Banco do Japão Eleva Previsões de Crescimento Econômico
O Banco do Japão anunciou na última sexta-feira um aumento nas previsões de crescimento econômico, mantendo a taxa de juros em 0,75%, à medida que o país se prepara para um período eleitoral.
Atualização das Previsões Econômicas
A instituição ajustou sua previsão de crescimento econômico para o ano fiscal que se encerrará em março de 2026, elevando-a de 0,7% para 0,9%, com uma expectativa de expansão do PIB para o ano fiscal de 2026 passando de 0,7% para 1%.
Desempenho do PIB
Os mais recentes números do PIB do Japão revelam que a economia encolheu mais do que o inicialmente estimado no terceiro trimestre, apresentando uma contração de 0,6% em relação ao trimestre anterior e de 2,3% em base anualizada.
Decisão Sobre a Taxa de Juros
O banco central decidiu manter a taxa de juros de referência inalterada em uma votação dividida de 8 a 1, após ter elevado a taxa para o nível mais alto em 30 anos em dezembro passado. Esta decisão foi tomada em meio a eleições antecipadas que podem levar a primeira-ministra Sanae Takaichi a reforçar sua defesa de um afrouxamento monetário e apoio fiscal.
Propostas de Aumento da Taxa
Em seu comunicado, o Banco do Japão revelou que o membro do conselho, Hajime Takata, sugeriu um aumento da taxa para 1%, afirmando que os riscos de preços no Japão estão tendendo para cima.
Política de Normalização
O Japão iniciou seu processo de normalização de política monetária em março de 2024, abandonando assim o último regime de taxa de juros negativa no mundo. O banco central enfatiza a necessidade de aumento das taxas, desde que isso ocorra dentro de um ciclo virtuoso de crescimento de salários e preços.
Pressões Políticas
Entretanto, essa política tem enfrentado pressão política, com vozes proeminentes, incluindo Takaichi, defendendo taxas mais baixas para impulsionar o crescimento econômico.
Dados de Inflação de Dezembro
Separadamente, o Japão divulgou seus dados de inflação de dezembro, com a inflação geral atingindo 2,1%, a menor taxa desde março de 2022, mas ainda acima da meta de 2% do Banco do Japão por 45 meses consecutivos.
Expectativas do Mercado
Analistas do banco holandês ING afirmaram antes da decisão sobre a taxa que "os mercados prestarão muita atenção à avaliação do governador Ueda sobre como a recente fraqueza do iene pode afetar a inflação."
Aumento dos Rendimentos de Títulos
Apesar da política de aperto monetário do Banco do Japão, os rendimentos dos títulos do país têm subido, atingindo máximas de várias décadas no último mês. Isso resultou em saídas de capital e na desvalorização do iene, enquanto as taxas reais permanecem negativas, de acordo com o Banco do Japão, em meio a preocupações fiscais crescentes.
Orçamento e Estímulo Fiscal
Takaichi planejou um orçamento recorde de US$ 783 bilhões para o próximo ano fiscal, que começa em 1º de abril, além de um pacote de estímulo de US$ 135 bilhões no ano passado, focado em ajudar as famílias com o aumento do custo de vida.
Declínio do Iene
Pressionado pelo aumento dos rendimentos em meio a preocupações fiscais, o iene viu um declínio significativo em relação ao dólar no final do ano passado, caindo cerca de 4,6% desde 21 de outubro, quando Takaichi assumiu o cargo de primeira-ministra, até seu nível atual de 158,97.
Aviso sobre Movimentos "Unilaterais"
Essa fraqueza levou a Ministra das Finanças, Satsuki Katayama, a alertar contra movimentos "unilaterais" na moeda. Katayama relatou a jornalistas em Washington na semana passada que expressou sua "profunda preocupação" sobre a depreciação do iene, e o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, compartilhou sua visão sobre a fraqueza "unilateral" da moeda japonesa.
Monitoramento dos Mercados Financeiros
Na sexta-feira, ela afirmou que o pânico no mercado de títulos parecia ter diminuído e que estava monitorando os mercados financeiros com um "alto grau de urgência."
Próximos Passos Políticos
Takaichi está programada para dissolver a Câmara Baixa do Japão mais tarde no dia, enquanto o país se prepara para as eleições em um pleito antecipado marcado para 8 de fevereiro.
Fonte: www.cnbc.com