Análise do BTG Pactual sobre a Braskem
Redução do Preço-Alvo
O time de analistas do BTG Pactual, liderado por Luiz Carvalho, revisou o preço-alvo das ações da Braskem (BRKM5), passando de R$ 13 para R$ 11. Essa mudança foi motivada pela identificação de uma “perspectiva desafiadora” e um “ambiente difícil” que a companhia enfrenta atualmente.
Desafios no Setor de Petroquímicos
Em relação à oferta de petroquímicos, o banco aponta que a Braskem tem enfrentado novas adições de capacidade global, o que afeta os preços de seus produtos. Em 2024, foram colocadas em operação aproximadamente 6,4 milhões de toneladas de polietileno (PE) e 4,5 milhões de toneladas de polipropileno (PP), principalmente nos mercados da Ásia e dos Estados Unidos. Para 2025, são aguardadas novas adições de capacidade em proporções semelhantes, especialmente na Ásia e na região do Golfo do México.
Os analistas destacam que “as margens de polietileno, polipropileno e PVC continuam pressionadas”, uma vez que a demanda sazonal fraca se combina com um excesso estrutural de oferta e custos elevados de matérias-primas. Ao mesmo tempo, observa-se que, apesar da firmeza dos preços de nafta e propeno, há uma queda nos preços realizados dos polímeros, resultando em margens integradas bastante comprimidas.
Incertezas Macroeconômicas
A atual conjuntura macroeconômica também contribui para a incerteza da demanda, adicionando complexidade ao cenário enfrentado pela Braskem. Essa combinação de fatores já impactou negativamente os resultados financeiros da companhia no segundo trimestre e levou o BTG a revisar suas estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para os próximos anos.
Para 2025, a projeção de Ebitda foi reduzida em 27%, passando para US$ 961 milhões, enquanto para 2026 a diminuição foi de 14%, fixando-se em US$ 1,3 bilhão.
Avaliação de Múltiplos da Braskem
Múltiplos Elevados
Conforme observações do BTG, atualmente a Braskem está negociando a um múltiplo de 12,4 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda projetado para 2025. Para 2026, o múltiplo previsto é de 8,9 vezes. Esses índices são considerados elevados quando comparados aos de seus pares globais.
Riscos e Oportunidades
Os analistas também apontaram riscos relacionados a questões de responsabilidade em Alagoas, onde a Braskem ainda não concretizou um acordo sobre o afundamento do solo em Maceió, além dos riscos associados à disputa pelo controle acionário da empresa.
Por outro lado, o banco destaca uma possível aprovação do PL 892, que tem como objetivo recriar o REIQ (Regime Especial da Indústria Química), um benefício fiscal que visa reduzir os custos com matérias-primas petroquímicas. O projeto também institui o PRESIQ (Programa Especial de Apoio à Indústria Química), uma versão atualizada do incentivo anteriormente mencionado.
Impacto do PL 892
Os analistas do BTG consideram que o PL 892 pode ser um importante catalisador para a Braskem, com potencial para aumentar o Ebitda de 2026. Se o incentivo do REIQ/PRESIQ subir em 1%, estima-se que o Ebitda de 2026 poderia aumentar em aproximadamente US$ 60 milhões. Apesar disso, os analistas mantêm uma postura cautelosa até que os benefícios sejam refletidos nos resultados financeiros da companhia.
Contudo, o banco observa que existem riscos fiscais associados à aprovação integral deste programa, uma vez que tal proposta implica em renúncia de receitas para a União. O BTG acredita que, embora o projeto tenha boas chances de aprovação, a alíquota poderá ser reduzida, situando-se entre 2% e 4%. Mesmo com esses potenciais ganhos, a análise conclui que a Braskem precisará de ações adicionais, como desinvestimentos, para assegurar uma recuperação sustentável na geração de caixa.
Recomendação do BTG Pactual
O BTG Pactual emitiu uma recomendação neutra para as ações da Braskem, refletindo suas considerações sobre o contexto atual da companhia e as incertezas que envolvem suas operações e sua posição de mercado.