BC tem prazo até quarta-feira para indicar possível alteração na taxa de juros.

BC tem prazo até quarta-feira para indicar possível alteração na taxa de juros.

by Fernanda Lima
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Período de Silêncio do Banco Central

Às 12 badaladas que marcam a meia-noite da quarta-feira, 11, inicia-se o período de silêncio da diretoria do Banco Central (BC) com relação à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Este intervalo se estende até o dia 18, quando o colegiado divulgará sua decisão a respeito da taxa básica de juros. Durante esse período, os membros da alta cúpula do BC estão proibidos de expressar suas opiniões sobre o cenário econômico e evitarão dar quaisquer pistas sobre os tópicos que serão discutidos na reunião, preservando a integridade da política monetária, que visa controlar a inflação através dos juros.

O mercado mantém altas expectativas quanto ao início de um ciclo de cortes na taxa Selic, movimento que foi sinalizado pelo Copom em janeiro, desde que as condições esperadas pela diretoria do BC se confirmem.

Entretanto, o cenário se alterou drasticamente desde que os Estados Unidos e Israel realizaram um ataqueIrã, que respondeu disparando mísseis em direção ao território israelense e para outros países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.

As 24 horas que antecedem a quarta-feira, 10, representam a última oportunidade para o Copom comunicar um sinal público relacionado a possíveis mudanças nas perspectivas para a decisão de juros antes da reunião.

“Hoje é um teste crucial. O BC inicia o período de silêncio na quarta. Se tiver uma visão diferente da que foi anunciada na reunião anterior, uma boa prática seria fazer uma declaração em evento ou entrevista para não alarmar o mercado”, afirma Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

Economistas consultados pelo CNN Money refletem sobre o efeito prático que a guerra pode ter no rumo da política monetária.

Tensão no Mercado

A pressão em relação a essa reunião aumentou significativamente na semana passada, em decorrência do avanço da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.

Em seus últimos comunicados, o Copom já estava manifestando incertezas sobre o cenário global, e sua mais recente decisão sobre os juros, em janeiro, seguiu essa linha.

“O ambiente externo permanece incerto, diante da conjuntura e das políticas econômicas dos Estados Unidos, refletindo nas condições financeiras globais. Essa situação requer cautela por parte de países emergentes em um contexto de crescente tensão geopolítica”, destaca a nota divulgada após a última reunião, que decidiu manter a Selic a 15% ao ano, mas indicou uma possível redução na próxima reunião.

Com o início do ciclo de afrouxamento da política monetária, o mercado começou a discutir a magnitude de uma eventual redução dos juros.

Antes do início da guerra, em 27 de fevereiro, mais de 70% dos investidores acreditavam que o corte da taxa seria de 0,5 ponto percentual, conforme mostrado nos contratos de opções do Copom negociados na B3. Após a eclosão do conflito, surgiram questionamentos sobre se tal queda abrupta seria segura.

Impacto do Conflito no Orçamento do Consumidor

Mas como a guerra se relaciona com o cenário econômico? O conflito no Oriente Médio resultou na diminuição do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota que passa pelas águas do Irã e de Omã e é considerada um ponto estratégico para o transporte global de petróleo.

Estima-se que aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente transite por esta região, abastecendo economias significativas como a da China e da Índia. De acordo com a ferramenta de monitoramento de tráfego marítimo Marine Traffic, o tráfego de petroleiros pela Ormuz caiu em 90% desde o início do conflito.

Com a redução do fluxo, os preços do petróleo no mercado internacional dispararam, alcançando US$ 100 nesta segunda-feira, 9. Apesar da leve retração no pós-mercado, após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito da diminuição de sanções relacionadas ao petróleo para controlar os preços da energia, os contratos futuros do barril da commodity continuaram cotados acima de US$ 80.

“O problema não é a falta de petróleo, mas a dificuldade logística. Quando o escoamento se torna um problema de produção devido à capacidade limitada de armazenamento, a produção precisa ser interrompida”, explica Gino Olivares, da Azimut.

“Compreendo que Trump está em busca de uma solução. Nessa perspectiva, o mercado alivia a pressão e precifica um retorno à normalidade”, adiciona.

Um aumento no preço do petróleo significa também um aumento nos preços dos combustíveis. Com os combustíveis mais caros, toda a produção e o transporte que dependem deles acabam onerosos, levando a uma contaminação inflacionária generalizada.

O preço do petróleo em torno de US$ 80 projeta um impacto de 0,25 ponto percentual na inflação brasileira, conforme relatório da Tendências Consultoria.

A Guerra Influi nos Juros?

Se a reunião do Copom fosse realizada neste momento, Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, acredita que a autarquia optaria pela cautela, iniciando o ciclo de cortes com uma redução de 0,25 ponto. No entanto, ele ressalta que ainda há “mais uma semana pela frente”.

“É impossível prever o que poderá acontecer. O mercado reagiu positivamente às declarações de Trump, e, de repente, a guerra pode se encerrar rapidamente. Se essa melhora se concretizar, isso dá mais conforto ao Copom. A questão não é uma mera projeção, mas a incerteza do momento, que é bastante complexa”, observa Schwartsman.

“A primeira consideração é que o cenário para o Banco Central se torna muito mais ambíguo. Embora tenha recuado no pós-mercado de segunda-feira, o preço do petróleo está mais alto do que na última reunião do Copom, o que pode afetar a projeção de inflação via preços dos combustíveis”, complementa.

Entretanto, Schwartsman enfatiza que ajustes pontuais não devem interferir nos planos de queda das taxas de juros, uma vez que o Copom analisa um horizonte a longo prazo. Para que o cenário impacte as decisões do BC, seria necessário que a inflação se visse afetada entre outubro de 2026 e setembro de 2027.

Nessa mesma linha, Tony Volpon, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC e colunista do CNN Money, continua apostando em um corte de 0,5 ponto.

“Sempre acreditei que essa guerra seria relativamente breve, não se estenderia por semanas ou meses, mas sim seria encerrada assim que Israel tivesse degradado o complexo industrial militar iraniano”, argumenta Volpon.

“Assim que o petróleo atingiu US$ 100, Trump anunciou que ‘já basta’, sugerindo que o conflito pode se resolver em breve, o que influenciou a reação do mercado. Essa leve alta nas expectativas em relação à Selic levanta a questão de quanto desse cenário está sendo afetado por fatores de curto prazo, que podem muito bem mudar nos próximos dias”, ressalta.

O cenário sugerido pela Azimut permanece em um corte de 0,5 ponto, assim como a mediana do mercado indicada pelo Boletim Focus de segunda-feira. No entanto, Gino Olivares menciona que “a palavra ‘calibragem’ é fundamental, passando de restritivo para menos restritivo, mas ainda restritivo”.

“O problema é temporário. Mesmo que intenso, na minha perspectiva, isso não deveria alterar a decisão. O Banco Central não deve ser afetado por ruídos de curto prazo”, defende Olivares.

A cautela também é sublinhada por Schwartsman. “O Copom ainda apresenta, nas suas projeções, espaço para realizar cortes nos juros. O que pode ocorrer é que o grau de incerteza sobre essas projeções pode levar o comitê a ser mais cauteloso”, conclui o ex-membro do Banco Central.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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