Brasileiros melhoram na gestão financeira, mas ainda não estão preparados para enfrentar a queda de renda.

Brasileiros melhoram na gestão financeira, mas ainda não estão preparados para enfrentar a queda de renda.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Organização Financeira do Brasileiro

O brasileiro demonstrou avanços na organização do seu dinheiro mensal, tendo consciência de sua renda e gastos, e, na maioria dos casos, consegue saldar suas contas. Contudo, a situação muda quando é questionado sobre a capacidade de se sustentar caso não recebesse a renda mensal. A conclusão é de que muitos brasileiros não estão preparados para enfrentar imprevistos financeiros. Essa constatação é parte da primeira edição do Índice Planejar, que foi apresentado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.

Resultados do Índice Planejar

O Índice Planejar obteve uma pontuação de 52,7 em uma escala que vai de 0 a 100, resultante de uma pesquisa nacional do Datafolha, realizada com 2.000 entrevistas nas classes A, B e C que têm acesso à internet, com margem de erro de dois pontos percentuais. O estudo é dividido em cinco dimensões: gestão orçamentária, endividamento, reservas e resiliência, proteção e seguros, e planejamento de longo prazo. A gestão orçamentária obteve a melhor nota do índice, com uma pontuação de 70,1 pontos. Em contraste, a dimensão de reservas e resiliência apresentou a pior performance, com apenas 39,3 pontos. As demais categorias tiveram os seguintes resultados: proteção e seguros (63), endividamento (47,8) e planejamento de longo prazo (43,3).

Hilton Notini, gestor de riscos e consultor da Planejar, responsável pela metodologia do estudo, enfatiza que o índice demonstra uma maturidade maior na gestão financeira do dia a dia. No entanto, ele ressalta que existe um espaço significativo para melhorias na proteção contra surpresas financeiras, que ainda é considerada bastante limitada.

Desigualdade entre Poupança e Sustentação

Um dado alarmante do levantamento é que, ao serem questionados sobre a existência de poupança ou investimentos, muitos entrevistados afirmaram ter esses recursos, resultando em uma nota de 75,7 pontos para esse item. Entretanto, quando perguntados sobre por quanto tempo poderiam se sustentar sem receber a renda mensal, a pontuação caiu drasticamente para 21,3, evidenciando que ter algum investimento não significa ter uma reserva adequada e substancial.

Notini observa que isso comprova a ideia de que as pessoas podem possuir produtos de investimento, mas isso não necessariamente se traduz em uma reserva que ajude a cobrir os gastos em momentos de emergência. Ele ilustra essa realidade ao afirmar que ter apenas R$ 500 na poupança, por exemplo, não é suficiente para sustentar uma pessoa por três meses sem trabalho.

Ana Leoni, CEO da Planejar, também destaca a importância da qualidade desses investimentos. Ela esclarece que o índice não deve ser interpretado como uma mera classificação de produtos financeiros, mas sim como um diagnóstico da capacidade de cada pessoa de enfrentar crises financeiras. Leoni sugere que alternativas, como a combinação de uma reserva mínima de dinheiro com um seguro de baixo custo, poderiam ajudar a proporcionar essa proteção financeira.

Invalidez e Aposentadoria

Outro aspecto preocupante destacado na pesquisa é a falta de preparação para a invalidez, que apresentou uma pontuação de apenas 16,7 pontos. Notini enfatiza que a invalidez é uma possibilidade real, e muitas pessoas não estão criando reservas financeiras para cobrir esse momento. Além disso, no que diz respeito à aposentadoria, a categoria de previdência privada obteve uma pontuação de apenas 15,3 pontos, revelando a inadequação dos recursos reservados para essa fase da vida.

Planejamento e Saúde Financeira

O Brasil conta com 83,9 milhões de pessoas endividadas, o que torna os resultados do Índice Planejar, com 52,7 pontos para a saúde financeira, e 70,1 pontos para gestão orçamentária, paradoxais. Leoni aponta que a organização financeira por si só não é suficiente para garantir uma vida financeira saudável. Para ela, existe a possibilidade de uma pessoa estar organizada financeiramente, mas ainda assim ter um orçamento deficitário.

Leoni ilustra essa situação com o exemplo de uma mulher que trabalha como empregada doméstica. Apesar de ela conseguir entender e organizar suas finanças de maneira mínima, não consegue planejar a longo prazo. Essa situação reflete que a organização financeira não é um indicador automático de saúde financeira.

Notini complementa que a categoria de endividamento reflete a frequência com que os indivíduos enfrentam dificuldades financeiras e quanto da renda é comprometida por dívidas, incluindo aquelas feitas com familiares. Ele observa que a dívida não é, em si, negativa, pois pode permitir que as pessoas acessem recursos futuros, mas o problema surge quando as dívidas atingem um limite excessivo da renda.

A Geração Adulta em Foco

Os dados indicam uma peculiaridade: o planejamento financeiro não melhora linearmente com o avanço da idade. A faixa etária dos 25 aos 44 anos apresenta o menor índice, com 51,3 pontos, enquanto os jovens de 18 a 24 anos marcam 53,6 pontos. As pessoas entre 46 e 60 anos apresentam 53 pontos, e aqueles com mais de 61 anos atingem 57,6 pontos. Notini afirma que essa faixa etária está sob maior pressão em termos financeiros, o que pode explicar a dificuldade em cumprir um planejamento.

Ana Leoni explica que a vida financeira de uma pessoa tende a começar a tomar forma aos 25 anos, quando a renda se estabiliza, e vai até a aposentadoria, por volta dos 65 anos. Durante esse período, uma pessoa precisa gerir as despesas cotidianas, realizar projetos de vida, como a compra de uma casa e a educação dos filhos, além de poupar recursos para o futuro.

Leoni destaca que essa fase é marcada por uma pressão significativa, pois cerca de um ano de ganhos é geralmente alocado para cobrir as despesas atuais e outro ano para o futuro.

Diferenças nas Fases da Vida

A pesquisa também reconhece que diferentes fases da vida trazem desafios e prioridades distintos. Por conta disso, a metodologia adaptou o peso de cada dimensão conforme a faixa etária, refletindo a capacidade de geração de renda ao longo do tempo. Com isso, os pesos de cada dimensão variam ao longo da vida: gestão orçamentária representa 29% da nota entre os jovens de 18 a 24 anos, caindo para 10% após os 61 anos. Por outro lado, a importância dos itens de proteção e seguros aumenta de 12% para 30% ao longo do mesmo período, e o planejamento de longo prazo cresce de 15% para 32%.

Notini ressalta que a gestão orçamentária é crucial em todas as fases da vida, mas desempenha um papel ainda mais significativo no início, quando a renda é menor e é fundamental equilibrar os gastos. Ele também observa que a proteção de bens é menos prioritária no início da vida financeira, pois muitas pessoas ainda estão na fase de construção de patrimônio.

A Planejar ainda não definiu a periodicidade para a aplicação do novo índice, mas espera realizar as pesquisas em um intervalo de dois a três anos para permitir comparações ao longo do tempo. Notini acrescenta que o estudo leva em conta apenas as classes A, B e C da população, portanto, não deve ser interpretado como um retrato completo da realidade financeira de todos os brasileiros.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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