Boato sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida gera 181 mil comentários em apenas 20 horas.

Boato sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida gera 181 mil comentários em apenas 20 horas.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Boato sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida

O rumor de que o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, teria dado apoio a uma proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil gerou um significativo burburinho nas redes sociais, contabilizando 180.857 comentários em um período de 20 horas, segundo levantamento realizado pela Vox Radar, uma empresa especializada em monitoramento de mídias sociais.

Conforme os dados da Vox Radar, as menções à questão foram feitas por 139.677 perfis de usuários, que geraram 902 mil curtidas. O estudo foi encomendado pela CNN. Flávio Bolsonaro reagiu ao boato, negando qualquer apoio à proposta mencionada.

O levantamento indicou que os primeiros comentários sobre o assunto começaram a aparecer na noite de quinta-feira, dia 24. Segundo a Vox Radar, “nas primeiras cinco horas, 92% dos comentários que tomavam posição acreditavam no boato, e a reação era uma defesa à santa: ‘ninguém mexe com Nossa Senhora’”. O volume de interações cresceu expressivamente na manhã da sexta-feira, dia 25, atingindo um pico às 14h, quando foram registrados 33.643 comentários em uma única hora.

Origem do boato

A informação que desencadeou a polêmica teve sua origem no projeto legislativo 2.623/2007, proposto pelo então deputado e pastor da Assembleia de Deus, Victorio Galli. A proposta visava substituir a designação “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”. Este projeto foi arquivado em 2008, e Galli, posteriormente, atuou como assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2019. A divulgação da informação errônea foi feita pela GloboNews na quinta-feira (24), que em seguida afirmou ter cometido um equívoco.

De acordo com a Vox Radar, dois temas dominaram as discussões nas redes sociais: a teoria de “fake news do PT” e o erro da Globo, que somou 46.827 menções, e as questões ligadas à fé e ao voto católico, que englobaram 47.104 comentários. “Os dois últimos quase não se misturam: quem fala sobre fake news desmente o boato, enquanto quem aborda a fé acredita nele”, observou a empresa. O projeto de lei relacionado ao assunto foi mencionado em apenas 4.401 comentários.

A análise dos comentários revelou que a maior parte deles (36%) desmentiu ou expressou descrença no boato, ao passo que 26% demonstraram acreditar na informação e reiteraram as menções. “A posição sobre o boato divide-se de acordo com os alinhamentos políticos dos comentaristas. No espectro da direita, 72% dos comentários desmentiram a informação, enquanto praticamente ninguém acreditou nela (354 menções). Por outro lado, na esquerda, 65% mostraram acreditar no rumor e 136 desmentiram”, avaliou a Vox Radar.

O levantamento também mostra que entre os comentários de usuários que não se identificam com um lado político, 44.712 foram feitos, dos quais 32% acreditavam na proposta, 9% desmentiam e 33% não tomaram uma posição clara. Quando observados os usuários que se declaram católicos, 47% manifestaram acreditar no boato, enquanto 14% desmentiram.

A análise da situação realizada pela Vox Radar sugere que a direita teve uma superioridade em volume de comentários, enquanto a esquerda se destacou na ressonância das opiniões. “Aqueles que desmentem o boato produziram 1,4 vezes mais comentários, enquanto quem acredita no rumor acumula 2,2 vezes mais curtidas”, apontou a Vox Radar.

O estudo conclui que a correção feita pela GloboNews e o desmentido promovido por Flávio Bolsonaro não tiveram um impacto significativo fora de suas bolhas de opinião. “O público católico foi aquele onde o desmentido ressoou menos. A correção parece ter funcionado mais para aqueles que já apoiavam Flávio, mas não teve a mesma eficácia entre os que não se identificam claramente com algum lado político. Para esse público, a associação entre a santa e o nome de Flávio prevaleceu, mais do que uma acusação direta contra ele”, destacou a análise.

Para a Vox Radar, o rumor acabou gerando pressão sobre o senador Flávio Bolsonaro, mas o dano eleitoral que ele pode causar é considerado limitado. “O boato alcançou também os que não são da esquerda: pessoas sem uma afiliação política clara e católicos dominaram as interações, inclusive nas postagens feitas pela imprensa. E o boato custou ao Flávio tempo e espaço em sua agenda, promovendo uma série de reações públicas, como um vídeo, publicações em sua conta no Instagram, declarações a jornalistas no Rio e a notícia-crime apresentada ao Ministério Público Eleitoral, tudo isso a apenas nove dias das eleições. O efeito do rumor sobre Flávio se resume a tempo perdido e imagem, e não necessariamente a votos diretos”, analisou a Vox Radar.

Desmentido e reação de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro se manifestou em pelo menos duas ocasiões, desmentindo o boato. “É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil. Respeito todas as religiões. Nunca vou dizer à Igreja Católica como seus padres devem ou não induzir sua congregação. Isso não é papel do Estado interferir na religião, como faz o Lula”, afirmou ele a jornalistas, após participar de uma cerimônia de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Intervenção do TSE

Na mesma noite de sexta-feira, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou a remoção imediata de publicações relacionadas ao rumor por parte das plataformas Meta, X, TikTok e YouTube. Na sua decisão, Mendonça reconheceu que era “notoriamente inverídico o núcleo factual segundo o qual Flávio Nantes Bolsonaro ou sua família propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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