Bancos centrais: por que as taxas de juros reagem de maneiras distintas ao impacto do petróleo

Bancos centrais: por que as taxas de juros reagem de maneiras distintas ao impacto do petróleo

by Editoria Bolsa e Mercado
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Alterações na Política Monetária dos Bancos Centrais

Diversos bancos centrais em várias regiões do mundo reverteram a direção de suas políticas monetárias, optando por aumentar as taxas de juros. O aumento dos preços do petróleo tem sido um fator significativo para essa mudança, mas o contexto econômico anterior é mais relevante para entender por que essas instituições estão reagindo ao choque de oferta.

Desafios em Relação à Inflação

O principal problema enfrentado por muitos países tem sido o processo incompleto de convergência da inflação em relação às metas estabelecidas, mesmo após vários anos de alta inflação em 2021 e 2022. Além disso, as economias ainda se encontram em um estado aquecido, com posições fiscais expansivas, o que representa um outro elemento a ser considerado neste contexto. A análise a seguir mostra que a indicação geral dos bancos centrais é de um aperto moderado na política monetária.

O Banco Central Europeu (BCE) foi um dos primeiros a alertar para a necessidade de ajustes na política monetária logo após o choque gerado pelo aumento dos preços do petróleo neste ano. Esse posicionamento foi influenciado pela experiência anterior da reação lenta à pandemia, que resultou em uma inflação elevada e na desancoragem das expectativas.

Ação do BCE

Após constatar que haveria efeitos colaterais significativos decorrentes do aumento dos custos de energia, o BCE decidiu elevar a taxa de juros em 25 pontos-base (pb) em junho. A instituição, no entanto, manteve uma postura de não fornecer previsões claras para futuras decisões, reiterando que as decisões seriam tomadas reunião a reunião.

O ponto de partida da inflação na zona do euro não era totalmente negativo, com a taxa de inflação total e a inflação núcleo ligeiramente acima de 2% em um período de doze meses. Após um intervalo em julho, o BCE voltou a aumentar suas taxas de juros em setembro, atingindo 2,50%. A sinalização atual indica pelo menos mais uma elevação, o que totalizaria um ciclo de 75 pb. As expectativas no mercado de juros futuros apontam para mais três aumentos adicionais de 25 pb, elevando a taxa para 3,25% ao ano, totalizando um ciclo de 125 pb.

Recentemente, a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, juntamente com problemas na oferta global de combustíveis, contribuiu para uma preocupação crescente nos mercados financeiros, em contraste com a comunicação mais moderada dos membros do BCE.

Federal Reserve e suas Decisões

Um dos casos mais relevantes no contexto global é o do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed). O caminho até a recente elevação de juros (25 pb na reunião de 16 de setembro) foi marcado por grande incerteza, especialmente em relação à postura do novo presidente da instituição, Kevin Warsh. Vale ressaltar que, no mesmo período do ano passado, o Fed havia realizado três cortes de 25 pb, reduzindo a taxa básica de 4,50% para 3,75% ao ano, em resposta ao temor de um aumento da taxa de desemprego.

Ainda no início de 2026, os mercados projetavam dois cortes adicionais de 25 pb. Três fatores explicam a rápida mudança de direção do Federal Reserve: o choque do petróleo, a robustez da atividade econômica em meio a esse impacto e a postura mais rigorosa do novo presidente em relação ao compromisso com a meta de inflação do país.

Expectativas Futuras do Fed

Após a recente elevação das taxas, espera-se que o ciclo de aumento continue, com novos ajustes de 25 pb. Embora a indicação atual dos membros do comitê de política monetária seja de apenas uma elevação adicional, a nova pressão sobre os preços do petróleo, a lenta diminuição da inflação e a firme expansão do Produto Interno Bruto (PIB) sugerem que o aperto será mais amplo do que o anunciado. Os mercados futuros preveem um aumento adicional de 75 pb, resultando em um ciclo total de 100 pb, o que elevaria a taxa básica de 3,75% para 4,75%.

