foi forçado a reduzir o payout, a parte do lucro distribuída como dividendos, para 30%, uma queda relevante em relação aos 45% que foram praticados nos anos de bonança.

Erro de Gestão

Um gestor consultado pelo Money Times afirmou que a administração do Banco do Brasil cometeu erros no que diz respeito ao acompanhamento e à construção da gestão de risco. A alteração nas normas do CMN foi anunciada em 2021, concedendo um período de quatro anos para que os bancos se adaptassem às novas diretrizes.

O gestor argumentou que a administração subestimou problemas que eram evidentes e que, portanto, deveria ter realizado trabalhos adicionais relacionados a ativos e passivos, com o intuito de alongar e adequar os riscos inerentes ao agronegócio, uma área já conhecida pelos riscos que apresenta.

Resposta do Governo à Crise

O governo agiu com uma Medida Provisória (MP 1314) para facilitar a renegociação de dívidas rurais em condições especiais, disponibilizando R$ 12 bilhões para apoiar até 100 mil produtores, com foco especial em pequenos e médios agricultores.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) também passou a oferecer acesso a até R$ 250 mil em crédito, com uma taxa de 6% ao ano. O Banco Central, por sua vez, flexibilizou critérios para empréstimos com parcelas em atraso, visando mitigar a crise no setor.

Até o momento, a instituição já renegociou R$ 13 bilhões em contratos sob a MP 1314 e projeta que esse montante possa atingir entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. A administração enfatizou, no entanto, que não antecipa reversão de provisões nesse momento, com atenção voltada para abril, período em que os empréstimos do Plano Safra começarão a ser quitados.

Prognóstico Futuro

Para 2026, espera-se que o banco tenha um crescimento moderado nos empréstimos, vinculado principalmente ao setor de pessoas físicas. Além disso, a deterioração nas carteiras de cartões de crédito associados a produtores rurais e os desafios enfrentados por pequenas e médias empresas devem permanecer.

Oportunidade para o Futuro

Muitos investidores questionam se a atual crise representaria uma chance de investimento no Banco do Brasil. O analista Flavio Conte, da Levante, sugere que a queda registrada neste ano, combinada com um cenário eleitoral favorável, pode constituir uma janela de oportunidade para aquisição de ações do banco.

Ele destaca que quem já possui ações deve considerar mantê-las, enquanto novos investidores devem limitar a exposição a no máximo 10% do total da carteira, evitando assim um risco excessivo.

Expectativas e Desafios Financiados pelo Setor Agro

De acordo com um gestor citado pelo Money Times, a recuperação do banco depende diretamente do desempenho do agronegócio. A lógica é simples: se o setor agrícola mostrar sinais de recuperação, isso aliviará a pressão de risco e contribuirá para a reestruturação da carteira. Caso consiga realizar ajustes eficazes, é possível que a rentabilidade retorne a índices de dois dígitos, embora ainda sem atingir os 20%.

Sobre as perspectivas do agronegócio, o gestor acredita que há chances de melhora, com avanços nos preços e na saúde operacional dos produtores. Entretanto, ele ressalta que, no caso do Banco do Brasil, a questão principal do risco ainda não foi adequadamente ajustada, o que torna incerta qualquer expectativa de melhora substancial para 2026.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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