Bancos da Zona do Euro e os Desafios Antecipados
Os bancos localizados na zona do euro devem se preparar para enfrentar choques sem precedentes que podem provocar graves perturbações com consequências de longo alcance para os sistemas financeiros. Essa afirmação foi feita pelo Banco Central Europeu (BCE) durante a apresentação de suas prioridades de supervisão para os anos seguintes.
Uma Nova Realidade para os Bancos
O BCE tem reiterado que os bancos se encontram diante de uma nova realidade, caracterizada por choques cada vez mais frequentes, que vão desde flutuações de tarifas até ciberataques. Isso implica na necessidade de que as instituições financeiras estejam prontas para lidar com uma gama de possibilidades, sem ter certeza sobre a natureza exata da próxima crise que poderão enfrentar.
Requisitos de Preparação
Para fazer frente a esse cenário, é imprescindível que os bancos mantenham buffers de capital saudáveis, atualizem sua infraestrutura tecnológica e adotem uma gestão proativa que esteja alinhada com as realidades financeiras contemporâneas. Além disso, é necessária uma supervisão mais intrusiva por parte das autoridades competentes.
O BCE destacou em seu comunicado que “tensões geopolíticas e mudanças nas políticas comerciais, crises relacionadas ao clima e à natureza, mudanças demográficas e rupturas tecnológicas estão exacerbando vulnerabilidades estruturais”. Isso torna a ocorrência de eventos extremos, com baixa probabilidade, sem precedentes.
Fortalecimento da Resiliência dos Bancos
Portanto, fortalecer a resiliência dos bancos frente ao risco político e às incertezas será a principal prioridade de supervisão do BCE. A atenção se concentrará na prática de uma tomada de riscos prudente e na capitalização adequada das instituições financeiras.
Teste de Estresse e Avaliação Contínua
Dada a natureza imprevisível de tais riscos, o BCE planeja implementar um teste de estresse reverso. Esse teste envolverá o fornecimento de níveis de perda de capital, obrigando cada banco a apresentar cenários que poderiam levar a tais perdas. Contudo, por enquanto, os bancos estão se saindo bem. De acordo com o BCE, eles se demonstram resilientes, com forte lucratividade e qualidade de ativos estável, o que é resultado, em parte, de um crescimento econômico constante e inflação controlada.
Por conta disso, os requisitos gerais de capital continuarão estáveis durante o presente ano, sendo que um buffer não vinculativo, conhecido como Pillar 2 guidance, será efetivamente flexibilizado. Os requisitos de capital Common Equity Tier 1 (CET1) válidos para 2026 permanecerão fixos em 11,2%, conforme relatado pela instituição financeira.
Preocupações sobre o Futuro
Embora o ambiente atual seja favorável, o BCE adverte que essa situação benigno não deve durar. Existem riscos significativos à vista, especialmente devido às tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia, assim como a incertezas geopolíticas mais amplas. Esses fatores podem impactar setores que têm altos volumes de exportação para os Estados Unidos, como os setores automotivo, químico e farmacêutico, o que pode levar a uma deterioração na qualidade dos ativos desses segmentos.
Vulnerabilidades nos Mercados Financeiros
Os mercados financeiros também correm o risco de correções repentinas, com formuladores de políticas destacando que os preços dos ativos podem não refletir adequadamente o risco político, resultando em avaliações exageradas. Para mitigar esses riscos, o BCE irá priorizar uma abordagem cautelosa em termos de tomada de riscos, assim como a aplicação de padrões sólidos de concessão de crédito, a fim de evitar a geração de futuros créditos inadimplentes, conforme mencionado pela instituição.
Fonte: www.moneytimes.com.br