Braskem (BRKM5): UBS BB sugere venda e reduz preço-alvo para R$ 3,75.

Braskem (BRKM5): UBS BB sugere venda e reduz preço-alvo para R$ 3,75.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Braskem e o Aumento de Dívidas no Brasil

Empresas de diferentes setores têm recorrido a mecanismos de reestruturação de dívidas, refletindo os impactos de juros altos e mudanças nas condições de mercado. Recentemente, a Braskem, uma das maiores indústrias do Brasil, destacou-se nesse cenário, contribuindo para um novo recorde no valor de R$ 180 bilhões em dívidas que estão sendo recuperadas judicialmente ou extrajudicialmente.

Rebaixamento da Recomendação da Braskem

O UBS BB, banco de investimentos, rebaixou a recomendação das ações da Braskem de neutra para venda. O preço-alvo para as ações da companhia foi reduzido de R$ 10,50 para R$ 3,75, refletindo um potencial de queda de 29,77% em relação ao fechamento da véspera. Para os American Depositary Receipts (ADRs) da Braskem, o preço-alvo foi ajustado de US$ 4 para US$ 1,50, resultando em uma queda de 28,57% em relação ao último fechamento.

Os analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello enfatizam que, embora reconheçam que o rebaixamento ocorre em um momento atrasado, após uma desvalorização significativa das ações da empresa nos últimos três meses, as condições atuais ainda não permitem uma recuperação fácil. O banco cita que há uma combinação de spreads pressionados e a necessidade de reestruturação das operações da empresa.

Cenário Operacional e Expectativas de Mercado

De acordo com os analistas do UBS BB, os spreads voltaram a níveis semelhantes aos projetados antes das tensões provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A entrada de nova capacidade, principalmente na China, deve exceder o crescimento da demanda até 2027 e 2028. Isso resulta em uma expectativa de que os spreads permaneçam em níveis baixos por um tempo prolongado, limitando o potencial de alta dos preços no curto prazo.

Além disso, o UBS BB destaca a situação do endividamento da Braskem e o complexo processo de reestruturação que a empresa enfrenta, onde possíveis soluções podem acarretar riscos significativos de diluição para os acionistas, além de alta volatilidade ao longo do processo. A expectativa do banco é que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) permaneça pressionado, com um consumo crescente de fluxo de caixa livre para os acionistas nos próximos anos, o que pode exigir uma estrutura de capital mais robusta.

Mudanças no Mercado e Adições de Capacidade

Ao analisar o contexto operacional, o UBS BB menciona que, após o início do conflito no Oriente Médio, houve uma elevação significativa dos spreads devido a preocupações com a interrupção da oferta. No entanto, essa alta foi passageira, com uma subsequente realocação de oferta a partir de estoques e capacidade excedente.

Para 2027, o banco projeta um pico nas adições de capacidade em polietileno (PE), com a expectativa de que 7,6 milhões de toneladas entrem em operação, sendo cerca de 60% desse total na China. Este volume de adições é notável em comparação com um crescimento projetado na demanda de apenas 4,6 milhões de toneladas, o que deve acentuar o excesso de oferta no mercado.

No setor de polipropileno (PP), o relatório observa que, apesar de o pico das adições de capacidade ter ocorrido entre 2023 e 2025, há uma expectativa de mais 3,1 milhões de toneladas em 2027, das quais aproximadamente 75% se originam da China, atingindo níveis que “amplamente igualam” o crescimento da demanda.

Expectativas de Spreads e Reestruturação da Dívida

O UBS BB estima que, para 2027, os spreads entre o polietileno e a nafta deverão estar em torno de US$ 395 por tonelada, representando uma queda de 13% em relação ao ano anterior, mas alta de 10% se comparado a 2025. Para o caso do polietileno e etano, a expectativa é que o spread se situe em US$ 823 por tonelada, com uma diminuição de 18% em relação ao último ano e aumento de 15% em relação a 2025. Já o spread entre polipropileno e propileno é projetado em US$ 485 por tonelada, com redução de 9% ante oúltimo ano e 10% comparado a 2025.

No que se refere à reestruturação, o UBS BB informou que, no contexto da recuperação extrajudicial, a Braskem tem até 22 de novembro para chegar a um acordo com 50% mais um dos credores. O banco calcula que a empresa precisará reduzir sua dívida líquida em aproximadamente US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões para alcançar níveis sustentáveis de alavancagem e geração de caixa.

Dada a complexidade do cenário, os analistas opinam que a resolução pode envolver uma combinação de conversão da dívida em ações, aplicação de descontos e injeção de capital. Se a solução for baseada apenas em conversão de dívida e aumento de capital, estima-se que a diluição para os acionistas minoritários pode variar entre 70% e 95%.

Se a Braskem não conseguir firmar um acordo até a data limite, existe a possibilidade de que a empresa precise solicitar recuperação judicial, um processo que é considerado mais desafiador.

Implicações para a Petrobras

Para a Petrobras, que possui ações negociadas sob os códigos PETR3 e PETR4, o UBS BB prevê que, caso a redução da dívida líquida ocorra exclusivamente por meio da conversão de dívida e aportes financeiros da estatal, será necessário um suporte financeiro de até US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões para que a empresa mantenha sua participação acionária inalterada.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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