Cabeça de Gestor com Will Landers, do BTG Pactual
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Recomendações do BTG Pactual
O BTG Pactual enfatiza a necessidade de cautela nos mercados locais, considerando a combinação de um ambiente externo desafiador e incertezas fiscais. O banco recomenda uma alocação neutra em ativos, mas sugere uma sobrealocação tática em juros reais longos. A eleição presidencial em curso no Brasil tem impacto sobre a descorrelação entre os juros, o câmbio e a Bolsa de Valores. A posição neutra em ativos pós-fixados é baseada nos retornos do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e na expectativa de uma desaceleração econômica. Apesar da recente boa performance da renda variável, a exposição recomendada nesse segmento permanece neutra, devido aos sinais de uma possível desaceleração econômica iminente.
Cenário Atual e Estratégia de Alocação
O atual cenário nos mercados locais demanda cautela, conforme apontado pelo BTG Pactual em um relatório enviado a clientes na tarde desta quinta-feira (1º). A combinação de um ambiente externo mais adverso com uma “perspectiva bidirecional” para os ativos domésticos nos próximos meses, especialmente em relação à política fiscal, justifica essa atitude de precaução.
O banco sugere que uma estratégia de alocação neutra deve ser adotada em todas as classes de ativos, embora exista uma alocação tática superior em juros reais longos. “Consideramos que a composição atual da asset strategy [estratégia de alocação] para todos os perfis já considera retornos excessivos ao CDI em um ambiente de maior apetite ao risco local. Dessa forma, qualquer exposição adicional a essa direção, seja em duration ou em Bolsa, dependerá da obtenção de novas informações sobre o cenário nos próximos meses”, destaca o BTG.
A Influência das Eleições
De acordo com a análise apresentada, a eleição presidencial tem gerado movimentos significativos nos ativos domésticos, resultando em uma descorrelação notável entre os juros, câmbio e Bolsa no Brasil em comparação com o cenário global. “Acreditamos que as divulgações de diversas pesquisas sobre intenções de voto, as quais frequentemente mostram um empate técnico em um possível segundo turno entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva [PT] e Flávio Bolsonaro [PL], refletem a incerteza de qualquer resultado nas urnas ao longo do mês de outubro. Isso tem levado os investidores a uma postura de espera ou a se expor a mais riscos”, explica o relatório.
Estratégia por Classes de Ativos
Ao detalhar a alocação em diferentes classes de ativos, o BTG Pactual evidencia uma posição neutra em pós-fixados. Essa decisão se deve ao fato de que o CDI ainda oferece retornos interessantes no curto prazo, em um cenário que apresenta maior aversão ao risco em relação aos mercados emergentes, especialmente após o início do ciclo de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos.
Com relação aos ativos indexados ao IPCA, a duration média da carteira é de 6,1 anos para o perfil moderado, com uma postura neutra em juros reais de curto prazo e uma sobrealocação em juros longos. O BTG declara que “essa posição tática tende a se beneficiar de um ambiente doméstico mais favorável, seja pelo carregamento positivo proveniente dos efeitos inflacionários do ‘super’ El Niño no curto prazo, seja pela expectativa de um cenário mais favorável à responsabilidade fiscal”.
Ativos Prefixados e Renda Variável
Em relação aos ativos prefixados, a avaliação também é neutra, considerando o fechamento das taxas dos títulos longos, que se situam em 60 pontos-base. Essas taxas apresentam-se descorrelacionadas do movimento externo e mais vinculadas à realidade do cenário eleitoral doméstico. No entanto, “os prêmios seguem robustos”, e a recomendação do banco é de aguardar “a materialização de um ambiente mais favorável” para adicionar esse risco nas carteiras de investimentos.
Quanto à exposição em renda variável, a orientação é de manter uma posição neutra, uma vez que, apesar da diminuição dos prêmios de risco e da boa performance dos ativos brasileiros – incluindo uma alta de 5% do Ibovespa em setembro e de 3,4% do EWZ, que é o maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York -, a expectativa de uma desaceleração econômica pode levar a resultados negativos para empresas que estão mais atreladas ao ciclo econômico doméstico nos próximos trimestres.
*Com informações da Broadcast
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Fonte: www.estadao.com.br
