Impacto das Apostas no Varejo
A consolidação dos sites de apostas, também conhecidas como bets, teve um efeito significativo no comércio brasileiro. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, essa mudança pode ser observada na redução do faturamento do varejo.
Efeitos das Apostas no Consumo
Humai afirmou, em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (4), que "as bets estão tirando, sim, dinheiro do consumo e dos shoppings". Ele destacou que as apostas online movimentam cerca de R$ 30 bilhões anualmente, um montante considerável que impacta diretamente o consumo. O presidente da associação ressaltou que "as pessoas que estão com pouco dinheiro, muito endividadas e, ainda jogando nas bets, têm mais dificuldade para comprar”.
Concorrência com o Comércio Eletrônico
Outro fator que tem contribuído para a competição enfrentada pelos shoppings é o crescimento do comércio eletrônico. A evolução das entregas, que agora são mais rápidas e abrangem um número maior de localidades no país, tem influenciado as decisões de compra dos consumidores. Humai observou que, "antes, as pessoas pegavam o carro para ir ao shopping, mas hoje podem comprar certos itens pela internet".
A Resiliência dos Shoppings
Apesar dos desafios impostos pelas apostas e pelo comércio eletrônico, os shoppings têm se adaptado e se diversificado. Eles agora oferecem mais do que apenas compras; estão se tornando centros de lazer, alimentação e serviços. Estabelecimentos como academias, clínicas médicas e centros de estética estão se tornando cada vez mais comuns nesses locais.
Aumento no Tempo de Permanência
O tempo médio que os visitantes permanecem nos shoppings aumentou para 80 minutos, marcando um recorde. Nos anos anteriores, esse tempo estava em torno de 73 minutos, enquanto durante a pandemia, havia caído para menos de 30 minutos.
Performance do Setor
Humai comentou sobre o crescimento das vendas, que foi de 1,2% em 2025 em relação a 2024, considerou esse resultado positivo. O setor de shopping centers faturou um total de R$ 201 bilhões no último ano.
Ele observou que, "o crescimento poderia ter sido maior que 1,2%, mas o ano foi confuso. O juro foi muito alto no ano passado, o que pode ter desacelerado um pouco o ímpeto dos lojistas em crescer. Contudo, a melhora no emprego e no aumento da massa salarial contribuiu para as vendas."
Inaugurações e Perspectivas Futuras
O presidente da Abrasce também destacou que os 81 shoppings inaugurados desde 2020, período marcado pela pandemia, ainda estão em processo de amadurecimento. Esses centros estão atraindo um número crescente de consumidores e lojas, mas, atualmente, estão apresentando vendas abaixo do seu potencial. Segundo Humai, "isso puxa a média de vendas do setor para baixo, mas tende a mudar quando eles amadurecerem".
Fonte: www.moneytimes.com.br