Volatilidade das Ações Durante Eleições Presidenciais
As principais ações da Bolsa brasileira apresentaram oscilações que chegaram a ser duas vezes mais intensas nas semanas que se seguiram à votação em comparação com as semanas anteriores ao primeiro turno em eleições presidenciais nos últimos anos. O estudo conduzido pela Economatica revelou que esse aumento na volatilidade das ações ocorre principalmente após a divulgação dos resultados eleitorais.
Análise de Dados Históricos
O estudo em questão analisou 26 ações que permaneceram no índice Ibovespa desde 2010. Em todas as quatro eleições anteriores, a semana que antecedeu a votação não foi a que registrou o maior nível de volatilidade. Por exemplo, em 2018, 15 das 26 ações alcançaram seu pico de volatilidade na semana seguinte ao primeiro turno, enquanto em 2014, 17 ações registraram esse maior nível na semana após o segundo turno.
Em termos de volatilidade, 2018, por exemplo, viu um aumento médio das ações para 3,95% na semana após o primeiro turno. Em comparação, em 2014, a volatilidade média saltou para 4,12% na semana seguinte ao segundo turno. Nas semanas que antecederam os turnos, esses índices estavam bastante abaixo, em torno de 2%.
Na comparação entre as semanas, observou-se que, nas eleições de 2014 e 2018, o pico médio de volatilidade das ações foi aproximadamente duas vezes maior do que o registrado na semana anterior ao primeiro turno. Em 2022, essa alta foi de 1,6 vez, enquanto em 2010 foi de 1,4 vez.
Analisando a volatilidade mensal, ficou constatado que a volatilidade do mês de outubro ultrapassou a de setembro em todas as quatro eleições analisadas. O aumento foi de 58% em 2014, 46% em 2018, 18% em 2022 e 8% em 2010.
Setores que Reagem às Eleições
Reações do Mercado
As ações que estão mais expostas ao governo e ao crédito interno são as que mais reagem durante o período eleitoral. No contexto do estudo, destacam-se as ações de empresas como Cosan (CSAN3), Axia Energia, antiga Eletrobras (AXIA3), Santander (SANB11), Cemig (CMIG4), Bradesco (BBDC3; BBDC4), Petrobras (PETR3; PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3). Em média, as volatilidades desses papéis em outubro foram pelo menos 1,5 vez maiores do que em setembro, durante as eleições de 2010 a 2022.
Comportamento de Outros Setores
Em contrapartida, ações de setores como siderúrgicas e exportadoras, que estão vinculadas a preços de commodities e ao câmbio, mostraram um comportamento distinto. As ações da Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Usiminas (USIM5) tiveram níveis de volatilidade similares entre os meses de setembro e outubro.
Situação da Volatilidade em 2026
Contexto Atual
Em 2026, o mercado financeiro se encontra à véspera do primeiro turno, programado para o próximo domingo (4), com um clima percebido como mais calmo. A volatilidade média das 26 ações analisadas foi de 1,51% na semana que se encerrou em 27 de setembro, representando uma queda de 23% em relação à média de volatilidade observada na mesma janela de tempo nas quatro eleições anteriores, que foi de 1,97%, e também se demonstrou inferior ao nível de 2010, que foi de 1,55%.
Comparação com Históricos
Neste ano especificamente, 22 das 26 ações analisadas apresentaram volatilidade abaixo da média histórica para a mesma semana antecedente ao primeiro turno. Entre as exceções estão CSN (CSNA3), Natura (NATU3), Cosan e Lojas Renner (LREN3).
Ao observar o histórico, notou-se que as semanas subsequentes ao primeiro e ao eventual segundo turno merecem um grau de atenção elevado se comparadas a eleições anteriores. O período que segue o primeiro turno, neste ano, será entre os dias 5 e 9 de outubro, e os dias posteriores ao eventual segundo turno ocorrerão entre 26 e 30 de outubro, após a votação em 25 de outubro.
Fonte: www.estadao.com.br
