BRB realizou pagamento de R$ 7,63 bilhões ao Master antes da emissão de pareceres técnicos.

BRB realizou pagamento de R$ 7,63 bilhões ao Master antes da emissão de pareceres técnicos.

by Editoria Bolsa e Mercado
0 comentários

O Banco de Brasília (BRB) efetuou um total de R$ 7,63 bilhões em repasses ao Banco Master, através de 22 operações, antes que os pareceres técnicos das áreas pertinentes fossem formalmente assinados. Essa informação foi revelada em um laudo pericial elaborado pela Polícia Federal.

A investigação pericial revelou que os controles que deveriam ser implementados antes da aprovação das operações acabaram sendo documentados após a realização dos pagamentos. O laudo também destacou que o BRB continuou a manter relações comerciais com o Banco Master mesmo após a identificação interna de falhas e riscos de fraudes.

Problemas identificados pelo grupo de trabalho

Um grupo de trabalho foi instituído pelo BRB em fevereiro de 2025 e logo identificou diversas questões relacionadas à conciliação, documentação, averbação, qualidade dos dados e o cumprimento das obrigações contratuais nas carteiras adquiridas do Banco Master. Além disso, a equipe recomendou um aprofundamento nas análises que investigavam indícios de práticas fraudulentas.

O primeiro relatório gerado por esse grupo, datado de abril de 2025, apontou a falta de garantias adequadas, a ausência de um relatório relativo à conformidade auditada por entidade independente e reiterou a importância de recuperar valores que não haviam sido pagos pelo Banco Master. Em maio, um segundo relatório reafirmou que os problemas previamente identificados ainda estavam em aberto e classificou os controles do banco de Vorcaro como deficientes.

Continuidade dos pagamentos

Apesar dos alertas e das constatações do grupo de trabalho, os pagamentos ao Banco Master não foram interrompidos. Até a finalização do primeiro relatório, operações que haviam sido aprovadas pela Diretoria Colegiada resultaram em desembolsos que totalizaram R$ 11,07 bilhões. Entre a produção do primeiro e do segundo relatórios, foram pagos mais R$ 3,03 bilhões. Após a conclusão do documento final, o BRB liberou mais R$ 2,19 bilhões em repasses ao Master.

Leia também: PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves para depor sobre caso Master

Perícia aponta falhas nos controles do BRB

Os peritos envolvidos na investigação afirmaram que o relatório produzido em abril já apresentava elementos suficientes que deveriam ter levado a administração do BRB a tomar medidas preventivas. Entre essas, estariam a suspensão ou limitação temporária de novas aquisições, a exigência de garantias prévias aos pagamentos e a contratação de auditoria independente.

Entretanto, novas aquisições continuaram a ser aprovadas e os pagamentos não foram interrompidos. A Polícia Federal concluiu que havia informações sobre riscos dentro do banco, mas que essas não foram utilizadas para condicionar ou interromper as operações financeiras em questão.

O laudo pericial também destacou que as transações não seguiram corretamente as etapas estipuladas de análise, formalização e aprovação, e a exposição financeira do BRB ao Banco Master causou uma concentração significativa de risco. Segundo o laudo, existem elementos que podem sugerir gestão fraudulenta, indicando que os problemas podem não resultar apenas de decisões infelizes ou da assunção de riscos excessivos, mas de uma estratégia repetida para contornar ou regularizar posteriormente os mecanismos de informação, autorização e controle.

Alertas internos já eram conhecidos

A identificação de problemas nas carteiras adquiridas do Banco Master já estava sob investigação. Relatórios internos do BRB haviam destacado inconsistências, como a falta de lastro, dados incompatíveis e falhas documentais relativas aos créditos. Apesar dessas informações, as aquisições continuaram a ser realizadas.

Além disso, a Polícia Federal já havia revelado que membros da diretoria colegiada do BRB estavam envolvidos nas decisões relacionadas a essas operações. Novos laudos permitiram a identificação e a responsabilização da atuação de outros dirigentes no processo.

As operações que ocorreram entre os dois bancos estão no foco da chamada Operação Compliance Zero, que investiga a aquisição, pelo Banco de Brasília, das carteiras de crédito do Banco Master, que estão sob suspeita de prática fraudulenta.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy