Brasil: Análise dos Desafios e Possíveis Rivais nas Eleições de 2026.

O Brasil e seu Histórico no Oscar

Se, em “Central do Brasil”, uma carta é descrita como “esperança dobrada”, chegar ao Oscar com cinco indicações em um mesmo ano faz o Brasil viver uma espécie de esperança quintuplicada.

O filme “Agente Secreto“, dirigido por Kleber Mendonça Filho, está concorrendo em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Seleção de Elenco (uma nova categoria). Além disso, “Sonhos de Trem” traz nossa quinta indicação, com a nomeação para Melhor Fotografia, que é creditada ao paulista Adolfo Veloso.

Apesar de emendar dois anos consecutivos com indicações na principal premiação do cinema mundial, o Brasil compete com produções e profissionais renomados em todas as categorias em que está presente, e o histórico do país no Oscar não é exatamente otimista.

Até o momento, o Brasil já concorria ao prêmio em 22 ocasiões distintas, englobando produções puramente nacionais e co-produções com outros países. No entanto, a primeira vitória do país só ocorreu na temporada anterior, com o prêmio de Melhor Filme Internacional para “Ainda Estou Aqui”.

Quem já venceu o Brasil no Oscar?

Na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil recebeu seis indicações. A primeira delas foi para “O Pagador de Promessas”, em 1963, onde perdeu para o filme francês “Sempre aos Domingos”.

Enquanto a obra brasileira de Anselmo Duarte aborda o choque entre fé popular, instituições religiosas e intolerância social, a produção francesa apresenta uma narrativa mais íntima e psicológica, consolidando-se como um dos principais filmes na filmografia de Serge Bourguignon.

A trama se centra na amizade entre um veterano de guerra da Indochina que sofre de amnésia e uma criança órfã, que foi abandonada pelos pais.

“O Quatrilho” perdeu para “A Excêntrica família de Antonia”

Em 1996, “O Quatrilho” buscou reconhecimento na mesma categoria, mas quem levou o prêmio foi o filme dos Países Baixos, “A Excêntrica família de Antonia”. O longa brasileiro conta a história de dois casais muito próximos que decidem morar juntos para sobreviver.

Com o tempo, a esposa de um dos casais se apaixona pelo marido do outro, e ambos acabam fugindo para recomeçar a vida, deixando seus parceiros originais para trás. O enredo apresenta uma experiência dolorosa e constrangedora, mesclando elementos românticos.

Por outro lado, “Antonia” se apresenta como uma utopia feminista, começando com a protagonista acordando aos 90 anos, no dia em que sabe que irá morrer. O filme retrata sua trajetória desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando ela decide voltar ao vilarejo natal e formar uma comunidade matriarcal, focada na solidariedade e na resistência às convenções sociais.

Ao longo das gerações, a obra aborda temas como maternidade, sexualidade, violência e escolhas individuais, utilizando um tom sóbrio, mas permeado por humor e sensibilidade.

“O que é isso, companheiro?” perdeu para “Caráter”

Depois, em 1998, “O que é isso, companheiro?” teve sua vez, com um elenco que contava com Fernanda Torres e Selton Mello, que também atuaram em “Ainda Estou Aqui”. O filme brasileiro acabou perdendo para “Caráter”, também dos Países Baixos.

Baseado em um livro homônimo, a peça dirigida por Bruno Barreto retrata a história de jovens da classe média carioca que, em 1969, durante a ditadura militar, decidem sequestrar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil — um evento real que foi narrado por um dos militantes envolvidos, Fernando Gabeira. O embaixador sequestrado na vida real foi Charles Elbrick.

A obra é considerada uma importante narrativa sobre a luta contra a ditadura, embora misture elementos de ficção e fatos para contar a história do sequestro que abalou o regime militar.

A produção vencedora na categoria naquele ano apresenta a trajetória de Jacob Katadreuffe, um jovem advogado em Roterdã durante a Grande Depressão.

Criado por sua mãe, que o acolheu como bastardo de um oficial de justiça, a relação entre Jacob e seu pai é marcada por conflitos e rejeições, refletindo a dinâmica familiar da época. A história é recontada em flashes, revelando os desafios que Jacob enfrenta para se tornarem um advogado de sucesso.

“Central do Brasil” perdeu para “A Vida é Bela”

No ano seguinte, “Central do Brasil”, dirigido por Walter Salles, segue a jornada de Dora, uma ex-professora que vive escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

Após a morte da mãe de um menino a quem escreveu uma carta, Dora assume a responsabilidade de ajudá-lo a encontrar seu pai no interior do Nordeste. A viagem transforma a relação entre os dois e serve de pano de fundo para um retrato sensível do Brasil profundo, marcado por deslocamentos, perdas e a busca por pertencimento.

Neste ano, a produção brasileira perdeu para o aclamado filme italiano “A Vida é Bela”, que conta a história de um pai judeu enviado a um campo de concentração nazista com seu filho. O pai utiliza humor e imaginação para proteger a criança dos horrores do Holocausto, transformando a experiência em um jogo para preservar a inocência do filho.

A narrativa ressoa com o momento ao unir memória histórica, emoção e uma mensagem universal sobre afeto, resistência e humanidade diante da barbárie, tocando públicos que vão além do circuito europeu.

Adicionalmente, Fernanda Montenegro também esteve na disputa pela categoria de Melhor Atriz, mas acabou perdendo para Gwyneth Paltrow por sua atuação em “Shakespeare Apaixonado”. Este desfecho é lembrado com frequência no Brasil, especialmente após Fernanda Torres perder recentemente o prêmio de Melhor Atriz para Mikey Madison, em “Anora”.

Outras categorias

Um dos reveses significativos para o cinema brasileiro aconteceu em 2004, com “Cidade de Deus”. Esta produção, reconhecida internacionalmente e frequentemente citada como um dos grandes filmes de sua geração, acumulou quatro indicações ao Oscar — nas categorias de Direção, Roteiro Adaptado, Montagem e Fotografia.

Contudo, ficou de fora das disputas por Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro, não levando nenhuma estatueta, apesar de ter recebido amplo reconhecimento da crítica em todo o mundo.

Existem também dois casos emblemáticos relacionados à indústria cinematográfica nacional que, apesar de forte conexão com o Brasil, não entram oficialmente na conta das conquistas brasileiras no Oscar.

O filme “Beijo da Mulher-Aranha”, de Hector Babenco, obteve quatro indicações em 1986 e acabou garantindo a estatueta de Melhor Ator para William Hurt. Já “Orfeu Negro”, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960, é frequentemente lembrado. Ambas as produções são co-produções com envolvimento brasileiro, mas, segundo a Academia, o primeiro é creditado aos Estados Unidos e o segundo à França.

Além disso, o Brasil teve presença em outras categorias ao longo dos anos. Os filmes “Raoni” (1978), “Lixo Extraordinário” (2010), “O Sal da Terra” (2014) e “Democracia em Vertigem” (2019) disputaram o prêmio de Melhor Documentário, mas nenhum deles saiu vitorioso.

Os vencedores, em ordem de apresentação, foram: “Assustado e Endireitado!”, “Inside Job”, “Cidadão Snowden” e “Indústria Americana”.

No que concerne à animação e curta-metragem, o país foi representado pelo filme “O Menino e o Mundo” (2016), indicado na categoria de Melhor Animação, e por “Uma História de Futebol” (2000), que concorreu como Melhor Curta-Metragem em Live Action.

Ambas as produções foram derrotadas por “Divertida Mente” e “Meu Amor, Minha Vida”, respectivamente.

Quem pode vencer o Brasil no Oscar 2026

O caso de Wagner Moura ilustra a acirrada concorrência. O ator baiano conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama.

Embora essa premiação seja reconhecida como um termômetro para o Oscar, Moura não disputou diretamente com nomes que, historicamente, têm se mostrado contenders ferozes pela estatueta e que agora irá enfrentar na próxima cerimônia.

Um dos principais concorrentes é Timothée Chalamet, indicado por “Marty Supreme”. No Globo de Ouro, ele saiu vitorioso na categoria de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical. Chalamet emergiu como um dos nomes mais comentados da temporada ao adotar uma postura de ambição explícita em relação ao prêmio.

Durante a campanha, o ator expressou claramente seu desejo de vencer e passou a investir em ações de grande impacto para manter seu filme e sua performance em evidência — chegando a subir no topo da Sphere, em Las Vegas.

A trajetória revela como a corrida pela estatueta se transforma também em uma disputa de narrativa, visibilidade e presença pública.

No que diz respeito à categoria de Melhor Filme, “O Agente Secreto” enfrenta uma concorrência considerável. Um dos principais rivais é “Uma Batalha Após a Outra”, dirigido por Paul Thomas Anderson, que saiu do Globo de Ouro com nove estatuetas.

Entretanto, os dois não se enfrentaram diretamente, visto que o filme de Anderson competiu — e venceu — na categoria de Melhor Filme de Comédia ou Musical.

Além disso, a produção de Kleber Mendonça Filho também concorre com “Hamnet: a vida antes de Hamlet”, que ganhou o Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro, superando “O Agente Secreto”.

Na disputa por Melhor Filme Internacional, o Brasil enfrenta “Foi Apenas Um Acidente”, dirigido por Jafar Panahi, cineasta que foi condenado pela Justiça iraniana a um ano de prisão devido a supostas “atividades de propaganda” contra o Estado, além de levar uma proibição de viajar por dois anos — decisão da qual sua defesa recorreu.

Apesar de um histórico de perseguições, Panahi voltou ao centro das atenções do cinema mundial ao vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes com seu filme que agora disputa a categoria.

A obra retrata a história de Vahid, um mecânico que acredita ter reencontrado seu antigo torturador, Eghbal. Movido por desejos de vingança e incertezas, ele sequestra o homem para tentar confirmar se realmente está diante de alguém que marcou seu passado.

O filme explora temas de vingança e moralidade, mostrando com sensibilidade a resiliência do ser humano, mesmo em momentos de histeria e violência. A narrativa reflete as vivências pessoais do cineasta Jafar Panahi.

Adicionalmente, há ainda “Valor Sentimental”, um drama europeu dirigido por Joachim Trier, que destacou-se na 38ª edição do European Film Awards, realizada em Berlim, ao conquistar seis estatuetas, incluindo os principais prêmios da noite.

Este filme foi reconhecido como o Melhor Filme Europeu, enquanto Joachim Trier recebeu o prêmio de Melhor Diretor pela sensível representação da dinâmica familiar em processo de reconexão. O roteiro, coassinado por Trier junto a Eskil Vogt, também foi premiado na categoria de melhor roteiro.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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