Situação do Japão

No Japão, o Banco Central tem avançado em um ciclo de aumento das taxas de juros, mas em um contexto bastante distinto de suas contrapartes em outras regiões. Após anos enfrentando o risco de deflação, as políticas fiscais e monetárias extremamente expansionistas, em combinação com a inflação global resultante da pandemia, ajudaram a restaurar um nível mais normal de inflação em torno da meta de 2%. O que se constituiu como um desafio para o restante do mundo tornou-se, por sua vez, uma solução para a economia japonesa.

A partir de uma taxa de juros de -0,10%, o Banco Central do Japão (BoJ) iniciou um processo de normalização na política monetária em março de 2024, abandonando outras ferramentas como o controle da curva de juros de longo prazo. Desde então, foram implementados seis aumentos, com intervalos variados entre essas decisões. Atualmente, a taxa de juros no Japão está em 1,25% ao ano, resultando em um ajuste total de 135 pb durante os três anos.

Preocupações com a Inflação e a Moeda

Recentemente, o BoJ ajustou sua postura de extrema cautela em relação à normalização das taxas de juros, agora visando o risco de que a inflação supere a meta de 2%, além do valor bastante depreciado do iene. Surpreendentemente, a atividade econômica apresentou resultados positivos, mesmo diante dos impactos negativos do aumento dos preços do petróleo em uma economia que é dependente de importações desse recurso.

Um fator significativo por trás dessa resiliência tem sido o impulso fornecido pelo ciclo global de inteligência artificial. Apesar das intervenções do governo japonês no mercado de câmbio, mesmo em colaboração com o Tesouro dos Estados Unidos, não foi possível reverter a desvalorização da moeda.

Projeções Futuras para o Japão

Atualmente, a taxa de juros no Japão permanece significativamente abaixo do nível neutro, apresentando uma taxa negativa em termos reais. Em resposta à elevação dos juros promovida pelo Federal Reserve, é provável que haja uma mudança de postura por parte do BoJ, resultando em ajustes das taxas de juros mais acelerados, embora a instituição continue a aplicar aumentos de 25 pb a cada movimento de alta. As previsões do mercado indicam uma elevação das taxas para 2,00% em julho de 2027, em comparação com os atuais 1,25%. Há uma expectativa de que essa meta seja alcançada mais rapidamente do que o projetado pelos analistas financeiros.

A Situação no México

No que diz respeito aos países emergentes, o México oferece um caso de interesse particular. O banco central do país, conhecido como Banxico, tem continuado a reduzir a taxa de juros em consonância com suas diretrizes antes da crise provocada pelo aumento dos preços do petróleo. A partir de um pico de juros de 11,25%, o Banxico conduziu um longo ciclo de cortes que levou a taxa básica a 6,50%, alcançada em maio deste ano.

Condições Favoráveis para o Cortes de Juros

As condições econômicas internas contribuíram para esse ciclo de redução, que incluiu um ajuste fiscal após a eleição presidencial de 2024, a diminuição da inflação e um processo de desaceleração da atividade econômica. No entanto, a situação atual se apresenta sob uma nova perspectiva, pois a elevação das taxas de juros por parte do Fed resultará em um diferencial de juros entre o México e os Estados Unidos que será o menor da história.

Efeitos da Elevação das Taxas no Peso Mexicano

Essa mudança terá implicações diretas, levando à depreciação do peso mexicano, uma tendência que já vem sendo observada nas semanas recentes. Em resposta à alta das taxas promovida pelo Fed, as expectativas do mercado indicam que o Banxico precisará aumentar a taxa de juros em cerca de 100 pb nos próximos doze meses. No entanto, a comunicação oficial do banco central tem sido em sentido oposto, com uma sinalização de manutenção das taxas atuais.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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