Banco Central da China Mantém Taxa de Juros Inalterada
O Banco Central da China, conhecido como PBOC, decidiu, na quinta-feira (18), manter inalterada a taxa de juros referência de sua política monetária. Essa decisão demonstra que as autoridades não têm pressa em adotar medidas de flexibilização, mesmo após o Federal Reserve dos Estados Unidos ter anunciado uma redução nas taxas em um intervalo muito próximo.
Exportações e Mercado de Ações
Segundo especialistas do mercado, a resiliência das exportações e a recuperação robusta do mercado acionário têm proporcionado ao governo espaço para continuar com outros estímulos, apesar de uma desaceleração econômica mais ampla que está sendo observada.
Hui Shan, economista-chefe para a China do Goldman Sachs, comentou: "Embora a economia esteja se desacelerando como previsto, parece que a magnitude dessa desaceleração não é tão severa quanto imaginávamos". Além disso, ele mencionou que os dados de atividade econômica referentes ao mês de agosto indicam que a força das exportações chinesas deve continuar, permitindo ao governo adiar algumas políticas de apoio que estavam planejadas para serem implementadas ainda neste ano.
Injeção de Liquidez pelo PBOC
O Banco Popular da China injetou 487 bilhões de iuanes, o que equivale a cerca de US$ 68,56 bilhões, em operações compromissadas reversas de sete dias por meio de operações do mercado aberto, mantendo a taxa estável em 1,40% em comparação com a operação anterior. Essa taxa de operações compromissadas agora atua como a principal taxa de política monetária do país.
Expectativas de Estímulos Futuros
Embora os dados econômicos recentes da China tenham sido sombrios, Ting Lu, economista-chefe da Nomura para a região, expressou que um estímulo maior pode correr o risco de inflacionar uma bolha no mercado de ações. Por outro lado, ele acredita que o banco central poderia realizar um corte modesto de 10 pontos-base na taxa nos próximos dias, caso ocorra uma correção nos mercados.
Atualmente, o mercado de ações da China apresenta um desempenho positivo, com o Índice Composto de Xangai, que serve como um referencial para o mercado, oscilando próximo aos seus maiores níveis em dez anos.
Medidas de Flexibilização Monetária
Alguns analistas também consideram que há possibilidades de medidas de flexibilização monetária ainda neste ano, com o intuito de garantir que a segunda maior economia mundial prossiga na direção de atingir sua meta de crescimento para o ano, que é de "cerca de 5%". Xing Zhaopeng, estrategista sênior para a China do ANZ, destacou que "ainda há chances de flexibilização no quarto trimestre". Ele complementou que "a desaceleração atual do crescimento ainda não é suficiente para comprometer a meta anual de crescimento de ‘cerca de 5,0%’".
Foco em Planos de Longo Prazo
O 15º Plano Quinquenal e as reformas estruturais de longo prazo continuam sendo prioridades centrais para o governo. Após a realização da Quarta Sessão Plenária, é esperado que o foco da política se desloque novamente para o crescimento de curto prazo.
Os principais líderes da China estão agendados para realizar a quarta sessão plenária em outubro.