Rebaixamento da Recomendação da Gerdau
O BTG Pactual decidiu rebaixar a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de compra para neutra na sexta-feira, dia 23.
Revisão do Preço-Alvo
Apesar do rebaixamento, o banco elevou o preço-alvo das ações de R$ 20 para R$ 25 até o final de 2026. Essa mudança implica um potencial de valorização de 8,3% em relação ao fechamento do dia anterior, quando as ações foram negociadas a R$ 23,08.
Análise dos Analistas
Em um relatório dirigido a seus clientes, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques afirmaram que a percepção de que a Gerdau representa a melhor operação do setor siderúrgico no Brasil permanece inalterada. Contudo, eles destacaram que a relação risco-retorno para as ações GGBR4 se tornou "menos atrativa do que antes", especialmente após uma valorização de 40% nos últimos seis meses. Eles ressaltaram a prudência de realizar parte dos lucros em nível atual.
Os especialistas explicaram que essa decisão se baseia principalmente em uma avaliação de valuation, afirmando que apenas mudanças marginais estão sendo implementadas em seus modelos.
Ambiente Econômico e Riscos
Os analistas também observaram um "ambiente de duas histórias" no mercado, com um desempenho forte nos Estados Unidos, enquanto os fundamentos no Brasil se mostram mais frágeis. Além disso, eles destacaram que os rendimentos de geração de caixa estão limitados. Os yields de fluxo de caixa estão comprimidos para uma faixa entre 6% a 7%, comparados a 10% a 11%, o que sugere que a margem de segurança diminuiu.
O banco não visualiza benefícios tangíveis para a Gerdau em 2026 relacionados aos processos antidumping em andamento no Brasil, indicando que isso limita o otimismo quanto a uma possível formação de um piso no mercado doméstico em um horizonte de curto prazo.
Com essa alteração na recomendação, as ações da siderúrgica enfrentam uma queda na mesma data, posicionando-se entre as maiores perdas do Ibovespa (IBOV). Por volta das 15h (horário de Brasília), GGBR4 registrava uma baixa de 1,39%, cotada a R$ 22,76. Desde o começo de 2026, as ações já acumularam uma valorização próxima a 12%.
Avaliação do Cenário nos EUA
O BTG Pactual indicou que o atual bom desempenho das operações nos Estados Unidos já está "em grande parte" precificado. A dinâmica dos negócios nos EUA continua forte, mas os analistas avaliaram que o potencial de alta decorrente de revisões de lucro já se encontra amplamente considerado nos preços atuais.
Riscos Relacionados ao Acordo Comercial
Adicionalmente, o banco considera a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) como um ponto relevante de risco para a Gerdau. Os analistas sublinharam que México e Canadá estão sujeitos a uma tarifa recíproca de 50%, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em abril do ano passado.
Uma mudança para um sistema baseado em cotas ou isenções plenas sob um acordo renovado poderia levar à convergência dos spreads regionais, que estão atualmente em níveis elevados.
Expectativas para o Quarto Trimestre de 2025
No que diz respeito ao quarto trimestre de 2025 (4T25), o BTG Pactual projeta resultados mais fracos, principalmente devido a um ambiente econômico menos favorável no Brasil, além da sazonalidade característica deste periodo.
Destaques nas Operações
Espera-se que a divisão norte-americana continue a ser o principal destaque, com margens projetadas em torno de 21%, representando mais de 70% da geração de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Gerdau.
Desempenho no Brasil
Em contrapartida, a operação no Brasil deverá registrar um dos níveis de rentabilidade mais fracos da sua história, com margens de Ebitda estimadas em torno de 6% a 7%. Os analistas enfatizam que essa expectativa já inclui o segmento de aços especiais, que usualmente contribui para a melhora dos níveis de margem.
É prevista também uma geração positiva de fluxo de caixa no trimestre, porém a maior parte dela estaria sendo impulsionada por uma significativa liberação de capital de giro, normalmente associada a essa época do ano.
Fonte: www.moneytimes.com.br